Quem vai liderar a gente?

A melhor coisa do mercado são as pessoas. Isso não é discurso ou mito de psicólogo, é um fato. São as pessoas que fazem isso tudo ser divertido, principalmente quando são pessoas de alto nível e que se preocupam em contribuir e fazer crescer. Tenho a felicidade de ter pessoas desse quilate por perto, como clientes ou parceiros, e a Tays Almeida é assim. Profissional que trabalha com iniciativas de educação e capacitação, ela faz parte do Sistema Cooperativista e é uma figura que já me orientou bastante, além de ser extremamente bem humorada e gentil. Essa semana ela me presenteou de novo, agora com um texto sensacional. Mesmo ela achando o texto um tanto “ríspido”, eu apreciei bastante e talvez tenha apreciado ainda mais porque o texto do Ricardo Jordão é cru, direto e agressivo o tanto necessário. Apreciei o suficiente para dividir com meus leitores. O texto vai abaixo, e para Tays; HÁ BRAÇOS!

Gratíssimo Tays, pela lembrança e pela generosidade.

Divirtam-se!

 

Quem vai liderar a gente?

Você não tem uma alma. Você é uma alma. O que você tem é um corpo. 

Querida(o) Amiga(o),

Semanas atrás a Endeavor realizou um evento em São Paulo cheio de figurões do mundo dos negócios. Foi a coisa mais chata do mundo!

O evento da Endeavor reuniu o presidente da CPFL para falar sobre governança corporativa – em termos de embromation só perde para uma sessão de 15 minutos do filme “Xuxa e a Feiurinha” – ; o presidente do Banco Itaú para falar sobre empreendedorismo – jogaram o coitado no lugar errado – , o presidente do Milbank para falar sobre financiamento do crescimento – banco falando sobre financiamento do empreendedorismo? – , e o Sardenberg para moderar um painel sobre riscos e oportunidades no Brasil, entre outras chatices.

Até o horário do almoço ganhou um nome corporativo de doer no fundo da alma: “brunch de relacionamento”  – nem durante o almoço a turma tirou a máscara corporativa.  Engoliram o sapo. 

O evento foi todo gravado, e você pode assistir quando quiser no web site da Endeavor. (Recomendo que você assista as palestras como sonífero). 

Mas nem tudo foi chato. Teve coisa boa. 

Apesar de todo o conhecimento, bagagem e barrigas que estiveram presentes em cima do palco durante todo o dia do evento, quem roubou a cena mesmo foi o Wellington Nogueira, “CEO” da ONG Doutores da Alegria.

Nogueira subiu no palco no final do evento, e destruiu as engrenagens da máquina corporativa ao soltar um comentário aparentemente “simplório” e inofensivo, “Hoje eu pude perceber que todos estão preocupados em como “reter talentos”, mas para mim esse tipo de necessidade é uma coisa muito esquisita; oras, se o cara que trabalha para mim é talentoso, se o cara é bom, por que temos que “reter o seu talento”? Não tem como reter o talento de uma pessoa criativa. Não tem como reter o talento de um palhaço. Inclusive, quando tentei reter o talento dos meus palhaços adicionando plano de carreira e outras filosofias do mundo corporativo, os meus palhaços perderam o tesão de fazer as coisas de maneira diferente e crescer.” 

Pela manhã, Beto Sicupira, mega blaster empreendedor brasileiro dono das lojas Americanas, Ambev, entre outras, soltou uma máxima que aparentemente passou desapercebida pela “galera” que assistia ao evento, mas me tocou no fundo da alma.  

Mario Chady, do Grupo Umbria, perguntou a Sicupira, “Agora que você comprou a Burger King, você vai aprender a comer hambúrguer?” 

Sicupira respondeu, “Tô fora. Eu posso até aprender a fazer hambúrguer, mas comer hambúrguer eu não vou.”

Foda. (Desculpe o meu francês).  Que lixo de exemplo que esse cara deu. 

A turma do Sicupira vende agora todo tipo de droga: bala, chocolate, chiclete, salgadinho, cerveja, refrigerante e hambúrguer; e a galera do fundão ama muito tudo isso, então, bóra comprar McLanche Feliz para ganhar bonequinho de plástico, e depois vamos assistir filme “dubrado” no cinemark porque não temos saco para ler legenda de filme americano. 

Sei lá, entende, parafraseando Steve Jobs, “Você quer vender água com açúcar pelo resto da sua vida ou você quer mudar o mundo?”, argumento usado por Steve Jobs para convencer John Sculley a trocar a presidência da Pepsi para se tornar CEO da Apple em 1983. 

Quem vai liderar a gente?
Em breve, todos seremos líderes potenciais.  

É aquela velha história, quem deveria liderar o solo de guitarra em uma banda de rock? O guitarrista solo, é claro. Quem deveria liderar a segurança da rede da sua empresa? O especialista em segurança, e não o gerente boçal que mal e porcamente entende de relações interpessoais, e está mais preocupado com a quantidade de papel usado na impressora da rede do que se o trabalho foi feito ou não. Curiosamente, no ambiente em que tudo se mede, aquele que mastiga planilhas é o último a saber do que realmente está acontecendo.

Que saco essa moda da gestão de emoções. Os “Coachs de RH” conseguiram levar os líderes na conversa. Piada. Hoje, os “líderes” não entendem tecnicamente bulhufas de nada, e por conta disso atrasam a implementação de qualquer novidade. O que antes levava 3 meses, hoje leva 1 ano. O que antes era decidido por dois caras, hoje temos que chamar 23 cidadãos para chegar a um consenso sobre o azul da embalagem. Até o padre da paróquia é chamado para atestar se o azul está dentro dos conformes celestiais. Na era da velocidade, estamos mais lentos do que nunca.  

É mais fácil você criar a sua própria planilha de controle de alguma coisa, do que esperar o gerente – que nem sabe mexer em uma planilha – criar uma. 

Quem vai liderar a gente?
O cara que vende hambúrguer mas não come hambúrguer!
Argh, Apertem os cintos, o piloto sumiu!
Quem vai liderar a gente?
Aqueles – eu espero – que lideram pelo exemplo de serem empreendedores. 

A coisa mais fascinante no Steve Jobs – eu tenho que citar o cara de novo porque ele é peça rara nesse sentido – é o fato dele se colocar como vendedor oficial dos produtos da Apple há mais de 20 anos. O cara é trilionário, tem milhares de funcionários em todo o mundo, centenas de marketeiros, diferentes agências de propaganda e eventos por todos os cantos, e ainda assim, trimestralmente, o cara dá a cara para bater, sobe no palco, e ele mesmo apresenta os produtos que a Apple está lançando no mercado. Quer dizer, se o produto for um fracasso, ele dança, se o produto for um sucesso, ele seta o exemplo de empreendedorismo para todos os outros funcionários. 

Por outro lado, eu sempre vejo o presidente da Nestlé no Programa do Amaury Junior dando entrevistas sobre gado, baladas etc, mas eu nunca vi o cara a frente do evento de lançamento da nova embalagem do Leite Moça. Ok, o cara tem um monte de vaca para cuidar, não tem tempo para perder com venda de produto, lançamento de novidades etc, isso é coisa de peão, trabalho mundano para o Steve Jobs fazer, ou a assessoria de imprensa da Nestlé, isso não é trabalho para presidente de multinacional.

Para mim o líder é a extensão da marca da empresa. Se o chefe gosta de vaca, de uma maneira ou de outra, todos os diretores estarão envolvidos com o assunto. Se o líder é vendedor, de uma maneira ou de outra, todos os seus apóstolos estarão envolvidos com vendas. Seja para puxar o saco, ou porque acredita, é assim que as coisas são, ladeira abaixo, até chegar na recepcionista e na tia do cafezinho. 

Quem vai liderar a gente?

Aqueles que são capazes de criar estruturas que não precisam da sua presença para prosperar. 

Nós vivemos em uma sociedade feita para quebrar. Tudo aqui é temporário. Hoje, durante o HSM Management, um palestrante imbecil falou sobre a importância de planejar o que queremos ser em 2035. Em 2035, 95% das empresas presentes ali não vão mais existir. 85% dos produtos feitos no mundo vão para o lixo em 90 dias. A embalagem do suco de laranja que você jogou no lixo hoje, foi feita 25 dias atrás. O papel que embrulha o bombom Sonho de Valsa que você detonou há pouco, foi impresso pela gráfica 15 dias atrás. Até os produtos da Apple são feitos para durar no máximo 3 ou 4 anos. 

É o preço que pagamos para sermos modernos. Temos que nos reinventar a todo tempo, e continuar avançando, com novas maneiras de fazer as coisas.  O “pobrema” é que se não tomar cuidado, você não deixará legado algum para as futuras gerações. O apartamento que você vai passar a vida pagando, será demolido 20 anos depois de você terminar de pagar. Se bobear, você passará pela Terra sem causar qualquer impacto, sem deixar a sua marca. 

Eu não nasci para ser uma peça da engrenagem de fazer dinheiro. De fato, eu não tenho respeito algum por líderes que pensam apenas em fazer dinheiro ou aparecer bem na fita. Eu nasci para fazer a diferença, deixar um legado, criar um cenário onde as pessoas se sintam “seguras” para levar suas vidas, educarem seus filhos, e mudar o mundo. 

Os romanos, por exemplo, foram um povo ultra avançado. Quando o Império Romano foi para o saco, tudo se perdeu. Os historiadores dizem que estamos 1.500 anos atrasados por conta da ignorância dos conquistadores de Roma que não quiseram compreender aquilo que não entendiam, e destruíram tudo. 

Hoje, você tem uma oportunidade sem precedentes na história da humanidade para deixar um legado da sua inteligência e experiência para as futuras gerações continuarem a construir um mundo melhor para o máximo possível de pessoas. 

A promoção contínua dessas experiências diversificadas levará a criação de um mundo que aceita todos os tipos de diferenças. A segurança, a prosperidade e a evolução do ser humano depende do seu envolvimento pessoal nessas iniciativas. 

Esse é parte do exemplo de liderança que você deve deixar nesse mundo; esse é o exemplo de líder que eu quero seguir. 

NADA MENOS QUE ISSO INTERESSA!

QUEBRA TUDO! Foi para isso que eu vim! E Você?

Ricardo Jordão Magalhães

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