Houve uma vez numa tarde de sábado…

Sei que enciclopédias open-source são suspeitas em suas informações, mas para o que preciso a Wikipédia vai servir nesse momento. Eis as primeiras linhas da definição de Escotismo, segundo a Wikipédia:

Escotismo ou escutismo fundado por Lorde Robert Stephenson Smyth Baden-Powell, em 1907, é um movimento mundial, educacional, voluntariado, apartidário, sem fins lucrativos. A sua proposta é o desenvolvimento do jovem, por meio de um sistema de valores que prioriza a honra, baseado na Promessa e na Lei escoteira, e através da prática do trabalho em equipe e da vida ao ar livre, fazer com que o jovem assuma seu próprio crescimento, tornar-se um exemplo de fraternidade, lealdade, altruísmo, responsabilidade, respeito e disciplina.

E apresento essa definição porque comecei a me aproximar do escotismo e essa aproximação – que antes tinha apenas o intuito de ver se seria legal para meus Tubarões – começou a gerar frutos interessantes. Sim, porque nas últimas semanas comecei a me envolver com o movimento, já ganhei camisetas, honrarias e gente gritando na minha cabeça (o que parece ser um sinal de aceitação entre eles. hehe). E meu envolvimento se inicia da forma menos esperada, ao menos para mim: através do teatro.

Não, não estamos fazendo teatro com os escoteiros, mas um filme. A Fóton Filmes, que já fez as animações “Bartô”, “Mocó Jack” (que tem música do Sangue Seco na trilha sonora) e “Dontinho, a missão”, além do documentário “Ponte Affonso Penna”, está realizando o projeto cinematográfico de um média duração chamado “A lenda do Mão verde”, baseado na lenda do Mão Verde, muito divulgada no movimento em suas fogueiras e acampamentos.

Não, eu não me tornei escoteiro (pelo menos acho que não), mas me tornei um entusiasta da ideia. Além da valorização da vida ao ar livre, do contato com a natureza, todas coisas que prezo muito e vivencio em meus treinamentos outdoor, o escotismo hoje se apresenta para mim – feliz papai de dois guris – como uma alternativa sensacional e divertida para auxiliar na construção de valores e comportamento para meus dois heróis. E aí veio o convite.

O diretor, produtor, autor, enfim o dono do filme, Luiz Botosso Júnior (na foto é o que está com boné, o do meio sou eu e o terceiro mosqueteiro é Thiago, o Thigas), é um sujeito que conheço de longas datas, temos vínculos tortos de parentesco e é alguém que sei de seus valores. Também sei que é um sujeito duro de lidar, complicado de viver, bruto e grosso feito parede igreja, mas que consta do rol de meus amigos. Temos muito em comum, por incrível que pareça, e ele além de ter sido militar, também foi/é escoteiro. Ele depois de uma breve história de sucesso com seus curtas, sendo premiado e reconhecido pelos cantos do mundo resolveu fazer esse média duração (maior que um curta duração, entendeu?) e lembrou-se do vivente aqui com relação à minha experiência teatral.

Afinal de contas, a Fóton (empresa dele e do sócio Thiago “Thigas” Veiga, também autor do média) tem experiência em animação, mas uma coisa é lidar com pixels e linhas e vetores, outra é lidar com atores e atrizes. Nesse campo eu poderia ajudar, e foi muito feliz que aceitei a proposta. Todos temos problemas enormes de agenda, e isso atrasou um pouco o início do meu envolvimento, mas finalmente num belo sábado à tarde lá fui eu realizar uma mezzo oficina/ mezzo palestra com algumas tropas.

Cheguei e já fiquei entusiasmado, eles se reúnem no Parque Areião, em Goiânia. E lá tem um auditório no meio de um bambuzal que é o “trem mais lindo do mundo, sêo”! O local é silencioso como eu poucas vezes vi na vida, e só isso já compensava estar lá, mas a beleza das moitas de bambu ao redor dos assentos, todos feitos de madeira bruta, o palco praticamente cravado em toras e tábuas, eu fiquei impressionado.

E aí chegaram aqueles montes de mentes inquietas, participantes das tropas de lobinhos e sêniores. Os lobinhos com aquela carinha ansiosa e curiosa que só crianças daquela idade (entre sete e dez anos) conseguem possuir. Normalmente inquietos, eles se mostraram extremamente disciplinados e educados com a visita, no caso eu. Os seniores todos adolescentes, brotando em hormônios e disposição, cheios de uma energia que nos faz sentir invencíveis e imortais (eu sei, já passei por isso), e ainda assim também extremamente cuidadosos na atenção e no cuidado com o que seria feito ali.

E foi muito legal. Confesso que eu tive que mudar muita coisa que eu havia planejado, porque o local não me oferecia algumas condições e oferecia outras tantas possibilidades, mas isso foi tranquilo. Uma breve apresentação, palestra rápida e logo tínhamos todos no palco, em exercícios de espontaneidade e domínio de texto, expressando e brigando pela oportunidade de atuar no filme. Sim, porque além da Preparação do elenco, também fui responsabilizado por grande parte da seleção desse mesmo elenco, então ao mesmo tempo que íamos fornecendo informações e preparando os jovens para o que viria pela frente, também já estávamos escolhendo alguns e algumas para o cast do filme.

E isso foi tranquilo, porque alguns já mostravam no primeiro exercício a vibração, a energia e o domínio da cena que procurávamos. Eu me diverti baldes e baldes, e eles também estavam curtindo muito o momento. Infelizmente tínhamos pouco tempo e logo precisamos encerrar o trabalho, mas já com excelentes alternativas e ótimas boas ideias, até porque acompanhando tudo tínhamos vários chefes (muitos também desejosos de atuar no filme), a presença técnica e sempre bem humorada do Thigas Veiga e a Carol, fotografando cada gesto e movimento de todos. E para culminar esse momento fui agraciado com um “Aplauso Escoteiro” (abacaxi, xi, xi, ….. eu lembro até agora, povo bom!)

Depois de tudo isso pude participar, entre honrado e emocionado, da solenidade que fazem ao final dos encontros, com a bandeira nacional, os recados, o posicionamento adequado, e os gritos das tropas (me puseram no meio da tropa para gritar pra mim, e eu segurei muito pra não chorar na frente do povo todo), sem falar de uma tropa que me presenteou com o enorme e altíssimo grito próprio deles.

Agora ainda teremos uma próxima reunião com mais outra tropa, quando faremos nova oficina/palestra e vamos caminhando para a produção de uma obra de arte que vai levar informações e o estilo de vida escoteiro para muito além dos montes de locais que hoje já alcança.

Se a ideia já fosse suficiente, ainda íamos procurar mais encrenca, pois eu e Botosso já estamos organizando uma excursão para acampamento e exploração em alguma área distante, para exercitar tudo que podemos saber e aprender o que precisamos saber sobre a experiência ao ar livre.

Viver assim é bem melhor, saber que existem tantos assim que acreditam em valores, comportamento, cuidado com a natureza e com o outro faz a experiência de ser algo muito mais prazerosa. Sobre o filme devagarzinho vamos divulgando e contando mais detalhes, pelo roteiro promete ser um filme que leva informação, mas que diverte muito, com um toque de suspense e a agilidade que envolvem e fazem o tempo passar rápido. Aguardem, muito ainda mais está por vir.

Muito, mas muito obrigado mesmo ao Grupo Escoteiro Arara Azul, por me receber com tanto carinho, com tanto cuidado e por me ensinar tantas coisas em uma tarde tão pequena. Agora toda vez que nos encontrarmos já vou saber como cumprimentar de forma certa, contem com isso. E muito agradecido à Fóton, dos meus amigos Botosso e Thigas, vou honrar o convite, serei o melhor possível. E já estou sempre alerta!!

Há braços!

Eduardo Mesquita, O Inimigo do rei

eduardoinimigo@gmail.com

twitter – @eduardoinimigo

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