Guga, Arnaldo e Bolshoi – vocações descobertas, novas possibilidades.

Falo sempre nas minhas palestras, principalmente para jovens profissionais em começo de carreira, que se você tiver a graça e honra de fazer o que você gosta, a vida fica muito mais fácil. E se você ainda tiver algumas possibilidades de fazer o que gosta, então fica muito muito muito mais fácil e saborosa. Ninguém precisa ser exclusivamente o que acha que deve ser, e a imagem ao lado é prova disso. Eu ainda acho que viver vale a pena, se for com diversão e prazer então, vale muito a pena.

Digo isso porque não são somente profissionais em início de carreira e empresas iniciantes que possuem o direito de experimentar prazeres e quereres; também profissionais com carreira sólida e empresas reconhecidas e poderosas podem experimentar isso. Estou falando do Arnaldo Antunes, do Bolshoi Pub e do Guga Valente. Apresentando cada um dos mencionados, Arnaldo Antunes era um dos vocalistas do Titãs em seus primórdios e que depois seguiu prolífica e poderosa carreira solo, falo mais dele daqui a pouco. O Bolshoi Pub – http://www.bolshoipub.com.br/ – é uma casa noturna de Goiânia que já existe no imaginário popular como uma casa confortável, de atendimento acima da média e excelentes shows. E o Guga Valente é meu compadre, amigo, camarada, guitarrista do SANGUE SECO (banda de punk rock que sou vocalista), professor reconhecido e poeta. E essas três figuras de carreiras bem construídas se encontram na minha vida de forma bastante positiva.

Quinta passada, dia 30 de junho, houve um show do Arnaldo Antunes no Bolshoi Pub. Gentilmente a casa me abriu portas para fazer a cobertura do show, mas eu estaria fora de Goiânia e estaria impossibilitado de realizar tão saborosa missão. Bem sabia que meu compadre Guga é um fã confesso do Arnaldo poeta e do Arnaldo músico, então sugeri que ele fizesse a cobertura do show. Aí se encontraram.

Bolshoi é uma casa que já atravessou algumas pedradas significativas. Histórias de racismo na portaria, histórias de preços abusivos, histórias de tantas coisas que só isso já poderia ser suficiente para provar que a casa é digna de atenção. Isso porque podemos sempre nos basear na velha máxima popular que diz que “ninguém joga pedra em árvore que não dá frutos”. Se surgiram confusões e temas com o nome da casa e se a tudo isso ela permanece firme e sólida na história das diversões noturnas da cidade, isso significa algo, certamente. A casa é excelente, músicos amigos meus que já tocaram lá – caso dos paraenses do Madame Saatan, por exemplo – sempre dizem da altíssima qualidade do profissionalismo da casa e dos equipamentos, tendo ouvido várias vezes o comentário de ser “o melhor palco para shows da cidade”.

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Não somente por quem trabalha, mas também pelo público. Meus diletos clientes João Vieira e João Ferreira, da SIA Consultoria, são alguns que já elogiaram para mim tantas vezes sobre a qualidade superior da noite usufruída na casa. Os shows valiosos, o chopp delicioso, os acepipes diferentes e a estética/clima da casa compõem uma receita inusitada e comprovadamente distinta. A casa não satisfeita em ser uma casa de shows praticamente única na cidade (abrigando shows de jazz, blues, metal e Matanzas), ainda se mete a organizar eventos de discussões filosóficas – o Café Filosófico – que já guardaram seu lugar em mentes nobres goianas. Depois de se firmar como uma grande boate, montou uma imagem de grande pub e busca ainda ser grande em outras frentes. Valioso!

Sobre Arnaldo eu não comentarei, mas vou colocar no final do post o texto de divulgação feito pelo chapa Adalto Alves, diligente e inquieto assessor de imprensa da Bolshoi. Eu não conseguiria mesmo falar melhor do que o Adalto já falou, portanto confiram lá embaixo a história desse sujeito esquisito.

E o Guga (na foto – de Marina Marques – em um show – eu no vocal, ele na guitarra) sempre foi poeta. Dos bons. Junto a isso sempre foi músico multi-instrumentista, também dos bons. Construiu sua carreira de professor de forma cuidadosa e profissional, sempre valorizando seus contratos, mas principalmente valorizando seus alunos, parte tão importante da vida desse sujeito. E agora quando a missão se apresentou, Guga se mostra um jornalista de alta octonagem, fazendo um trabalho tão saboroso de se ler quanto construtivo para se informar. Misturando a violência de suas raízes punks, a sensibilidade de sua veia poética, suas artes com as palavras e sua paixão como fã ele construiu esse texto que é o coração desse post. Vejam abaixo que mesmo tendo uma carreira voltada para um lado, o profissional com talento e tesão consegue criar novas oportunidades, mesmo que isso não seja foco de seus interesses financeiros. Ele não vai deixar de dar aulas para fazer resenhas de shows, principalmente para sites que pagam tão mal como www.ideiadiferente.com e www.ogritodoinimigo.com, mas mostra que para quem faz com satisfação, novas portas sempre estarão se abrindo.

Divirtam-se com a bela resenha do Guga Valente sobre o show de Arnaldo Antunes na Bolshoi Pub. Para os sites que o recebem, é uma honra!

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A casa foi nossa

Fazia anos que eu não via Arnaldo Antunes ao vivo. Da última vez ele viu minha tatuagem (um desenho da Rosa, filha dele, que ilustrou o belíssimo livro de poemas as coisas) e trocamos muitas ideias. Ele é um cara simpatissíssimo. Estava ansioso para o que viria naquele show, afinal, ele está em turnê com seu último disco Iê iê iê, um ótimo disco de rock n roll. Mas esse seria diferente, pois ele não estava com a banda. Eram apenas dois violões (Betão e Chico Salém) e o cara. Achei que o show ia ser uma xoxura só, até porque com banda todo show é melhor. Violões? Aquilo ia ser um acústico.

Quando o show começou, com Fim do dia, música do excelente Um som, vi que eu estava enganado. Os dois violões estavam encorpados. Um fazia a base acústica e o outro tinha duzentos e oitenta e sete pedais dos mais variados efeitos. Ou seja, era uma guitarra. E como violão é meio percursão também, aquilo lá era uma banda perfeita.

O show teve música de quase todos os discos de Arnaldo solo e com os Titãs. É incrível notar como ele mudou nesses últimos dezoito anos de carreira solo. Não parece, mas esse tempo fez o hiperartista acalmar sua nevrálgica poesia de cunho altamente apelativo à última etapa do modernismo brasileiro. Arnaldo ficou mais palatável para o grande público. Suas participações nos trabalhos de Marisa Monte se intensificaram no disco dela em que ele narra um trecho do Primo Basílio em Amor, I love you. Depois vieram os Tribalistas e ele ficou conhecido como um artista singelo e sensível – e estranho. Seus trabalhos posteriores a essa banda de um disco só (a partir de Paradeiro) ficaram mais radiofônicos. Quem ouve seus dois primeiros discos não vê tanta coisa em comum com o que ele faz hoje.

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No entanto, isso está longe de ser ruim. Arnaldo Antunes aparece no palco metido num improvável terno chinês e as músicas fluem naturalmente. Foram 21 sons muito legais, num lotado Bolshoi Pub que cantou junto com o artista os clássicos Não vou me adaptar e O pulso (ambas da sua época no Titãs) e Socorro, seu primeiro clássico solo, também gravado por Cássia Eller. Um dos pontos altos do show foi quando, no meio de Ta consumado, do disco Saiba, Arnaldo fez uma coisa que ele geralmente faz em shows mais intimistas: foi pro meio da galera cantar junto com ela. Todos tirando foto, tirando cascas, perdendo (ou achando) o prumo do show enlouquecido.

Teve que voltar ao palco duas vezes, pois o povo não ia embora e pedia que ele continuasse. A última música antes dos bis, foi O silêncio. No meio da música, ele recita o corpo, do livro as coisas. Foi lindo ver as pessoas recitando o poema junto com ele. Está certo que eram poucos, mas isso já dá o tom do tipo de fã que o Arnaldo tem. Não são volúveis, esporádicos, o que prova que a música dele não é perecível. Ao contrário, quem gosta de Arnaldo Antunes só passa a gostar mais e mais com o tempo. No segundo bis ele tocou Judiaria, O pulso, Engrenagem e A casa é sua, esta do último disco. Judiaria é uma música do excelente disco Ninguém, cover do sambista-dor-de-cotovelo Lupicínio Rodrigues. Originalmente, é um sambinha triste, sobretudo com a vozinha de Lupicínio. Com Arnaldo, ela ganha um tom bem mais grave, um rock foda, com a excelente e pouco explorada voz rasgada do cantor. Aliás, desconstruir as músicas dos outros e a sua própria é uma coisa que Arnaldo faz bem. Em Saiba ele cantou Exagerado, de Cazuza, numa bossa nova que em nada lembra o rock oitentista do porralouca.

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Fugir do lugar comum é o que Arnaldo Antunes tem feito nesses últimos anos. Libertou-se do rótulo de ex-titã (com o qual ele diz não se incomodar) e tornou-se, ele mesmo, um titã da MPB. Artista plástico, poeta, cantor, escritor de literatura e música infantil, se ele também fizer soneto sem concretismo (porque com concretismo ele já fez), iguala-se aos grandes e poucos que de tudo fizeram, como Machado de Assis na literatura. A casa é sua, é o recado dele no final. Ele é nosso, afinal.

Set list do show:

  1. Fim do dia
  2. Sem você
  3. Saiba
  4. Como 2 e 2
  5. O sol
  6. Longe
  7. Invejoso
  8. Consumado
  9. Se tudo pode acontecer
  10. Não vou me adaptar (Titãs)
  11. Socorro
  12. Debaixo d’água
  13. Alegria
  14. Num dia
  15. Inédita (de Betão e Davi Moraes)
  16. O silêncio/o corpo
  17. Envelhecer
  18. Judiaria (Lupicínio Rodrigues)
  19. O Pulso (Titãs)
  20. Engrenagem
  21. A casa é sua

By Guga Valente

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MATERIAL DE DIVULGAÇÃO

Pop de vanguarda em formato acústico

Arnaldo Antunes já se destacava na capa do primeiro disco dos Titãs, de 1984 (com Sonífera Ilha). Repare, no site do cantor, da banda ou em qualquer lugar, que Arnaldo é o único, entre os oito integrantes, de calça branca. Pode ser nada, pode ser uma coincidência, mas é um diferencial. Aos poucos, quando os Titãs começaram a aparecer na TV, ficou mais fácil identificar o Arnaldo.

Primeiro, porque ele era o cara que dançava da maneira mais estranha. Eram passos de funk celebrados por quem tinha enfiado o dedo numa tomada de 220 volts. Arnaldo era frenético e espasmódico. Segundo, porque ele começou a cortar o cabelo de um jeito esquisito. Ao fazer a barba, raspava a cabeça uns dedos acima da orelha. O tufo arrepiado no cocuruto dava o ar de alienígena.

O importante é que Arnaldo escrevia as canções mais interessantes dos Titãs. Basta citar aquela que se transformou numa espécie de carimbo dos caras: Comida, do incrível Jesus Não tem Dentes no País dos Banguelas. Sim, em parceria com Marcelo Fromer e Sérgio Britto, mas quem pode negar que, ao cantar Comida, Arnaldo fez com que ela se tornasse uma obra toda sua?

Ao sair dos Titãs, depois de Tudo ao Mesmo Tempo Agora, Arnaldo provocou uma confusão no pop nacional. Ele teve coragem. Quem diria? Mas Arnaldo, com sua voz cavernosa, sempre teve pretensões maiores. Queria fazer poesia e expandir seu talento, sem depender da aprovação de um grupo. Então, em 1993, os Titãs lançaram Titanomaquia e Arnaldo, o disco e o livro Nome.

Entre inúmeras parcerias e colaborações, em 2003, surgiram aquelas que resultaram em mais um projeto de enorme repercussão, os Tribalistas, com Marisa Monte e Carlinhos Brown. Em apenas um disco, o trio se colocou entre os maiores vendedores do Brasil. Em vez de manter o que seria esperado, os Tribalistas repatriaram suas carreiras individuais. Arnaldo prefere surpreender.

Ele chega ao Bolshoi em formato acústico, com os violões de Betão Aguiar e Chico Salém, numa sequência bem sucedida, os CDs Iê Iê Iê e Pequeno Cidadão (voltado para o segmento infanto-juvenil) e o DVD Ao Vivo Lá em Casa, um apanhado de carreira cheio de convidados ilustres. Tudo indica que Iê Iê Iê oferece a trilha do show, mas, sabe como é, tudo pode acontecer.

Arnaldo Antunes

Onde: Bolshoi Pub (Av. T-2, esq. c/ R. T-53, Setor Bueno, tel. 3285-6185)

Quando: Quinta-Feira, 30 de Junho

Horário: 22 horas

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Adalto Alves

Bolshoi Pub

Assessor de Imprensa

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Há braços!

Eduardo Mesquita

eduardo@ideiadiferente.com

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