Competição saudável ajuda carreira – matéria do jornal O Popular

Matéria públicada hoje, 10/06/13 no jornal O Popular, da jornalista Karina Ribeiro. O entrevistado é Eduardo Mesquita, confere.

Trabalho

Competição saudável ajuda carreira

Iniciativa é vista como oportunidade para o crescimento coletivo ou individual dos profissionais dentro da empresa

Karina Ribeiro10 de junho de 2013 (segunda-feira)
10 dicas para um ambiente construtiv

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Com o mercado de trabalho cada vez mais concorrido, criar um ambiente no qual exista uma competição construtiva entre os funcionários é uma prática comum em muitas empresas. Embora essa situação cause arrepios em muitos profissionais, a competitividade pode ser vista como uma oportunidade para desenvolvimento tanto coletivo quanto individualmente.

Do outro lado da bancada, a empresa precisa saber definir metas e regras claras para conseguir atingir seus objetivos e, sobretudo, “enxergar” o profissional que melhor se enquadre com os propósitos da empresa.

Para o psicólogo e diretor da Idea, Eduardo Mesquita, o ponto chave para que a competição seja um ponto favorável para ambas as partes é conseguir casar o perfil da empresa com o perfil do profissional. Neste ponto, vale lembrar que é primordial que o profissional “estude” a empresa na qual pretende trabalhar para que não haja frustração.

“Têm empresas que conseguem imprimir uma competição durante os sete dias da semana e, em outras, essa atitude não vai ser adequada. E isso depende tanto da empresa quanto dos profissionais contratados”, avalia.

A empresa precisa estabelecer pontos de controle ao ponto de existirem regras bem definidas, que, de comum acordo, podem inibir disputas nocivas dentro do ambiente corporativo. Quando os critérios não são claros, os profissionais competitivos demais podem enxergar uma oportunidade para tentar desestabilizar e, assim, prejudicar colegas de trabalho considerados ameaçadores. É relativamente comum nesses ambientes o famoso “puxador de tapete”. Caso seja uma vítima desse tipo de profissional, existem, pelo menos, duas saídas apresentadas para sair dessa cilada: buscar um feedback com maior frequência sobre o seu trabalho e aumentar a comunicação com seu superior e com seus colegas.

ALINHANDO OS PAPÉIS

Segundo Eduardo Mesquita, um ambiente de competição agressiva não exclui o trabalho em equipe. Ele explica que o profissional deve saber desempenhar esses papéis nos momentos adequados. “Ele pode ser funcionário agressivo mas também precisa saber o momento certo para desempenhar um trabalho em equipe. É como nós que desempenhamos diferentes papéis no nosso dia a dia. Somos pais, filhos, profissionais, entre outros”, afirma.

Embora pareça trivial, Eduardo salienta que encontrar um profissional que se enquadre nessas características não é fácil. Por isso, diz, as empresas precisam investir em capacitação e desenvolver valores de equipe. “Já existem muitas empresas fazendo isso”, afirma.

Os novos ventos sopram no RH.

Muito já se disse do papel de mudança do setor de Recursos Humanos dentro das organizações. Mas apesar de tudo que se diz o maior exemplo desse “papel de mudança” sempre se limitou a discussões bobas e vazias sobre o nome do setor/área, e nisso também se via a pobreza criativa dos envolvidos na discussão. Então se “Recursos Humanos” já havia sido um termo moderno e prafrentex, de repente se tornou algo antiquado e voltado para peças e equipamentos,  e não para pessoas. E com base nesse raciocínio surgiram tentativas bobocas de renomear a área como Gestão de Pessoas, Gestão de Talentos, Gestão de Gente, Talentos Humanos, Recursos de Gente ou até mesmo ideias baseadas em temas como amor, paixão ou tesão. Bobagem! Uma tentativa tonta de mexer na forma sem questionar o conteúdo.

Vivemos tempos agressivos no mercado corporativo, em que iniciativas nascem e fenecem na velocidade dos cliques frenéticos em redes sociais, e o setor que se dedica às pessoas e suas relações continuava a perpetuar velhos comportamentos anacrônicos e pouco eficazes. Ainda se ouve gente da área com o discurso de que as iniciativas de RH são “subjetivas” e portanto pouco afeitas ao controle e avaliação. Uma boa desculpa para gastos desenfreados e pouca cobrança, ou seja, uma realidade distante das margens de lucros estreitas e dos mercados canibais em que as empresas navegam.

Ainda se vê inúmeros profissionais (?) de RH com posturas subservientes às esferas de poder, preferindo manter seu emprego a defender suas crenças, anulando assim sua capacidade de questionamento e transformação e negando seu papel de agente de mudança, transformação, crescimento e evolução dentro das organizações.

Pois é muito bom ver que o mercado segue suas regras, e o novo sempre vem, como disse o poeta. Lendo hoje os classificados de um jornal de grande circulação vejo um anúncio que pode não ter provocado arrepios de medo ou excitação na maioria dos viventes, mas que sinaliza uma reviravolta para quem puder ler com atenção.

O maior grupo de mídia e comunicação do estado de Goiás, representante do maior grupo de comunicação do país, procura um Analista de RH. Até aí nada de novo no front. Na descrição dos requisitos surge uma inovação. Dentre os cursos superiores apontados como interessantes para os candidatos apresentam-se Contábeis, Administração de empresas ou Gestão de RH.

Notaram? A primeira grande novidade é a completa ausência da menção ao curso de Psicologia. Mesmo sendo uma vaga de perfil voltado para o Departamento Pessoal, ainda assim causa espécie a falta da menção do curso de Psicologia num anúncio de RH. Não deveríamos nos espantar. A psicologia, que dominou a área de RH no país nos últimos vinte e poucos anos vem substancialmente perdendo espaço nas mesas espaçosas que se decidem coisas nas empresas. Infelizmente isso se deve a um distanciamento cada vez maior das ideias psicológicas dos ideais corporativos. E não porque sejam naturalmente antagonistas, mas porque uma casta dominante psicologizante opta, cada dia com mais ênfase, por uma visão paternalista e assistencialista nas suas atuações profissionais. Por força dessas decisões os psicólogos, em sua maioria, afastam-se cada dia mais da postura do administrador (muito afeito ao mundo corporativo, até por uma questão óbvia de DNA) e se aproxima do profissional de Assistência Social.

Certo ou errado? Isso não importa, é uma constatação de uma escolha grupal, permitindo assim a entrada de outras formações na área hoje muito carente, e mais ainda, delimitando o futuro e o papel histórico de toda uma categoria profissional. Então não importa se é certo ou errado, importa que É. Hoje os psicólogos que se voltam com ênfase para o comportamento corporativo acabam por se destacar no mercado como profissionais que possuem um diferencial, um plus que permite melhor desempenho ao mesclar a visão humanista e mais subjetiva do humano, com a visão pragmática e objetiva das empresas.

Mas não só isso chama atenção no anúncio dessa grande corporação. Destaca-se o fato de se procurarem profissionais do curso de “Gestão de RH’. Sim, estamos falando de cursos tecnológicos, de menor duração, consequente menor investimento de tempo e de dinheiro; e de resultados mais urgentes. Já ouvi de alunos e professores de cursos tecnológicos o lamento de que o mercado não aprecia esses formandos, pelas características distintas de seus cursos, pois eis que esse anúncio vem mostrar que esse chororô é apenas isso: chororô. O profissional formado em Gestão de RH, para manter o foco nesse anúncio de hoje, possui conhecimento necessário para gerir uma área de RH, especialmente uma área de Departamento Pessoal, mais afeita às tecnicalidades do setor e às questões burocráticas da função. Esse profissional se forma em menos tempo, tem um foco obsessivamente voltado ao resultado de sua diplomação e já – em sua imensa maioria – se encontra no mercado de trabalho.

Não se trata, portanto, de um jovem imaturo e inexperiente com um diploma. Temos então um jovem, porém com muita maturidade, foco, objetivo e busca ansiosa por resultados. A pessoa que busca um curso tecnológico ou mesmo um curso técnico precisa alcançar resultados ainda durante o curso, não podendo se dar ao luxo de esperar uma diplomação e formatura para começar a perseguir resultados. Esse formando já apresenta, então, desde seu curso o tipo de comportamento que as empresas precisam e já vivenciam em suas estratégias globais.

Esse anúncio no jornal de hoje mostra que o mercado está em transformação inequívoca, que os novos ventos já chegaram também no setor de RH e que bancar-se refratário a isso será apenas uma tola questão de quanto tempo ainda se poderá sofrer. O destino dessa prosa todos sabem qual é: um mercado oferecendo oportunidades para os que tiverem o comportamento adequado e não o diploma certo. Nos níveis de diretoria já há muito tempo temos gente de RH vinda da engenharia, da filosofia e da matemática. Isso agora começa a chegar nos níveis gerenciais.

Quem viver verá, muito ainda vai mudar nessa área. As oportunidades se desenham, e os que estiverem dispostos a viver o contínuo processo de evolução e crescimento que tanto se prega nos treinamentos e cursos, entre cooffe breaks e coxinhas, estes terão água mais fresca e sombra mais aprazível. Aos outros o sol de todos os dias.

E ainda assim pode ser muito mais do que merecem.

Em frente!

Há braços!

Eduardo Mesquita

eduardo@ideiadiferente.com

Twitter/Facebook – @eduardoinimigo

Divisão S.O.M.B.R.A. – a primeira missão.

Iniciei minhas atividades de treinamento outdoor com a parceria entre IDEA (www.ideiadiferente.com) e AGREGAR (www.agregarrh.com.br) perto de seis ou sete anos atrás. Parceria essa que encorpou ainda mais com a Casa de Walker (www.casadowalker.com.br). Achei sensacional, a experiência de estar em ambiente natural, vivenciando desafios e acompanhando grupos que seriam levados ao seu limite, proporcionando às pessoas experiências únicas e inesquecíveis. Foram inúmeras equipes nessa atividade, momentos marcantes que tive e que me deixavam cada vez mais empolgado com a ferramenta (treinamento outdoor) e com a situação de estar no meio do mato em atividades tão diferentes do meu cotidiano. Na foto um momento do treinamento realizado com os profissionais do Sicoob Engecred, momento inesquecível, a propósito.

Sim, é isso mesmo. Porque sempre fui muito urbano, apreciador do conforto da civilização e das facilidades da tecnologia. Porém o treinamento outdoor já iniciou um movimento de transformação bem sugestivo. Ao invés de realizar treinamentos e palestras em salas com ar condicionado e pessoas cheirosas e sentadinhas, experimentar realizar a mesma atividade de treinamento e capacitação profissional em meio a mato, cachoeiras, rios e corredeiras. Foi uma descoberta.

Mas em pouco tempo comecei a achar que o treinamento outdoor estava atendendo somente às minhas necessidades profissionais, quanto às pessoais algo já começava a faltar. Isso porque no treinamento outdoor eu controlo as variáveis o máximo possível, sei do caminho, programo tudo que vai acontecer e o desafio fica reservado aos demais participantes. Comecei a ler, pesquisar e tentar descobrir o que fazer para atingir esse próximo grau de satisfação que a experiência em ambiente natural vinha me proporcionando.

Foi justamente nesse momento de inquietação que em uma conversa despretensiosa com meu cunhado, Luiz Botosso Júnior, uma ideia surgiu. Ele foi militar, sempre foi escoteiro, então tem experiência e vivência em atividades na natureza. Ele mal sabia o que eu vinha pensando e buscando, porque sempre havia me visto como o urbanoide esparramado na rede ou entalado nos teclados de computador do meu cotidiano. Pois nessa prosa algo começou a se desenhar.

Alguns dias depois ele me manda um e-mail anunciando o que viria pela frente. O que queríamos fazer se chamava “bushcraft” e poderia ser traduzido de forma muito direta e rudimentar como “artes do mato” ou ainda “artes mateiras”. Envolve uma gama de atividades e técnicas e capacidades de sobrevivência, adaptação e ação sobre o meio ambiente, sobre o ambiente natural. Tudo baseado em técnicas que já fizeram parte do cotidiano normal das pessoas, mas que vem sendo gradativamente deixado de lado com o avanço da tecnologia e da aceleração de nossas vidas.

Nos últimos tempos a Tv vem proporcionando algum contato com esse tipo de situação em programas como “À prova de tudo” e “Survivorman” que são transmitidos na Tv a cabo.

Pois foi ali que eu entendi: sim, é isso que eu quero.

Foram alguns meses de preparação, porque nesse meio tempo eu morri e voltei, precisei ficar de molho alguns meses para me recuperar adequadamente e para voltar a realizar atividades físicas mais intensas. E nesse tempo muita discussão, pesquisa e preparo.

Em nossas prosas agora bem animadas, eu e Júnior fomos criando um conceito. Pois a coisa se mostrava como uma grande aventura realmente, e pela clareza que tenho de que não envelhecemos nunca, mas simplesmente mudamos os brinquedos, montamos um grupo e definimos esse conceito.

Criamos a Divisão S.O.M.B.R.A. (Sobrevivência, Objetivos Mateiros, Busca de Recursos & Adestramento), com regras, normas, slogan e convite oficial aos escolhidos.

Aos olhos não treinados, não existimos.

Nossos propósitos são simples e objetivos. Nossas missões são inúmeras.

Não nos verão chegar, não perceberão quando sairmos.

Somos poucos, não chamamos atenção.

Marchamos em silêncio, não deixamos rastros ou marcas.

As matas são nosso local, os desafios e aventuras nossa razão de existir.

Nós existimos sob o sol, na noite nos misturamos.

Nós somos a Divisão S.O.M.B.R.A. (Sobrevivência, Objetivos Mateiros, Busca de Recursos & Adestramento).

Era chegada a hora de organizar nossa primeira expedição. Por motivos vários, os outros convidados a integrar a S.O.M.B.R.A. não poderiam nos acompanhar na primeira expedição, e então seríamos apenas eu e Júnior, doravante chamados Inimigo e Coyote, nossas alcunhas de selva.

Definimos que iríamos realizar nossa primeira expedição no dia 19 de novembro. Além dessa novidade eu atravessava uma mudança de endereço, com caixas de papelão, coisas quebradas e stress associados. Não seria fácil, mas assim se começa uma aventura. De agora em diante a narrativa já não será mais feita por mim, Eduardo Mesquita, mas sim pelo Guerreiro S.O.M.B.R.A., O Inimigo.

A jornada se iniciaria após o almoço de sábado. Na noite anterior preparei meu equipo. Esparramados sobre o sofá de casa, e grande parte do chão da sala, vislumbrei tudo que havia juntado até aquele momento para me preparar para a missão. Naturalmente muita coisa ali seria desnecessária, mas o processo de montagem do equipo demorou semanas, então ninguém poderia me culpar pelo exagero. Claro que a caixa de pé de moleque teria que ser deixada de lado.

Enquanto separava todo o material em kits (sobrevivência, primeiros socorros, fogo, alimentação) e acondicionava em embalagens plásticas e impermeáveis, percebi que realmente na noite seguinte eu estaria dormindo no meio do mato. Mesmo sendo essa uma missão da Divisão S.O.M.B.R.A. de nível 01 (o nível introdutório, sendo que no nível 05 são vários dias e pouquíssimos recursos. Mas isso é assunto para os DO-I – documentos internos), eu estava ciente da única regra absoluta em todos os níveis de missão: proibido o uso de barracas. Sim, iríamos dormir em redes, no meio do mato. Confesso que tremi nessa hora. A ideia de estar em uma rede exposto a qualquer situação e risco de uma mata era tudo que eu havia procurado, e tudo que agora me deixava com as pernas num momento de menor firmeza. Bambas, para ser sincero.

Respirei fundo e continuei a arrumar meu equipo. Não havia tempo para vacilações, e sendo um S.O.M.B.R.A. eu estaria pronto quando chegasse a hora. Material organizado, tudo pronto para sair, fui dormir. Precisava estar descansado para o dia seguinte.

A manhã correu entre compromissos e preparativos, e quando chegou a hora de sairmos em missão, me aprontei e percebi que se havia alguma imagem ideal de um sujeito pronto para – quase – tudo, ali estava a imagem no espelho na minha frente. Eu estava preparado para uma guerra. E a guerra se travaria entre meus limites e minha curiosidade.

Coyote havia sugerido dois lugares para nossa primeira missão, e lamentavelmente a primeira opção ficou inviabilizada pela irresponsabilidade de uma empresa e pela inoperância governamental. Um curtume jogando dejetos em um rio, poluindo todo um bioma, e nenhuma entidade de fiscalização fazendo o que deveria. Teríamos que ir para nossa segunda opção, um pouco mais longe. Paramos perto do Rio Anicunzinho (também curiosamente chamado Anicuns Grande) e nos metemos no mato, em busca do local para montar nosso acampamento. E essa primeira incursão já foi uma prova de fogo. Mato fechado, espinhos, mochila prendendo em ramos, facão na mão e o sangue já escorria no meu antebraço. Um corte longo e eu já dava o sangue pela missão. O primeiro ferimento de batalha, afinal de contas não quero morrer sem nenhuma cicatriz (palavras de Tyler Durden).

Achamos um caminho melhor e lá fomos nós. O sol inclemente deveria ter cobrado um preço mais alto das minhas escolhas, porque Coyote tem seu equipamento praticamente todo militar, verde. O meu equipo é todo preto. Charmoso, admito, mas debaixo do sol poderia ter virado uma armadilha. Aguentei bem. Caminhamos muito e achamos um local para nosso acampamento base, algo perto de 600 a 800 metros para dentro da mata, saindo da estrada. Realmente não era muito longe, ainda ouvíamos os caminhões na estrada, mas era suficiente para uma primeira incursão.

Montamos nosso bivaque, instalamos nossas redes, penduramos nossas mochilas e eu já começava a ter minhas lições mateiras, aprendendo alguns truques simples e eficazes, aprendendo alguns nós que me ajudariam muito e logo saímos para catar lenha para o fogo que precisaríamos. Foi mais fácil do que pensei, mesmo tendo um longo embate com um toco mais robusto, que exigiu muito do meu velho facão. Logo o fogo estava aceso e começávamos a preparar nossa janta.

Fiz o meu espeto enquanto Coyote conduzia um arroz na fogueira. Comemos um digno e surpreendentemente delicioso arroz com linguiças assadas no espeto. Uma refeição de um general, e descobri refastelado que come-se bem no mato.

Logo após descobrimos um ponto no rio, logo abaixo nosso acampamento, que nos serviria para pesca. Eu não entendo nada de pesca – assim como outras coisas – mas Coyote havia levando uma pequena varinha de pesca e ali ficamos por algum bom tempo, curtindo o visual e escutando o barulho delicioso do rio correndo entre as pedras. Até ali eu já tinha tido muito para estar satisfeito, mas mal sabia eu que nada havia acontecido ainda.

A noite cai rápido no mato. O barulho no céu anuncia chuva, e ficamos no acampamento saboreando uma deliciosa cachacinha e batendo um papo bom. Quando então um momento mágico, que somente no meio do mato pode-se apreciar. Uma nuvem de vagalumes, com suas luzinhas verdes, surge sobre nosso acampamento. Me senti bem vindo a Pandora naquele momento, tudo lindo, a fogueira, os vagalumes, o cheiro de chuva e a noite se revelava mágica em leds verdes.

Fomos pescar, degustar um charuto (quisera fosse um bom charuto, mas o Titã seria suficiente para uma noite) e mais alguns goles de genuína e generosa cachaça. Coyote volta ao acampamento para buscar iscas e vive mais um momento inesquecível da jornada: dá de cara  com uma capivara com grandes olhos assustados, embaixo da sua rede. Ele havia ouvido o tropel de algumas antes, mas não havia visto, mas ao chegar ao acampamento, lá estava uma delas, debaixo da rede, olhando para ele. Duas criaturas assustadas na noite. Um encontro.

Não pescamos nada, mas a prosa se estendeu por horas na beira do rio. Já viveu isso, pequeno gafanhoto? Uma prosa boa, cachaça honesta, charutos e o rugido do rio aos seus pés? Não? Não sabes o que estás perdendo.

Voltamos ao acampamento base para tentar encontrar um local de águas mais tranquilas para tentar a sorte com os anzóis. Um barranco perto da base mostrou-se ideal. E naquela noite tranquila, Coyote falava e contava histórias e eu já começava a ressonar, sonhando até, me preocupando em não dormir e desabar daquele barranco. Encerramos a pesca e resolvemos ir dormir, e quando comecei a arrumar minha rede ouvimos um arrastar forte nas folhas ao nosso redor.

Ligamos as lanternas, meu coração ultrapassou as escalas de velocidade e força. Ficou ainda mais forte e rápido quando percebemos que o que quer que fosse, não havia se afastado quando ligamos nossas lanternas. Fosse o que fosse era muito corajoso, violento ou sem noção. O bicho não havia se assustado, eu estava assustado para mais um ano de pavor. O barulho aumentava, o bicho vinha em nossa direção. Foram segundos – sim, segundos – de intensa expectativa e o barulho aumentava e se aproximava. Eu mal respirava nessa hora e só conseguia pensar em meus alunos, clientes e colegas de banda que eu jamais veria novamente (hehehe). O barulho aumentava e finalmente vislumbrei aquele par de olhos flamejantes e aquela expressão de fúria. Sua cabeça era do tamanho de um frigobar e seu corpo do tamanho de um Fiat 147, escamas do tamanho de bandejas e ali estava ele olhando em meus olhos: o poderoso Tatu Dragão!!

Tá, tudo bem, não era assim tão grande, mas lembre-se do medo que eu estava passando. Era um tatu bem grandinho, um tatuzão mesmo. Do tamanho de um cachorro grande, tipo um enorme Shitzu bravo. Olha, pode parecer exagero, mas aquela hora da noite, quase madrugada, no meio do mato, naquela barulheira toda, ele podia pesar meio quilo que para mim ainda ia parecer o temível e assombroso Tatu Dragão!!!

Entramos em frenética perseguição, mas era uma espécie de Tatu Vietcongue, profundo conhecedor do terreno e dos intestinos do terreno. O bicho desapareceu completamente.

Como dormir depois desse susto? Muito fácil, só estar detonado de cansado como eu estava. Vesti minha balaclava – para não entrar inseto na boca ou na orelha – e dormi o sono dos justos e inocentes. Aquela rede era uma cama do Blue Tree naquele momento, acreditem.

Acordei bem cedo, o dia começava a romper, a rede começava a esfriar e eu vi o dia clarear de forma magnífica. Um café da manhã digna de nobres, com café de fogueira (feito com água de vagalumes), pão, castanhas variadas e smoked water (água enfumaçada, no nosso dialeto, um gosto de fumaça de lascar).

Saímos para explorar o local, e eu tinha uma missão: encontrar o meu cajado para trilhas. Entramos na mata e descobrimos encantados uma enorme família de macacos nas árvores, eles assustados, nós de queixo caído. Uma, duas, centenas e milhares de árvores gigantescas, a umidade elevadíssima, a mata fechada e nessa parte da jornada descobrimos locais sensacionais para uma segunda missão. Para novas bases, e nesse momento nosso “apartamento” ficou sem graça, porque vimos locais muito mais legais para montar nosso acampamento base, locais ótimos para pescar e locais para ficar de bobeira.

Voltamos para a base, pegamos a vara de pesca e iscas e tiramos algumas boas horas pescando na curva do rio, numa pedra especialmente desenhada para nosso conforto. Ali estavam os SOMBRAS e a água fresca, curtindo o ventinho do meio dia. Retornamos à base, fizemos nosso almoço com um arroz e linguiças defumadas e nos preparamos para retornar para a civilização.

Desmontamos tudo, montamos nossas mochilas, apagamos cuidadosamente a fogueira (acabando com qualquer possibilidade de brasa, fagulha ou faísca), apagamos todos os nossos traços e nos dirigimos ao nosso carro. A volta foi recheada de comentários, risadas e novos planos.

Para completar o fim de semana inesquecível, ao chegar em casa pude curtir um maravilhoso momento na piscina com meus tubarões e Minha Delícia. Logo depois as devidas arrumações do equipo e o início da parte mais chata e desagradável da missão: catar os carrapatos no corpo. Eu achei oito em mim, Coyote descobriu 27 nele.

A primeira missão da Divisão S.O.M.B.R.A. foi sensacional. Infelizmente não consegui cumprir a minha missão de encontrar meu cajado para trilha, mas graças a uma dica do Coyote, penso que isso esteja perto de ser resolvido. O BOPE diz que “missão dada é missão cumprida”, nós também acreditamos nisso, mas em algumas situações, nossas missões não são cumpridas, mas são compridas.

Essa foi só a primeira, muitas ainda virão. D2, Dente de Sabre e Claudinho se preparem, nós existimos sob o sol, na noite nos misturamos.

Sou Sombra.

Selva!

O sul me proporcionando sempre grandes experiências! Grato!

16 e 17 de setembro de 2011. Nesses dois dias fiz mais uma das minhas viagens sensacionais, e não me refiro a nada além da normalidade do meu cotidiano. Viajo constantemente a trabalho, praticamente toda semana eu preciso sair no mínimo um dia ou no máximo a semana inteira para atender clientes do interior do estado, de Brasília ou de São Paulo, mas essa viagem ficará marcada porque foi algo que era inédito, ainda que se repetindo.

Sim, é verdade, estou sendo confuso. É que, mesmo agora, praticamente um mês depois de tudo visto e vivido, ainda me pego sorrindo ao lembrar de tanta coisa legal que aconteceu em menos de 50 horas. E porque inédito que se repete?

Porque eu já havia ido uma vez até o Rio Grande do Sul, especificamente em Santa Maria, para realizar uma palestra. E essa foi uma história sensacional, porque fui achado por uma doce menina Aline que lá do Rio Grande do Sul achou de achar um texto meu, pesquisou, foi atrás, buscou com interesse e achou que minha presença por lá poderia contribuir com o evento da AEAD – Associação dos Estudantes de Administração de Santa Maria – http://www.aeadsantamaria.org.br/site/ – que se realizaria por lá. Enfrentei um frio que goiano nenhum poderia querer enfrentar, gostei do frio, gostei da cidade, gostei do povo, gostei dos organizadores do evento e resumindo, gostei! Foi um momento muito legal.

Quis mais, porém a distância e a correria são excelentes argumentos para esfriar casamentos, quem dirá uma parceria tão frágil que se iniciava. Considerava esse fato um dos bons arquivos que teria para sempre, mas eis que um belo dia sou novamente localizado pelos ventos gaudérios. E dessa vez fui localizado por dois seres tão completamente insanos quanto dedicados: Leonardo Ferreira e Greice Noro. O primeiro um dedicado estudante de administração e a segunda uma insana professora de administração. Já viu como aparentes opostos podem trabalhar muito bem unidos?

E digo aparentes, porque mesmo Leo (Guga para os mais próximos) sendo um sujeito sereno e Greice sendo uma usina de energia, eles possuem muito do aparente oposto que se vê no outro. Leo é dinâmico ao extremo e Greice é concentrada como um samurai pode ser. E esses dois, junto a um monte de gente talentosa e com muita vontade, me fizeram atravessar o país novamente, em busca da deliciosa troca de informações e conhecimentos que tanto prezo. (na foto abaixo a Professora Greice está ao meu lado, com a saia florida e Leonardo Ferreira está ao lado dela. Esse monte de mulheres lindíssimas e rapazes esforçados são os organizadores do evento. Clique na foto para ampliar.).

Lá fui eu para o EGEO – Encontros Gaúchos de Estudos Organizacionais, e que comentei por alguns ineditismos da organização nesse post aqui – http://www.ideiadiferente.com/?p=422 – já que eles tiveram a ousadia de me apresentar como um vocalista de punk rock, quando levavam para lá o palestrante, professor universitário, psicólogo, consultor.

Se o início da prosa foi bom assim, melhor ficou quando me disseram que além da palestra na noite do evento, teria a oportunidade de fazer uma outra no dia seguinte. Seriam duas palestras, duas oportunidades de estar junto aos estudantes e profissionais gaúchos, aprendendo, rindo e me divertindo. E sendo pago para isso!

A viagem é sempre uma parte que eu me delicio. Ainda sou do tempo em que viagens aéreas eram caríssimas e para pessoas de altíssimo poder aquisitivo, coisa que eu – nativo e morador do Quebra Caixote – quase nunca podia degustar. E hoje quando tudo ficou mais fácil e as minhas condições ficaram também melhores (melhores ainda ao ser contratado por clientes que me proporcionam esse conforto) eu sempre me delicio NA IDA com os aeroportos, aviões, paisagens e novidades. Digo NA IDA porque a volta nunca é tão interessante. Mas lá fui eu quicando pelos aeroportos do país rumo ao sul maravilha. Cheguei em Porto Alegre e precisava pegar o ônibus que me levaria até Santa Maria.

Tive a oportunidade de ir com um taxista pós-interessante, tri-legal e gente boa. Ri montes escutando suas histórias e pude ver Porto Alegre de outra forma. Mesmo o pequeno trecho entre o aeroporto e a rodoviária se mostrou cheio de novidades quando apresentada por aquela figura de longos bigodes, sotaque típico ao extremo e com montes de histórias legais. Cheguei na rodoviária e logo embarcava rumo a Santa Maria.

Cheguei em Santa Maria em cimíssima da hora, fui gentilmente recepcionado pelo Leonardo e pela Rhanna e mal tomei um banho, mergulhei no meu terno bacana e corremos para o local do evento. A minha entrada no auditório foi algo de patética, ridícula e divertida. Fui arremessado para dentro do auditório (Shai! rs), achando que iria me posicionar numa cadeira ou coisa parecida até ser chamado. Mas eu já tinha sido chamado, e minha entrada pela porta principal do auditório foi acompanhada pelo auditório inteiro. Fiquei perdido nos primeiros minutos, confesso, mas comecei a rir do inusitado e até isso virou tema da palestra.

A participação das pessoas na palestra foi muito legal e ao final a foto com a equipe inteira da organização, para depois irmos jantar. Normalmente as pessoas terminam as palestras e já se encaminham para o jantar, e isso de ternos e gravatas presentes. Mas esses diferentes me encaminharam ao hotel, pude dar uma descansada e depois fui conduzido a um bar sensacional de legal. Minha memória não ajuda, e espero que alguém coloque o nome do bar nos comentários aí abaixo, porque merece a divulgação. Motos penduradas nas paredes, rock tocando alto, chopp deliciosamente bem tirado e uns acepipes deliciosíssimos. Rimos, bebemos, rimos, bebemos, rimos, comemos um poquito e rimos mais um monte. Também bebemos mais um poquito, afinal no outro dia tínhamos outra palestra logo cedo. E as histórias de Greice foram o toque de aventura numa noite tão legal, fiquei pensando em como são ricos estudantes que têm ao alcance uma pessoa tão furiozza, tão intensa e tão inteligente como Greice Noro.

Digo sempre que o indispensável em um bom hotel nem é uma grande cama, mas sim um chuveiro impressionante. Pois esse tinha na pressão adequada para endireitar uma espinha torta por horas de avião, amaciar a pele desse caititu e permitir um sono justo. A palestra do dia seguinte foi também um momento muito legal, falamos de liderança e tínhamos muitos profissionais na plateia, o que levou a uma rodada de perguntas bem interessante ao final.

Some-se a isso o fato de termos tirado uma foto intrigante (essa acima). Na hora não entendi, mas depois me explicaram que surgiram comentários me achando parecido com Anderson Silva, o grande campeão de MMA. Leonardo é o oponente do pseudo-fake-lutador, e corajosamente se apresenta para enfrentar meus punhos mortais.

Almoçamos em altíssima velocidade e logo eu estava dentro do ônibus rumo a Porto Alegre novamente. Um breve momento de espera e lá ia eu cruzando os ares rumo aos meus amores.

Em dois dias pude reforçar minhas crenças, conhecer outras tantas, me divertir, aprender, rir e me tornar um vivente muito melhor. Agradeço imensamente aos grandes que me acolheram tão bem no sul, que me proporcionaram esses momentos grandes.

Agradeço e me prontifico, sempre que precisarem e eu puder contribuir, contem comigo! Será uma imensa satisfação.

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Há braços!

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Eduardo Mesquita

eduardo@ideiadiferente.com

twitter – @eduardoinimigo

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Uma noite no púlpito – meu discurso como paraninfo de formatura.

Falar em público. Vivo disso, ensino isso, trabalho com isso, mas na segunda-feira dia 12 de setembro eu senti tudo que meus alunos dos cursos de Falar em Público relatam sentir: mãos suadas, frio na barriga, alguma tonteira e coisas afins. Eu seria o paraninfo de formatura das turmas de Processos Gerenciais e Negócios Imobiliários, e como paraninfo faria o discurso no evento. Gelei.

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Sim, estava trêmulo como um virgem, nervoso “como um goleiro na hora do gol” e tentando parecer seguro para não me atrapalhar demais. Fiquei muito nervoso porque era minha primeira vez. Isso porque desde quando comecei a dar aulas para turmas universitárias – desde 2000 – eu sou generosamente lembrado para as formaturas, como professor homenageado, nome de turma e outras funções protocolares, mas nunca tinha  sido o paraninfo, o que fazia discurso. E isso me deixou nervoso demais. Paraninfos normalmente são políticos ou pessoas endinheiradas que pagam festas, jantares e carros novos para os formandos, e os perturbados amalucados dos meus alunos escolheram um micro-empresário com dois filhos, alguns financiamentos e a firme convicção de não pagar nem uma mariola para a turma. Todo mundo na faculdade sabe dessa minha opinião, e ainda assim me chamaram para paraninfo. Eu tinha que me esforçar.

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Além disso eu tinha plena convicção da seriedade do momento, da presença de outros professores, dos membros da reitoria e do monte de convidados. Sem falar dos formandos, naturalmente. Estava gelado.

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Uma das coisas que sempre critiquei em discursos de formatura era o tal do “no caminho pra cá pensava eu no que dizer”, porque isso me irritava profundamente. Então o sujeito foi chamado seis meses atrás para participar do evento e só pensou no que dizer no caminho pra cá? Isso é muito desrespeito. Então já  havia feito oito versões de discursos, todas solenemente jogadas no lixo por não achar que fossem boas o suficiente para aquele momento. A última versão – que teve alguns acréscimos e mudanças ainda na mesa da cerimônia – foi feito três dias antes, na véspera do final de semana. Preparei o discurso, deixei de lado e só fui ensaiar no domingo. Claro que durante as muitas vezes que li e testei a entonação do texto eu mudei um monte. Mas isso só serve para tranquilizar, não para acalmar.

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Enfim, com o discurso impresso fui ao evento. Emocionante como sempre são esses momentos, e na minha vez de proferir o discurso, me embaralhei com a cadeira, pisei na barra da beca e marchei elegante para o púlpito. Me sentia como se fizesse o meu primeiro discurso, ainda lá no maternal quando devidamente trajado com um uniforme do Fluminense (escolha da criança que eu era), bola debaixo do braço, atravessei o palco, dei uma volta e fui até o microfone, proferindo solene: “Eu sou… (pausa dramática) o jogador de futebol!”. Começava ali uma história.

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Enfim, cheguei ao púlpito, mexi levemente nas folhas do discurso que descansavam solenes (lembrando que o nobilíssimo professor Waldenir havia comentado sobre o tamanho do discurso – tarde demais, agora não seria possível cortar mais nada), e dei início.

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Honestamente? Eu gostei muito. E pelo visto muita gente também gostou. O público aplaudiu de pé, longamente, conseguindo algo muito raro: me deixar encabulado. O reitor me cumprimentou efusivamente e os olhares dos alunos, os abraços dos professores e as maquiagens derramadas das mulheres me deram a confiança de que tinha feito um bom trabalho. Não satisfeito, o reitor – Professor Jovenir Cândido – se levantou e me fez levantar, me puxando pela mão em homenagem generosa e emocionante.

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Só de lembrar agora já encho os olhos de água. Esses malucos e malucas meus alunos me deram um gigantesco presente, e atendendo uma dica da minha comadre Vânia Dourado, eis abaixo o discurso dessa noite tão linda e inesquecível para mim.

Boa noite,

Formatura é um momento repleto de clichês. A turma que se forma emocionada nos bastidores entre maquiagens e últimos detalhes das becas, os professores e funcionários da instituição de ensino felizes em ver a alegria de seus pupilos, as famílias empolgadas ao ver esse momento de celebração conjunta, os preparativos para a comemoração que virá depois, os parentes distantes que se reúnem depois de tanto tempo, os sorrisos de lágrimas úmidas, abraços apertados e o tremor na voz do padrinho da turma. Como disse o famoso russo, “todas as famílias felizes são iguais”, e um momento como esse é prova disso. Repleto de tantos fantásticos clichês. Clichê, que como sabemos, é uma expressão que de tanto ser usada já se torna previsível, e previsíveis são as formaturas. Que bom.

Clichês não são necessariamente ruins, simplesmente porque previsíveis. Alguns se revestem de infinita sabedoria e bom senso, perpetuando assim valores e crenças por gerações depois de gerações. Alimentando comportamentos e reforçando hábitos, os clichês por vezes se convertem em registros históricos de momentos que a sociedade viveu e não quer, não pode ou não deve esquecer. Parem um segundo, olhem em volta, esse é um momento que não deve ser esquecido, pois que se confirme então como clichê que efetivamente é. Olhem para seus colegas, vejam o sorriso, a ameaça de se borrar a maquiagem, o nervosismo mal disfarçado e tudo isso já foi visto milhares de outras vezes, principalmente por esses que agora se reúnem nessa grande mesa cerimonial. Seja pelo carisma honrado com homenagens ou pela necessidade protocolar da presença, esses olhos que aí se encontram já viram tudo isso montes e montes de vezes. E quer saber? Já viram montes de vezes, e nunca se cansam de ver.

Tantos outros clichês que temos hoje aqui representados e que também não nos cansam. A lembrança das infinitas horas dedicadas ao estudo, mesmo depois das longas jornadas de trabalho. As vezes em que a vontade de jogar tudo para o alto se desenhou como a melhor alternativa, e o orgulho, o comprometimento, a dedicação ou os colegas não permitiram o abandono do curso. Lembrar das provas e suas angústias, com o nervoso olhar de lado na sala de aula, a noite anterior mal dormida e os finais de semana dedicados às rodadas de estudo, que vez por outra se convertiam em momentos de integração e, porque não, momentos de farra. Festejando a avaliação que viria. Lembrar das apresentações de trabalho sempre tão recheadas de ansiedade e nervosismo, não pelo conteúdo em si tantas vezes revisado, mas sim pelo desafio de estar a frente da turma se expressando e defendendo suas ideias. Aposto que vai ser impossível esquecer ainda de algumas situações vividas, conflitos, problemas, romances, dúvidas, dores e sabores que vocês aqui reunidos viveram nesses últimos anos, formandos, formandas e familiares. Situações tantas essas que agora, nesse exato instante se repetem com milhares de outros estudantes, que diferentes de vocês formandos, se encontram no meio ou início de sua jornada. São lembranças que se repetem e por isso se tornam também clichês.

Porém os clichês que hoje celebramos, infelizmente não são os únicos que acompanham nossa existência. Temos também conosco as nossas cicatrizes e marcas de combate, as situações que se pudéssemos escolher teríamos deletado de nossas memórias para que esse momento de encanto e brilho pudesse ser perfeito e pleno. Mas a perfeição e a plenitude são objetivos que perseguimos, ainda que conscientes que jamais as alcançaremos, bem sabemos disso.

Esses clichês que poderiam enfeiar esse momento; e friso que poderiam, mas não conseguirão diminuir a cor e a luz dessa noite; esses clichês que integram e compõem nossos cotidianos. Trazidos pelos meios de informação ou por nossas percepções, esses momentos poderiam servir para nos derrubar ou menosprezar nossas conquistas, mas felizmente não conseguem esse intento. Então que nos façam refletir sobre a realidade.

Situações como a situação da educação pública em nosso país, tão tristemente avaliada e tão negligenciada por nossos governantes. Situações como guerras e matanças que acontecem mundo afora, manchando de sangue e tristeza comunidades e nações inteiras. Situações como as constantes revelações do mau comportamento da nossa classe política, que insiste em defender interesses mesquinhos e particulares, ignorando o bem comum e nosso povo. Situações que produzem tanto dano à nossa sociedade. Sociedade essa que sofre com cada decisão irresponsável dos que possuem poder, sociedade que agoniza com cada ato de crueldade ou frieza justificado pela correria, pressão ou stress.

Essa realidade dura e violenta não pode ser a única realidade. Essa realidade de compadrios, traições, falcatruas, mentiras e horrores não pode ser a única realidade. Nossa realidade não pode ser a dos envolvidos em corrupção ou de seus esforçados companheiros corporativistas, nossa realidade não pode ser a dos tiros na madrugada ou dos gritos sem resposta. Nossa realidade não pode e nem deve ser a das filas intermináveis em serviços públicos ineficientes e arrogantes. Nossa realidade não deve ser a realidade do desemprego ou do subemprego, com sua remuneração tímida e seu tratamento humilhante. A nossa realidade, queridos formandos e formandas, não pode, não deve e não precisa ser a realidade dos terroristas, dos traficantes, dos cruéis e dos corruptos. Nossa realidade não precisa ser a da tristeza e do risco que a lágrima faz no rosto do nosso povo.

E aqui falo de uma escolha: quais os clichês queremos para nossa vida? Qual a realidade que queremos construir? Pois eu digo que prefiro uma realidade diferente. Uma realidade que mostra que apesar de tantos monstros vigiando nosso sono, ainda temos esperança, competência e energia para alimentar novos sonhos. A realidade que eu prefiro é a realidade do sorriso e da dança, do mercado de trabalho que entende a presença dos tecnólogos como uma solução eficaz para resultados. A realidade que eu escolho é a realidade que vejo nas Congadas de Catalão ou nas Cavalhadas de Pirenópolis, com o povo feliz celebrando suas tradições mais caras. A realidade que eu quero é a realidade que valoriza o ser humano como agente de transformação e mudança, valorizando, sim, os que conservam, mas não demonizando, também, os que transformam. Prefiro uma realidade de aceitação do diferente, de compreensão da dificuldade, de auxílio às fraquezas e limitações.

Na realidade que eu prefiro viver eu vejo uma sociedade que une milhares de pessoas para marchar contra a corrupção debaixo do sol escaldante. A realidade que eu escolho para mim e convido vocês a escolher também é a de um povo que mesmo sofrendo, tomando chutes e sendo mal tratado, ainda assim se enche de orgulho para celebrar suas cores, sua história, seus valores e cada momento delicado e dedicado que seus filhos vivem e conquistam, em dias de usar roupa de festa, sapatos de ver Deus e o melhor sorriso no rosto. Esse povo que faz essa sociedade tão dinâmica e teimosa, que insiste em ir em frente. Sociedade essa que merece muito mais que o pão e circo que ainda insistem em usar para tentar nos controlar. Sociedade que produz pessoas como vocês, formandos e formandas aqui reunidos, que começam agora a construir uma nova realidade particular, prenhe de planos e projetos, carregada de teorias e conhecimento, urgente de resultados e conquistas.

Um outro clichê famoso seria o discurso do padrinho da turma oferecer conselhos e dicas. Desse clichê eu vou me poupar. Não vou lhes dar conselhos. Vou lhes fazer um pedido, ainda falando sobre realidades. Ousem. Ousem ao construir seu futuro, peço isso com muita humildade, porque preciso que vocês se comprometam com isso. Ousem, façam mais do que um dia pensaram que poderiam. Que suas histórias sejam lembradas, citadas em conversas de boteco, em discursos de formatura e que baseado em suas histórias novos clichês sejam criados. Por favor, não se conformem com o mediano, com o adequado. Sejam atrevidos como muitos de vocês se julgaram um dia ao investir num curso superior, indo além e muito mais longe que seus amigos e familiares pensaram. Ergam novos horizontes, desbravem, ousem.

Ajudem a construir um mercado que valorize as pessoas pelo que são e por seus resultados. Humanizado, valorizando as relações que temos ao longo da vida. Um mercado que preze a sua dedicação ao trabalho, mas também – e principalmente – sua dedicação à sua família, aos seus verdadeiros amigos, aos seus valores e amores. A realidade que queremos tem um monte de gente junta, rindo, suando, celebrando, trabalhando com orgulho e desenhando um novo futuro. Isso depende também de vocês, meus malucos formandos. E falo isso com propriedade. Vocês se lembram que esse ano passei por uma situação inusitada e inesperada: eu morri. Eu sofri um ataque cardíaco fulminante, morri e fiquei dois minutos morto, quando então me trouxeram de volta. Confesso que naqueles dias, logo após, não havia percebido o tamanho do que eu tinha vivido, fazendo piadas e brincando com o fato. Mas no dia da festa junina dos meus filhos, a primeira deles, de mãos dadas com minha mulher, quando vi os meus dois tubarõezinhos no palco, dançando e cantando, eu me toquei de que não era para eu estar ali. Eu não deveria estar vendo meus filhos cantando naquele momento porque havia morrido. Além de todas as explicações religiosas ou médicas, eu sei que vivo hoje cada momento feliz com uma intensidade muito maior. Espero sinceramente que vocês não precisem morrer para chegar a isso. E vocês farão esse seu professor imensamente feliz se se dedicarem sinceramente a construir uma realidade melhor e um mundo melhor. Feliz como me fizeram quando me convidaram para ser seu padrinho.

Muito, muito agradecido. Sucesso a todos vocês!

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Aos meus alunos e alunas, formandos ou não, de hoje, de antes e de sempre, agradeço muito por me proporcionar a feliz experiência que dividimos em sala de aula. Muito grato mesmo!

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Há braços

Eduardo Mesquita

eduardo@ideiadiferente.com

twitter – @eduardoinimigo

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Mudanças, quase sempre pra melhor.

No post abaixo eu havia tecido considerações sobre os tratamentos diferentes dispensados a dois ídolos  futebolísticos. Pois mostrando que o ser humano é possível de corrigir e melhorar, eis que nesse último confronto entre Corinthians e Flamengo, o time alvinegro estampou o nome do Doutor em suas camisetas. A torcida acompanhou a manifestação. Muito bom!

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Uma grande ideia – Triagem inova e aponta novos rumos.

Vivemos tempos de mercados agressivos e oportunidades escassas, tempos em que quem for criativo e ousado vai ter melhores condições e espaços. Parece clichê? Sim, e é clichê mesmo, mas é clichê por um motivo: é verdade. A correria que vivemos, a disputa pelos clientes, as margens de lucro reduzidas, a padronização da qualidade de atendimento, tudo isso torna a realidade corporativa ainda mais complicada, principalmente na área comercial.

Pois falando de gente criativa e que aposta na inovação hoje a TRIAGEM (@triagemjeans) iniciou um ciclo de palestras e treinamentos para toda a sua equipe comercial. De novo, parece assunto batido? Parece, mas não é. Esse ciclo de palestras está sendo realizado e conduzido pelos gerentes de loja, estimulados a apresentar inovações, provocados a superar os resultados usuais. Hoje o ciclo de palestras teve início com o gerente Ricardo Rodrigues que trouxe seus vários anos de experiência em vendas e em produção de moda para impressionar e capacitar o time de profissionais de vendas, bem como alguns profissionais da equipe administrativa também.

O conceito por trás desse ciclo de palestras é capacitar. Mas além de capacitar equipes de vendas, a grande iniciativa é capacitar os gerentes de loja em seus papéis de gestores de gente, formadores de profissionais, construtores de novos colaboradores. Realizando os treinamentos, os gerentes estão implantando seus conceitos, estudando e descobrindo novidades, além de estreitar o vínculo com as equipes. Em conjunto com uma série de atividades de estrutura em processos e padrões que a IDEA vem desenvolvendo e tem a desenvolver, essa iniciativa acrescenta uma grande riqueza ao conjunto de práticas da empresa. A Triagem mostra que o processo de conquistar a grandeza nem é o mais importante, porque o verdadeiro desafio consiste em manter a grandeza, em se comportar como empresa grande e assumir seu peso, valor e importância para o mercado.

Sabemos que muitos de nossos “magníficos” políticos preferem não investir em atividades de infraestrutura porque não são visíveis e não geram boas fotos. Pois empresas sérias investem em infra porque são estruturas que permitem ainda mais crescimento, sustentação e solidez por muitos e muitos anos pela frente. Ainda que não sejam tão fotogênicos, são base e fundamento.

A julgar pelo início do ciclo de palestras hoje, teremos momentos memoráveis aos montes. Quais os caminhos? Para quem se mexe de forma original eles são inúmeros e intensos. O futuro é um lugar divertido e confortável para quem quiser. A Triagem mostra que tem esse interesse, e eu me orgulho de ter clientes assim.

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Há braços!

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Eduardo Mesquita

eduardo@ideiadiferente.com

twitter – @eduardoinimigo

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IDEA – Nova Identidade Visual

Nos 10 anos de existência, a IDEA apresenta seu novo cartão; base para as inovações em identidade visual que estão vindo por aí. Um novo site, uma nova newsletter, novas ferramentas para apresentar a postura em constante evolução e revolução da consultoria.

A nova logomarca é uma evolução natural da logo original, que sempre focou no indivíduo, na mente e na estilização do crânio, residência do cérebro humano. Agora junto da nova logomarca, novo logotipo mais forte, mais denso, mais pesado reforçando a ideia de solidez e presença. Mas com a criação apresentada no post, o novo cartão da IDEA, desenvolvido por Revalino Júnior, meu ex-aluno na UniAnhanguera, podemos dizer que temos agora o cartão mais fiel a tudo que a IDEA tem de propósitos e características. O cartão é denso, ousado, agressivo e inovador; essas as características que melhor definem a prática e o cotidiano da IDEA.

Evoluindo, avançando, questionando e buscando novas e melhores formas de atuação, a IDEA mostra que pratica o que prega. Coisa rara num mercado perigosamente se tornando sem valores e com mais aparência que essência.

Continuamos, portanto, gritando e chutando, acreditando na parceria e buscando não seguir padrões cristalizados de comportamento. Quer vir junto? Solta o grito e acompanhe o ritmo.

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Há braços!

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Eduardo Mesquita

eduardo@ideiadiferente.com

twitter – @eduardoinimigo