Os novos ventos sopram no RH.

Muito já se disse do papel de mudança do setor de Recursos Humanos dentro das organizações. Mas apesar de tudo que se diz o maior exemplo desse “papel de mudança” sempre se limitou a discussões bobas e vazias sobre o nome do setor/área, e nisso também se via a pobreza criativa dos envolvidos na discussão. Então se “Recursos Humanos” já havia sido um termo moderno e prafrentex, de repente se tornou algo antiquado e voltado para peças e equipamentos,  e não para pessoas. E com base nesse raciocínio surgiram tentativas bobocas de renomear a área como Gestão de Pessoas, Gestão de Talentos, Gestão de Gente, Talentos Humanos, Recursos de Gente ou até mesmo ideias baseadas em temas como amor, paixão ou tesão. Bobagem! Uma tentativa tonta de mexer na forma sem questionar o conteúdo.

Vivemos tempos agressivos no mercado corporativo, em que iniciativas nascem e fenecem na velocidade dos cliques frenéticos em redes sociais, e o setor que se dedica às pessoas e suas relações continuava a perpetuar velhos comportamentos anacrônicos e pouco eficazes. Ainda se ouve gente da área com o discurso de que as iniciativas de RH são “subjetivas” e portanto pouco afeitas ao controle e avaliação. Uma boa desculpa para gastos desenfreados e pouca cobrança, ou seja, uma realidade distante das margens de lucros estreitas e dos mercados canibais em que as empresas navegam.

Ainda se vê inúmeros profissionais (?) de RH com posturas subservientes às esferas de poder, preferindo manter seu emprego a defender suas crenças, anulando assim sua capacidade de questionamento e transformação e negando seu papel de agente de mudança, transformação, crescimento e evolução dentro das organizações.

Pois é muito bom ver que o mercado segue suas regras, e o novo sempre vem, como disse o poeta. Lendo hoje os classificados de um jornal de grande circulação vejo um anúncio que pode não ter provocado arrepios de medo ou excitação na maioria dos viventes, mas que sinaliza uma reviravolta para quem puder ler com atenção.

O maior grupo de mídia e comunicação do estado de Goiás, representante do maior grupo de comunicação do país, procura um Analista de RH. Até aí nada de novo no front. Na descrição dos requisitos surge uma inovação. Dentre os cursos superiores apontados como interessantes para os candidatos apresentam-se Contábeis, Administração de empresas ou Gestão de RH.

Notaram? A primeira grande novidade é a completa ausência da menção ao curso de Psicologia. Mesmo sendo uma vaga de perfil voltado para o Departamento Pessoal, ainda assim causa espécie a falta da menção do curso de Psicologia num anúncio de RH. Não deveríamos nos espantar. A psicologia, que dominou a área de RH no país nos últimos vinte e poucos anos vem substancialmente perdendo espaço nas mesas espaçosas que se decidem coisas nas empresas. Infelizmente isso se deve a um distanciamento cada vez maior das ideias psicológicas dos ideais corporativos. E não porque sejam naturalmente antagonistas, mas porque uma casta dominante psicologizante opta, cada dia com mais ênfase, por uma visão paternalista e assistencialista nas suas atuações profissionais. Por força dessas decisões os psicólogos, em sua maioria, afastam-se cada dia mais da postura do administrador (muito afeito ao mundo corporativo, até por uma questão óbvia de DNA) e se aproxima do profissional de Assistência Social.

Certo ou errado? Isso não importa, é uma constatação de uma escolha grupal, permitindo assim a entrada de outras formações na área hoje muito carente, e mais ainda, delimitando o futuro e o papel histórico de toda uma categoria profissional. Então não importa se é certo ou errado, importa que É. Hoje os psicólogos que se voltam com ênfase para o comportamento corporativo acabam por se destacar no mercado como profissionais que possuem um diferencial, um plus que permite melhor desempenho ao mesclar a visão humanista e mais subjetiva do humano, com a visão pragmática e objetiva das empresas.

Mas não só isso chama atenção no anúncio dessa grande corporação. Destaca-se o fato de se procurarem profissionais do curso de “Gestão de RH’. Sim, estamos falando de cursos tecnológicos, de menor duração, consequente menor investimento de tempo e de dinheiro; e de resultados mais urgentes. Já ouvi de alunos e professores de cursos tecnológicos o lamento de que o mercado não aprecia esses formandos, pelas características distintas de seus cursos, pois eis que esse anúncio vem mostrar que esse chororô é apenas isso: chororô. O profissional formado em Gestão de RH, para manter o foco nesse anúncio de hoje, possui conhecimento necessário para gerir uma área de RH, especialmente uma área de Departamento Pessoal, mais afeita às tecnicalidades do setor e às questões burocráticas da função. Esse profissional se forma em menos tempo, tem um foco obsessivamente voltado ao resultado de sua diplomação e já – em sua imensa maioria – se encontra no mercado de trabalho.

Não se trata, portanto, de um jovem imaturo e inexperiente com um diploma. Temos então um jovem, porém com muita maturidade, foco, objetivo e busca ansiosa por resultados. A pessoa que busca um curso tecnológico ou mesmo um curso técnico precisa alcançar resultados ainda durante o curso, não podendo se dar ao luxo de esperar uma diplomação e formatura para começar a perseguir resultados. Esse formando já apresenta, então, desde seu curso o tipo de comportamento que as empresas precisam e já vivenciam em suas estratégias globais.

Esse anúncio no jornal de hoje mostra que o mercado está em transformação inequívoca, que os novos ventos já chegaram também no setor de RH e que bancar-se refratário a isso será apenas uma tola questão de quanto tempo ainda se poderá sofrer. O destino dessa prosa todos sabem qual é: um mercado oferecendo oportunidades para os que tiverem o comportamento adequado e não o diploma certo. Nos níveis de diretoria já há muito tempo temos gente de RH vinda da engenharia, da filosofia e da matemática. Isso agora começa a chegar nos níveis gerenciais.

Quem viver verá, muito ainda vai mudar nessa área. As oportunidades se desenham, e os que estiverem dispostos a viver o contínuo processo de evolução e crescimento que tanto se prega nos treinamentos e cursos, entre cooffe breaks e coxinhas, estes terão água mais fresca e sombra mais aprazível. Aos outros o sol de todos os dias.

E ainda assim pode ser muito mais do que merecem.

Em frente!

Há braços!

Eduardo Mesquita

eduardo@ideiadiferente.com

Twitter/Facebook – @eduardoinimigo

BR Home Centers – emocionante!

Em 2008 realizamos o primeiro treinamento Outdoor para a equipe Tend Tudo, e tudo foi comentado e registrado no blog da IDEA aqui – http://www.ideiadiferente.com/index.php/tem-de-tudo-nas-trilhas-outdoor-training-e-suor-e-folia/ – sendo um momento inesquecível para todos os nossos profissionais envolvidos.

Ao longo desses anos a IDEA e a Tend Tudo continuaram sua parceria produtiva e poderosa. A Tend Tudo cresceu, conquistou espaços e se unindo à Casa Show tornou-se então a BR HOME CENTERS. E ao longo de todo esse processo a IDEA acompanhou, treinando líderes, capacitando profissionais administrativos, estando presente nas lojas e vivenciando em inúmeras cidades do país a velocidade e a constância do crescimento dessa organização.

Pois eis que em 2012 Capitão Mesquita voltou. A imagem que acompanha esse post mostra o e-mail enviado para todos os profissionais administrativos da empresa divulgando que íamos novamente viver grandes aventuras. Fiquei emocionado ao ver o recall do personagem e a forma divertida e criativa que tudo novamente se iniciava. A equipe que já havia me impressionado em 2008 mostrava novamente seu poder de fogo.

Dessa vez não teríamos cerca de 80 pessoas. Seriam cerca de 140 pessoas! Um dos maiores grupos que já trabalhamos, sem dúvida. E para aumentar o envolvimento e os resultados criamos uma campanha de arrecadação de donativos visando o Dia das Crianças. Cada equipe participante – Gigantes, Fúria, Caveiras, Feras, Garra e U.F.C. – escolheu uma entidade para receber as doações e se lançaram durante quase vinte dias numa frenética busca de doações. As cenas das pilhas de donativos nos corredores da empresa vão ficar pra sempre entre minhas mais carinhosas lembranças profissionais.

E na Pousada Monjolo tivemos então um dia intenso de atividades, desafios e superação, em que profissionais do país inteiro puderam buscar em si e nos colegas a força e a motivação necessárias para serem muito mais do que imaginavam. “O Inimigo ainda é o mesmo” como tema apontando que nossos inimigos estavam tanto fora da empresa quanto dentro de nossos comportamentos e atitudes cotidianas. Ainda melhores, chegamos ao fim do dia de atividades cansados, sujos, suados e emocionados. Lembro – e penso que sempre lembrarei – da emoção vivida ao final de nosso encontro quando me toquei do tamanho de tudo que estávamos vivendo ali. Quando percebi o tanto que havíamos construído em menos de um mês de atividades. Foi uma das únicas e pouquíssimas vezes na minha vida que senti as lágrimas surgindo, o choro embolado na garganta e a voz falhando numa atividade profissional. Não existem palavras para descrever o que sentimos naquele instante.

Nós todos envolvidos na atividade, profissionais IDEA, Agregar e Casa de Walker, saímos muito melhores do que entramos. Maria Célia, Kiko, Ana Lúcia, Tote, Luciana e eu pudemos experimentar um dia marcante, com o estilo determinado e divertido da BR Home Centers e com um monte de profissionais de altíssimo nível, nos mostrando a todo instante exemplos de seriedade, de compromisso, de criatividade e de integração.

Não me canso de repetir: BR Home Centers, que orgulho ter um cliente desses!

Há braços!

Eduardo Mesquita

eduardo@ideiadiferente.com

Twitter/Facebook – @eduardoinimigo