Sobre Kossa, desprezo, música e gerentes.

Vê esse sujeito feio na foto? Ele é Pablo Kossa, jornalista, funcionário público, agitador cultural, gente finíssima e um cara que tenho a honra de chamar de amigo. Ele tem um blog/site onde solta suas ideias e pérolas, e elas são muitas. Tanto umas quanto outras.

Dia desses ele soltou um texto falando sobre o Villa Sertaneja, uma espécie de festival de música sertaneja que aconteceu em Goiânia e que mobilizou muito dinheiro, gente, investimento, divulgação e grana (sim, a redundância é proposital). O texto está aqui – http://fosforocultural.com.br/pablokossa/?p=661 – e espera seu olhar. Vai até lá e depois volta aqui, eu te espero.

Enfim, depois de ler esse texto do Kossa fiquei encucado com o incômodo gerado, e percebi que o incômodo não era pelo amigo ou pelo jornalista, mas pelo profissional em sua abrangência maior. Falando de forma direta, o consultor de empresas que sou, o psicólogo corporativo que estou certamente colocaria em xeque um profissional de comunicação e eventos que ignorasse tão completamente um evento que teve tanta comunicação. A frase que mais me chama atenção no texto do compadre Kossa é quando ele é perguntado se não ouve a rádio em que trabalha.

Isso realmente foi o mais grave. Me lembro de uma diretora que tive a honra e orgulho de trabalhar numa cervejaria e que me disse uma vez que não devíamos deixar o cliente tomar o primeiro copo de outra marca, porque aí poderíamos perdê-lo para sempre. E isso reforçava ainda mais o que vivíamos todos os dias de respeito e cuidado com a marca que representávamos, e que em última instância nos permitia comprar coisas. Pois aquela era a marca que nos pagava, dando dinheiro em troca do suor e do conhecimento. Como então permitir que outra marca tivesse nada além de meu cuidado e minha atenção?

E Kossa, em seu descaso pelo estilo musical do evento, revela descaso por sua atividade. Entendo não se interessar por eventos congêneres – e os comentários abaixo de seu texto são outra fonte de informação excelente que compõem o quadro – mas como alguém da área de eventos penso que ele deveria ao menos manter o olhar sobre eventos paralelos, que de uma forma ou de outra disputam patrocinadores e público com os que ele organiza.

Alguém pode dizer que são públicos diferentes, mas lembrem-se todos que são públicos predominantemente jovens, em ambos estilos, e que famosos são pela instabilidade, volatilidade, modismos e quetais. Hoje ouvem sertanejo, amanhã podem estar em festivais de rock ou de funk ou de sambão.

Reforço, não acredito que ele devesse prestar atenção ao festival, já que não aprecia o estilo musical, mas por ser um evento musical, isso deveria despertar-lhe ao menos a curiosidade. Talvez eu seja um yuppie formado pelas guerrilhas de mercado dos anos 90 realmente, momentos em que aprendíamos a devoção às marcas e atividades, e qualquer coisa que pudesse nos roubar pontos de Market share eram vigilantemente acompanhadas. Talvez ainda Kossa esteja num momento de sua vida que realmente não se estresse mais tanto assim, porque afinal de contas pode ser avaliado como um cara profissionalmente muito bem sucedido (e não sou irônico mesmo nesse ponto). Por bem sucedido entenda-se que não esteja preocupado em excessos com pontos percentuais de lembrança ou por corpos presentes. Tem um emprego público, tem uma carreira bem construída e agora empreende na área cultural.

Mas fosse um gerente de empresa cliente minha e eu colocaria toda a atenção em seu comportamento. O mundo corporativo que vivo é paranoico realmente e aí pode residir o incômodo que senti ao ler o texto. Um profissional não pode desprezar novos entrantes ou possíveis concorrentes em sua área de atuação, é um dos credos que vivo; e negligenciar um troço daquele tamanho com aquele tanto de propaganda é sentir-se muito tranquilo para poder escolher em que dedicar sua atenção.

Me lembro de um amigo publicitário que ao parar em sinaleiros pegava todos os panfletos, flyers e folders entregues, e se algum entregador não o abordava ele buzinava e chamava para pedir um tablóide impresso. Isso tudo para monitorar o que andava sendo produzido de divulgação naquele momento, podendo ter ali algum concorrente de cliente seu. Aprendi muito com esse sujeito também.

Não quero em nenhum momento dizer que Kossa está errado. Isso seria fanatismo. Quero dizer que nesse aspecto pensamos diferente, e se estivesse no estúdio da rádio naquele momento seria mais um a dinamitá-lo por não saber do tal evento musical. Curioso é ver que ele diz em outro momento – http://geracaobooks.locaweb.com.br/releases/?entrevista=81 – que “é impossível passar indiferente” por um ícone cultural inglês, mesmo aparentemente agora sabendo que até por grandes ícones é possível SIM passar indiferente. E a vida segue. Não comparando as referências, naturalmente. Outra coisa que não concordo com o texto é a aparente “metropolidade” de Goiânia. Não temos uma cidade tão enorme assim, que permita desconhecer o que acontece em proporções maiores, mas entendo que o rock também seja desprezado e ignorado por muitos da cidade por opção e escolha.  Gente que pensa do rock o mesmo que Kossa pensa do sertanejo, isso eu sei.

E sei mais ainda, por aprender ao longo de 40 anos de existência, que o contraditório é muito mais enriquecedor que a unanimidade. Andar com pessoas que apreciam as mesmas coisas que eu em todos os momentos seria negar a oportunidade intensa de conhecer um pouco de um monte de coisas que o mundo oferece. Falo isso com a tranquilidade de um psicólogo consultor de empresas que não esconde – e até divulga sempre que pode – o fato de ser vocalista de punk rock no SANGUE SECO. Já tive oportunidades de encontrar clientes em plateias de shows da banda, e num primeiro momento ficar mortificado com a possibilidade de perder algum contrato – já que o rock não paga nem minhas contas nem meus prazeres. Mas percebo que a maioria esmagadora desses que me contratam apreciam muito mais o perfil confuso que se desenha entre o cara de terno e o sujeito de jeans aos pedaços. E curiosamente as ideias e ideais do consultor e do vocalista são as mesmas, mas umas são vertidas em treinamentos e reuniões, e outras são urradas nos palcos e microfones.

A prova disso vai acontecer no dia 06 de março, quando o SANGUE SECO vai participar do Grito Rock Goiânia, no Centro Cultural Martim Cererê. Sei que terei vários clientes, alunos universitários e amigos na plateia, vendo que extremos às vezes antagônicos podem ser muito bem convividos. E o Grito é organizado pela Fósforo, entidade cultural capitaneada por Pablo Kossa. No fim, estamos todos próximos.

Aparece no Grito Rock e confere. Teremos muito barulho nervozzo de gente extremamente amigável. Confere a programação e se organiza, e lá você vai poder conhecer o Kossa e comprovar que, mesmo desprezando música sertaneja, ele é gente finíssima. Até porque uma coisa não tem nada a ver com a outra. rs

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Há braços!

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Eduardo Mesquita, O Inimigo do rei

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Sobre tempo de casa e técnicos de futebol.

Sou torcedor do Vila Nova Futebol Clube – http://www.vilanovafc.com.br/. Para quem não associou o nome à pessoa, o Vila Nova já foi o maior time do Centro Oeste, passou a ser um dos dois maiores, depois um dos três maiores e vem brigando para se manter como um dos cinco ou seis maiores. A torcida é apaixonada e dedicada ao time, e nesse quesito é inquestionavelmente única. Sempre houve um conflito grande entre a torcida do Vila Nova e de outro time da cidade (prefiro não mencionar o nome) sobre qual torcida era a maior. Isso é alvo de questionamentos e dúvidas, mas uma verdade absoluta é o fato de que a torcida do Vila Nova é muito mais apaixonada que qualquer uma da região, isso porque torcer para times que ganham e são campeões é fácil. Torcer para um time que já há alguns anos não chega a final de campeonato, não sobe para a tão sonhada Série A e não ganha clássicos; isso sim é ser torcedor apaixonado. A torcida do Vila Nova nunca diminui, apesar dos insucessos e tropeços, das diretorias desastradas, jogadores mercenários e “zoações” das outras torcidas. Permanece, continua, persevera e viveu uma situação muito específica dias atrás.

Futebol é uma coisa complicada porque é um negócio, é trabalho, mas para a torcida é paixão, fanatismo, fé e irracionalidade. Sendo assim as pessoas possuem diferentes visões das mesmas situações. E dias atrás isso foi colocado a prova novamente. O Vila Nova contratou o Sr. Hélio dos Anjos como técnico do time. De novo, quem não associou o nome à pessoa terá explicação: esse técnico tem um histórico de vínculos e conquistas com o outro time da cidade, o rival eterno do Vila Nova. Então quando da sua contratação muitos alegaram que ele iria trazer problemas, corpo-mole, má vontade e até mesmo azar para o time; além do fato de ele já ter sido contratado uma vez e deixou o time na mão.

Pois dessa vez ele levantou polêmicas novamente. Com o campeonato em andamento, com poucas rodadas ele recebeu uma proposta de um time do nordeste (time em que ele já tem uma história de sucessos também) e foi-se embora. Vários torcedores reclamaram e ofenderam o sujeito alegando que ele deixou o time na mão, que ele é mercenário, que ele foi traíra, que ele novamente prejudicou o time e mais um monte de dramas e reclamações apaixonadas.

Mas se analisarmos a situação de outra forma, veremos outro fato. Hélio dos Anjos é técnico de futebol, se bom ou ruim não interessa; essa é a profissão dele, ele vive disso. Mesmo podendo ter inúmeros investimentos, posses ou o que quer que seja, ser técnico é um trabalho para ele. Profissionais podem ser seduzidos e cooptados no mercado, faz parte da competitividade natural entre as organizações, e quem é bom profissoinal precisa ser constantemente assediado até para comprovar seu valor. Você profissional, que lê isso aqui, já parou para pensar quantas vezes tentaram te “roubar” da sua atual empresa? Isso é um indicador muito forte da sua visibilidade no mercado.

O técnico recebeu uma proposta financeira muito boa, em uma empresa (time) que ele já tinha um histórico de sucessos e foi-se embora. Estava errado? Até o momento, nada de errado nisso. Até muito natural.

Mas o mais importante é perceber o que ele fez enquanto esteve no time do Vila Nova. Apesar de não vencer clássicos, o time está bem posicionado na tabela, ganha jogos e mesmo com algum sofrimento, vem mantendo sua torcida satisfeita. E então o técnico vai embora. Mas atenção, sucesso se mede por resultados, e os resultados até o momento são bons. Que se vá, então.

Ainda existe um equívoco muito grande no mercado de trabalho, o de achar que tempo de casa é sinônimo obrigatório de competência. Não é. Muitas vezes é acomodação ou incapacidade de crescer, a pessoa “bateu no teto”, como dizemos. Vejo ainda muitos empresários indagando nos processos seletivos: “Mas esse candidato, se for selecionado, vai ficar muito tempo conosco?”. Primeiro que é impossível prever o futuro, então como saber quanto tempo o sujeito vai ficar na empresa? Não há como. E mais ainda, se ficar seis meses mas fizer um trabalho sensacional, conquistar grandes resultados, impressionar a equipe positivamente, servir de exemplo para outros, então já fez o que era necessário.

Existe um clichê popular associado a falecimentos. Dizem que a pessoa falecida “cumpriu sua missão”, e essa é uma justificativa para não sofrer tanto com falecimentos precoces, por exemplo. Pois o profissional que fica pouco tempo mas que deixa uma marca positiva e inesquecível já cumpriu sua missão.

Me lembro de uma oportunidade em que eu era Gerente de RH de uma indústria e conduzia um processo seletivo. O diretor da indústria ao ver um currículo que eu havia separado comentou “Esse aqui não vai servir, ele nunca fica mais que três anos em empresa nenhuma”. Eu dei risada e abri o meu currículo na tela do PC, o mesmo currículo que ele havia lido quando da minha contratação, e perguntei: “Então como você contratou esse cara aqui?”. Eu nunca havia ficado mais que DOIS anos em empresa nenhuma. Rimos muito da situação, o sujeito foi bem na entrevista, mas ainda assim tivemos um outro candidato muito melhor e ele não foi contratado. O curioso foi ver que mesmo eu tendo esse movimento constante no mercado, estava sendo um profissional de resultados para a empresa.

Então o técnico foi embora? Bom para ele, fez o seu serviço aqui, foi reconhecido e seguiu seu rumo. Que as organizações estejam preparadas para esse ciclo constante de movimentação, porque essa vai ser a realidade cada vez mais inegável no mercado. A tal Geração Y não aprecia ficar parada muito tempo, então ao invés de somente nos preocuparmos em manter as pessoas nas empresas por muito tempo, vamos nos preocupar em proporcionar desafios, crescimento, novidade e criar estruturas para permitir mobilidade para as pessoas. Deixa sair, novos virão e abriremos espaço para promover os que permanecem.

A fila anda! E o Vila Nova venceu mais uma nesse fim de semana. Ê Tigrão, que me dá alegria! (torcedor de futebol é um bicho maluco mesmo).

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Há braços!

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Eduardo Mesquita

eduardo@ideiadiferente.com

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InFernet, a bacia das almas das boas intenções.

Usamos inFernet, eu escrevi isso aqui e se você está me lendo, nos encontramos no éter virtual. Sabemos da importância dessa forma de comunicação que usamos com tanta frequência. Aos que são meus contemporâneos, também podemos nos lembrar de quando – alguns anos passados – diziam que a inFernet iria afastar as pessoas, que os contatos seriam só virtuais e mais um monte de vaticínios que as Cassandras vituperavam. Enfim, se precisamos e usamos essa ferramenta, sabemos o tanto que ela pode ser mal utilizada e terminar por nos atrapalhar.

Estou falando da quantidade de mensagens inúteis que rodam pela web. Além das que são claramente viróticas, buscando roubar nossos segredos e sigilos, temos também as mentiras que se multiplicam ao sabor do vento, muitas vezes sabe Deus por que. Falando das que realmente buscam roubar informações e/ou contaminar nossas máquinas, devo reconhecer que ultimamente alguns bandidos estão ficando, ao menos, criativos. Recebi dia desses uma que dizia “PROPOSTA”, o que para um profissional liberal, micro-empresário como eu é pura poesia. Mas escolado por contaminações anteriores, parei para pensar cinco segundos e repassei mentalmente quantas propostas estavam em negociação naquele exato instante e tempo, quais eram as empresas com as quais conduzia negociações naquele período, com isso em mente fixei quais os domínios que poderiam surgir em minha caixa com aquele tipo de assunto. E já me preocupei porque não achei nenhuma combinação positiva. Além disso, a mensagem era por demais curta. Uma linha ou duas, sem nenhuma argumentação ou sequer cumprimentos e tratos educados. Costumo procurar clientes de forma criteriosa e uma das coisas que me chama a atenção sempre é a forma cuidadosa de lidar com clientes e parceiros. Novamente corri uma checagem e não encontrei em memória ninguém que pudesse ser tão miseravelmente objetivo que chegasse a ser grosseiro. E aí veio a senha final, a mensagem curtinha me mostrava um link para clicar. Não clico.

Quando recebo mensagem de alguém conhecido com linck para clicar, normalmente mando mensagem confirmando antes de qualquer iniciativa. Sou verdadeiramente paranoico, meu computador é parte importante da minha vida, por ter ali documentos, textos, ferramentas, coisas e mais coisas que me valem muito no cotidiano profissional. Além das coisas da banda, letras de músicas que ainda estamos compondo, contatos para shows com produtores do universo inteiro, fotos e mais fotos de shows que fizemos. Então tenho muito medo de clicar em links, mas tenho que admitir que o termo “Proposta” realmente me chamou a atenção e quase me induziu ao erro. Mensagens que falam de fotos de acidentes, vídeos eróticos de celebridades ou coisa parecida vão direto pra lixeira. Não gosto de ver acidentes e pornografia eu tenho a minha coleção.

Mas aí são mensagens criminosas, sabemos.

O duro é um negócio que já deveria ter virado história, mas que ainda encontra cúmplices voluntários, ou nem tanto. Estou falando das mensagens bobocas e mentirosas que as pessoas replicam aos milhões sem conferir se o troço é verdadeiro.

Recebi essa semana ainda um e-mail clássico. Fala de uma família com uma criança doente que vai receber dinheiro de algumas empresas se o e-mail circular a Via Láctea inteira várias vezes. Já me aborreço quando vejo esses troços, pelo tanto de ingenuidade de quem manda, mas tem coisa que beira a burrice. Primeiro é acreditar em alguma tecnologia – klingon, talvez – que possa rastrear e contar quantas vezes um e-mail percorreu a cobertura capilar de fibra ótica do planeta. Isso, até onde eu sei, é impossível. Mais ingênuo ainda por acreditar que corporações fariam isso sem fazer publicidade corporativa. Uma AOL iria dar dinheiro e não divulgar no seu site? E AOL no Brasil? Isso ainda existe?? Mas os que replicam a mensagem sequer se dão ao trabalho de ir ao site da empresa procurar alguma confirmação, saem mandando o troço para toooooooodos os contatos da lista achando que fazem o bem. Mas o pior não foi isso, as fotos que vinham falando do câncer cerebral da pequena criança traziam fotos de uma criança com queimaduras na bunda!! Na bunda! Parece piada, mas é sério. Lamento muito pelas queimaduras da pequenita criança, mas nunca vi câncer no cérebro queimar a bunda. Mas ao que parece os replicantes (perdoe-me Scott) dessa mensagem não se atentaram ao fato de câncer no cérebro ser… er… no cérebro. E não na bunda.

Outra mensagem dessa semana – foi uma semana rica, não é mesmo? – foi sobre um texto do Luiz Fernando Veríssimo falando do BBBB. Já começa suspeito porque duvido que Veríssimo fosse fazer um texto desancando uma atração popular, não por demagogia, mas porque Veríssimo é sagaz e percebe movimentos populares para comentar com inteligência e de forma mordaz, quase cínica as vezes. Veríssimo é refinado, elegante, até quando debocha. E o texto fala mal do programa, fala mal de quem vê a droga do programa, fala mal das empresas que vendem e patrocinam o programa, fala mal de tudo. É um texto bem ranzinza mesmo, falando dos pobres funcionários que deveriam ser os verdadeiros “heróis” para o Pedro Bial, falando das criancinhas, do vento norte e mais um punhado de idiotices que não me preocupei em memorizar. Mesmo. Além disso, o texto é ruim pra diabo. No dia que o Luiz Fernando Veríssimo, dileto filho do enorme e mágico Érico Veríssimo, escrever um texto tão desgraçadamente ruim como aquele, precisa parar de escrever. Ele nem se quisesse poderia produzir um troço tão ruim. Ruim, ruim, ruim e mal escrito. Mas como ataca a Globo, como defende uma mítica superioridade intelectual de quem não vê o programa e como é fácil pra burro mandar a mensagem, a bobajada vem circulando no país inteiro numa velocidade que só coisa ruim consegue alcançar. A mensagem apatetada apela ainda para uma certa falta de cultura de quem vê o programa e critica muito o país que alimenta um programa desses.

Curioso é ver que quem critica a falta de cultura nem sequer deve se lembrar da última vez que leu um livro de poesia, foi a um teatro assistir a uma peça ou a apresentação de algum coral, ou qualquer coisa que tenha o rótulo de cultura. Não foi a um show de rock independente ou a uma convenção de mangá. Nada! A maioria desses que criticam a falta de cultura dos telespectadores do BBBBB não tem muito mais cultura que um pé de tomate. Mas é fácil se jactar de sabido apontando o dedo para os outros.

Além disso, o programa é ruim pra diabo mesmo. Mais ainda, é um desserviço social, cultural, educacional e muitas vezes até sexual, por banalizar questões que deveriam ser levadas com mais cuidado. O texto fala isso, mas é tão ruim e preconceituoso que tudo de bom que existe nele – e existe – se perde. Fica falso ou barato.

Pra piorar tem gente que vai no embalo e acaba alimentando o baixio das bestas. Não é que dia desses tive contato com um blog de um sujeito em que lá estava o tal texto citado como sendo do Veríssimo. Estava com tempo, tuitando, e dei um toque na pessoa que me apresentou o caminho, figura que trabalha com jornalismo, agitadora cultural e marqueteira de maquiagens psicodélicas, a doce Mary Camata, lá de Rondônia. Avisei que o texto era apócrifo, que ela avisasse o dono do blog porque pegava mal um texto daqueles e tals. Qual não é minha surpresa quando o próprio dono do blog aparece no meu timeline me atacando com oito ou nove pedaços secos de esterco e arrotando um monte de impropérios. A Camata até tentou me defender, mas quando a briga é boa melhor não ter juiz. O sujeito dizia que eu falava aquilo porque devia ver o programa, porque devia ser um cabeça de vento que torcia pelo MauMau ou pela(o) Ariadna e coisas parecidas. Mas me xingou mesmo. Repliquei que só tinha dado o toque porque publicar um texto citando um autor inocente pelo crime era uma atitude leviana. Ele ainda quis teimar e disse que não se importava com a fonte ou com o autor porque ele concordava com o texto. Peralá, pode-se concordar com qualquer coisa, menos com canalhice. O texto pode dizer muitas coisas que são consumidas e concordadas por vários, mas daí a dizer que não se importa se o autor for aquele ou não, aí já é prima-irmão da covardia intelectual, vizinha da canalhice. Gente canalha acha que os fins justificam os meios, sempre.  Ainda teimei mais meia hora com o quadrúpede, vendo minha amiga nortista horrorizada com as batatadas que o cara falava, mas aí deu pra mim, me despedi de Mary e deixei o sujeito espumando os cantos da boca na web. O texto ainda deve estar no blog dele. Qual o blog? E eu decorei ? E não vou detonar meus leitores mandando prum canto bagunçado desses.

Então atenção, o tal do “Que vergonha Bial” ou coisa parecida não é da lavra gaúcha da família de Clarissa. O que me faz lembrar outra que vive sendo citada como autora das maiores abobrinhas do universo: Clarisse Lispector. Uma mulher que foi quase amarga, cinza, enorme nas letras, mas com uma visão de mundo bem peculiar, e que vira e mexe aparece no twitter ou outras redes falando as maiores platitudes do mundo. Deve estar dando voltas no túmulo. Ah, e o Jabor também não escreveu nem metade do lhe atribuem, mas esse se diverte com a palhaçada.

A última me aconteceu hoje. Uma mensagem apelativa e dramática falando do site www.cancerdemama.com.br. Dizia que havia um quadradinho rosa no site para ser clicado e que era a única forma de manter o site no ar, porque ele corre o sério risco de sair do ar se não tiver não sei quanto s cliques por lá e tals. Câncer de mama é um assunto sério na minha vida, duas das maiores mulheres da minha vida já tiveram contato com essa doença, e uma delas – minha mãe – faleceu por causa disso.  Me interessei em ajudar. Fui ao site e lá estava o quadrado rosa. Mas logo abaixo um outro link apontava para um esclarecimento. Fiquei curioso e fui ler. O próprio site desmentia a tal mensagem.

Veja bem, o site explicava que a tal mensagem era mentira, um hoax, inventado talvez com boa intenção, mas que exagerava nas cores e que o site não corria o risco de sair do ar. Sim, o site pode se beneficiar muito com seus cliques – o link está aí, vá até lá agora e clique no quadrado rosa – mas não existe risco de sair do ar ou coisa parecida. É exagero.

Alguém pode pensar que essas mensagens não produzem dano ou não fazem mal. Ledo engano. Mensagens assim servem para disseminar e divulgar um monte de e-mails válidos pela rede. Sabe qual o risco disso? Já viu o tanto de mensagens que vão direto para o lixo? Aonde você pensa que eles arrumam seu e-mail? As pessoas divulgam os e-mails válidos e isso é um doce para hackers e crackers que vão infestando a web de pirâmides financeiras, propagandas de máquinas de aumento peniano e sites fantasmas de bancos. Quem divulga essas mensagens indiscriminadamente ajuda os bandidos.

No caso desse site do câncer de mama eu aposto que muita gente replicou a mensagem e não foi lá clicar no tal quadrado rosa. De certo achando que isso já era suficiente. Assim como muitos replicaram uma mensagem – logo ela volta a circular – falando de um hospital em Sorocaba que estava jogando córneas no lixo por não terem receptadores (ou receptores?) para as córneas. O e-mail ainda vinha com o telefone do hospital. Fiquei curioso e liguei. A pessoa que me atendeu disse que aquela linha era exclusiva para dar explicações sobre o tal e-mail, porque era tão grande a quantidade de gente indignada que ligava lá ou então querendo as tais córneas que eles precisaram designar uma linha específica e uma pessoa para ficar explicando. Sabe o pior? O hospital sequer trabalhava com transplantes.

Apagar o ursinho cinza do computador, agulhas envenenadas nos bancos de cinema, desodorantes anti-perspirantes que causam câncer, ladrões de rim que deixam a vítima numa banheira, aldeias na China que jogam meninas recém-nascidas no esgoto, SonyEricsson dando laptops de presente, Bill Gates dando celulares de presente, tudo mentira. Procure se informar, cheque os sites das empresas mencionadas, não replique sem saber o que você está fazendo.

Sabe por que as pessoas replicam essas mensagens? Culpa e preguiça. Essas mensagens dramáticas, apelativas batem direto na cara de quem não faz nada pelo próximo, mesmo. Não faz e acha que deve fazer. Entenda que existem pessoas, milhões delas, que não fazem nada pelo próximo, nem querem saber quem é o próximo, estão se lixando para o próximo, e vivem muito bem com isso. E são pessoas decentes e até mesmo éticas. Ajudar aos outros não é salvaguarda para o paraíso, mas ainda existem os que acham que deveriam fazer mais. E não fazem. Aí surge uma mensagem como essas e o sujeito pensa “Putz, posso ajudar e ainda ficar bem visto pela galera dos meus contatos!” e aí entra a preguiça. Ao invés de checar a informação, ele apenas clica em “Encaminhar” e solta a porcaria pro lado do vento. Quer fazer alguma coisa de útil pro mundo? As causas são bilhões, todo dia alguém tenta me mandar um link pelo Facebook falando de alguma causa que não me interessa. Escolha uma e se dedique. Por incrível que pareça, existem as causas que você pode se envolver clicando preguiçosamente mesmo, mas confira antes se a coisa é real.

Acreditar em algo lido na inFernet é tão fácil quanto acreditar em algo lido num muro da cidade. Crie vergonha na cara e não bagunce mais a rede. Suas boas intenções podem ser bem aplicadas, mas depende de você assumir a responsabilidade por isso.

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Há braços!

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Eduardo Mesquita, O Inimigo do rei

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Quem vai liderar a gente?

A melhor coisa do mercado são as pessoas. Isso não é discurso ou mito de psicólogo, é um fato. São as pessoas que fazem isso tudo ser divertido, principalmente quando são pessoas de alto nível e que se preocupam em contribuir e fazer crescer. Tenho a felicidade de ter pessoas desse quilate por perto, como clientes ou parceiros, e a Tays Almeida é assim. Profissional que trabalha com iniciativas de educação e capacitação, ela faz parte do Sistema Cooperativista e é uma figura que já me orientou bastante, além de ser extremamente bem humorada e gentil. Essa semana ela me presenteou de novo, agora com um texto sensacional. Mesmo ela achando o texto um tanto “ríspido”, eu apreciei bastante e talvez tenha apreciado ainda mais porque o texto do Ricardo Jordão é cru, direto e agressivo o tanto necessário. Apreciei o suficiente para dividir com meus leitores. O texto vai abaixo, e para Tays; HÁ BRAÇOS!

Gratíssimo Tays, pela lembrança e pela generosidade.

Divirtam-se!

 

Quem vai liderar a gente?

Você não tem uma alma. Você é uma alma. O que você tem é um corpo. 

Querida(o) Amiga(o),

Semanas atrás a Endeavor realizou um evento em São Paulo cheio de figurões do mundo dos negócios. Foi a coisa mais chata do mundo!

O evento da Endeavor reuniu o presidente da CPFL para falar sobre governança corporativa – em termos de embromation só perde para uma sessão de 15 minutos do filme “Xuxa e a Feiurinha” – ; o presidente do Banco Itaú para falar sobre empreendedorismo – jogaram o coitado no lugar errado – , o presidente do Milbank para falar sobre financiamento do crescimento – banco falando sobre financiamento do empreendedorismo? – , e o Sardenberg para moderar um painel sobre riscos e oportunidades no Brasil, entre outras chatices.

Até o horário do almoço ganhou um nome corporativo de doer no fundo da alma: “brunch de relacionamento”  – nem durante o almoço a turma tirou a máscara corporativa.  Engoliram o sapo. 

O evento foi todo gravado, e você pode assistir quando quiser no web site da Endeavor. (Recomendo que você assista as palestras como sonífero). 

Mas nem tudo foi chato. Teve coisa boa. 

Apesar de todo o conhecimento, bagagem e barrigas que estiveram presentes em cima do palco durante todo o dia do evento, quem roubou a cena mesmo foi o Wellington Nogueira, “CEO” da ONG Doutores da Alegria.

Nogueira subiu no palco no final do evento, e destruiu as engrenagens da máquina corporativa ao soltar um comentário aparentemente “simplório” e inofensivo, “Hoje eu pude perceber que todos estão preocupados em como “reter talentos”, mas para mim esse tipo de necessidade é uma coisa muito esquisita; oras, se o cara que trabalha para mim é talentoso, se o cara é bom, por que temos que “reter o seu talento”? Não tem como reter o talento de uma pessoa criativa. Não tem como reter o talento de um palhaço. Inclusive, quando tentei reter o talento dos meus palhaços adicionando plano de carreira e outras filosofias do mundo corporativo, os meus palhaços perderam o tesão de fazer as coisas de maneira diferente e crescer.” 

Pela manhã, Beto Sicupira, mega blaster empreendedor brasileiro dono das lojas Americanas, Ambev, entre outras, soltou uma máxima que aparentemente passou desapercebida pela “galera” que assistia ao evento, mas me tocou no fundo da alma.  

Mario Chady, do Grupo Umbria, perguntou a Sicupira, “Agora que você comprou a Burger King, você vai aprender a comer hambúrguer?” 

Sicupira respondeu, “Tô fora. Eu posso até aprender a fazer hambúrguer, mas comer hambúrguer eu não vou.”

Foda. (Desculpe o meu francês).  Que lixo de exemplo que esse cara deu. 

A turma do Sicupira vende agora todo tipo de droga: bala, chocolate, chiclete, salgadinho, cerveja, refrigerante e hambúrguer; e a galera do fundão ama muito tudo isso, então, bóra comprar McLanche Feliz para ganhar bonequinho de plástico, e depois vamos assistir filme “dubrado” no cinemark porque não temos saco para ler legenda de filme americano. 

Sei lá, entende, parafraseando Steve Jobs, “Você quer vender água com açúcar pelo resto da sua vida ou você quer mudar o mundo?”, argumento usado por Steve Jobs para convencer John Sculley a trocar a presidência da Pepsi para se tornar CEO da Apple em 1983. 

Quem vai liderar a gente?
Em breve, todos seremos líderes potenciais.  

É aquela velha história, quem deveria liderar o solo de guitarra em uma banda de rock? O guitarrista solo, é claro. Quem deveria liderar a segurança da rede da sua empresa? O especialista em segurança, e não o gerente boçal que mal e porcamente entende de relações interpessoais, e está mais preocupado com a quantidade de papel usado na impressora da rede do que se o trabalho foi feito ou não. Curiosamente, no ambiente em que tudo se mede, aquele que mastiga planilhas é o último a saber do que realmente está acontecendo.

Que saco essa moda da gestão de emoções. Os “Coachs de RH” conseguiram levar os líderes na conversa. Piada. Hoje, os “líderes” não entendem tecnicamente bulhufas de nada, e por conta disso atrasam a implementação de qualquer novidade. O que antes levava 3 meses, hoje leva 1 ano. O que antes era decidido por dois caras, hoje temos que chamar 23 cidadãos para chegar a um consenso sobre o azul da embalagem. Até o padre da paróquia é chamado para atestar se o azul está dentro dos conformes celestiais. Na era da velocidade, estamos mais lentos do que nunca.  

É mais fácil você criar a sua própria planilha de controle de alguma coisa, do que esperar o gerente – que nem sabe mexer em uma planilha – criar uma. 

Quem vai liderar a gente?
O cara que vende hambúrguer mas não come hambúrguer!
Argh, Apertem os cintos, o piloto sumiu!
Quem vai liderar a gente?
Aqueles – eu espero – que lideram pelo exemplo de serem empreendedores. 

A coisa mais fascinante no Steve Jobs – eu tenho que citar o cara de novo porque ele é peça rara nesse sentido – é o fato dele se colocar como vendedor oficial dos produtos da Apple há mais de 20 anos. O cara é trilionário, tem milhares de funcionários em todo o mundo, centenas de marketeiros, diferentes agências de propaganda e eventos por todos os cantos, e ainda assim, trimestralmente, o cara dá a cara para bater, sobe no palco, e ele mesmo apresenta os produtos que a Apple está lançando no mercado. Quer dizer, se o produto for um fracasso, ele dança, se o produto for um sucesso, ele seta o exemplo de empreendedorismo para todos os outros funcionários. 

Por outro lado, eu sempre vejo o presidente da Nestlé no Programa do Amaury Junior dando entrevistas sobre gado, baladas etc, mas eu nunca vi o cara a frente do evento de lançamento da nova embalagem do Leite Moça. Ok, o cara tem um monte de vaca para cuidar, não tem tempo para perder com venda de produto, lançamento de novidades etc, isso é coisa de peão, trabalho mundano para o Steve Jobs fazer, ou a assessoria de imprensa da Nestlé, isso não é trabalho para presidente de multinacional.

Para mim o líder é a extensão da marca da empresa. Se o chefe gosta de vaca, de uma maneira ou de outra, todos os diretores estarão envolvidos com o assunto. Se o líder é vendedor, de uma maneira ou de outra, todos os seus apóstolos estarão envolvidos com vendas. Seja para puxar o saco, ou porque acredita, é assim que as coisas são, ladeira abaixo, até chegar na recepcionista e na tia do cafezinho. 

Quem vai liderar a gente?

Aqueles que são capazes de criar estruturas que não precisam da sua presença para prosperar. 

Nós vivemos em uma sociedade feita para quebrar. Tudo aqui é temporário. Hoje, durante o HSM Management, um palestrante imbecil falou sobre a importância de planejar o que queremos ser em 2035. Em 2035, 95% das empresas presentes ali não vão mais existir. 85% dos produtos feitos no mundo vão para o lixo em 90 dias. A embalagem do suco de laranja que você jogou no lixo hoje, foi feita 25 dias atrás. O papel que embrulha o bombom Sonho de Valsa que você detonou há pouco, foi impresso pela gráfica 15 dias atrás. Até os produtos da Apple são feitos para durar no máximo 3 ou 4 anos. 

É o preço que pagamos para sermos modernos. Temos que nos reinventar a todo tempo, e continuar avançando, com novas maneiras de fazer as coisas.  O “pobrema” é que se não tomar cuidado, você não deixará legado algum para as futuras gerações. O apartamento que você vai passar a vida pagando, será demolido 20 anos depois de você terminar de pagar. Se bobear, você passará pela Terra sem causar qualquer impacto, sem deixar a sua marca. 

Eu não nasci para ser uma peça da engrenagem de fazer dinheiro. De fato, eu não tenho respeito algum por líderes que pensam apenas em fazer dinheiro ou aparecer bem na fita. Eu nasci para fazer a diferença, deixar um legado, criar um cenário onde as pessoas se sintam “seguras” para levar suas vidas, educarem seus filhos, e mudar o mundo. 

Os romanos, por exemplo, foram um povo ultra avançado. Quando o Império Romano foi para o saco, tudo se perdeu. Os historiadores dizem que estamos 1.500 anos atrasados por conta da ignorância dos conquistadores de Roma que não quiseram compreender aquilo que não entendiam, e destruíram tudo. 

Hoje, você tem uma oportunidade sem precedentes na história da humanidade para deixar um legado da sua inteligência e experiência para as futuras gerações continuarem a construir um mundo melhor para o máximo possível de pessoas. 

A promoção contínua dessas experiências diversificadas levará a criação de um mundo que aceita todos os tipos de diferenças. A segurança, a prosperidade e a evolução do ser humano depende do seu envolvimento pessoal nessas iniciativas. 

Esse é parte do exemplo de liderança que você deve deixar nesse mundo; esse é o exemplo de líder que eu quero seguir. 

NADA MENOS QUE ISSO INTERESSA!

QUEBRA TUDO! Foi para isso que eu vim! E Você?

Ricardo Jordão Magalhães

Algo precisa ser feito, AGORA!

Vivemos tempos perigosos. Aos olhos incautos tudo pode parecer tranquilo, sereno e normal; mas ao se observar os sinais, algo se avoluma e algo perigoso. Estamos em tempos em que sucessos econômicos são usados para mascarar fracassos institucionais, estamos em tempos que o pecado maior é divulgar os crimes, e não os cometer. São tempos de inversão de valores e isso é, sim, muito perigoso.

No Tocantins um representante do judiciário censura 84 veículos de comunicação para não divulgar as lambanças e falcatruas do atual governador (candidato à reeleição). Você não leu errado, na mesma frase existe a palavra “censura” e a cifra assombrosa de “84 veículos de comunicação”. Estamos falando de revistas, jornais e inclusive da internet. Estamos falando de uma situação no jovem estado em que o citado governador mobilizou parte da força policial do estado para proibir a circulação de uma revista nacional, fato que só foi revertido porque a polícia federal foi acionada para garantir a circulação.  E atenção, essa medida de tomar as revistas para que não circulassem não se apoiava em nenhuma decisão judicial, mas apenas na vontade de um tiranete ansioso e ávido por novas negociatas.

São tempos em que os escândalos apontados pelo país são atribuídos aos mensageiros. Culpados são os meios de comunicação que divulgam e não os criminosos que os cometem. Algo está errado, ou como diria o poeta, alguma coisa está fora de ordem. E são tempos eleitorais em que qualquer opinião pode ser tomada como julgamento de caráter, tempos em que não se pode tomar lados porque existe um lado certo e todos os outros são errados. Algumas linhas abaixo eu soltei um texto chamado “A pátria de ferraduras” em que apontava que as coisas estavam indo por caminhos perigosos, de oposição e antagonismos extremados, de condenações por opiniões e tudo isso se avoluma nesse período de busca desesperada por votos.

Não estou fazendo campanha para ninguém, apesar do que possa parecer, mas não preciso me justificar por dizer o que escrevo. Tenho o direito – garantido pela Constituição – de dizer o que bem entender, e ser punido por isso se for o caso. Repito que não faço campanha apenas para deixar claro que alguns manifestos que surgem são maiores que eleições e partidarismos. Semana passada um grupo se reuniou no – pasmem – Sindicato de Jornalistas, no Rio de Janeiro para defender o argumento de que a imprensa conta hoje com muita liberdade. Como se liberdade pudesse ser servida em doses maiores ou menores de acordo com os interesses vigentes. Felizmente praticamente no mesmo momento surgiu um Manifesto em defesa da democracia – http://www.defesadademocracia.com.br/ – com o argumento de que o bem maior que temos em nosso país não é o consumo de iogurte, mas os direitos constituídos e garantidos pela Constituição.

Não importa em quem você vota, o que importa é a crença firme de que as instituições e o estado de direito são as grandes conquistas do nosso país e que por tudo isso vale a pena se manifestar. Esse link aí de cima te leva ao site que aponta uma série de situações, mas que – mais importante – te permite assinar o Manifesto em defesa da democracia. Eu já assinei. E te convido para isso.

De novo digo, não importa em quem você vota, não importa seu partido, não importa sua crença, o que temos construído ao longo de tantos anos não se negocia. Se as lembranças dos que morreram lutando nesse país se prestam a alguma coisa, esse é o maior momento de honrá-las. Assine você também e deixe claro que ninguém, NINGUÉM, está acima das leis de nosso país.

www.defesadademocracia.com.br – te aguarda. Algo precisa ser feito, AGORA.

 

Há braços!

Eduardo Mesquita

eduardo@ideiadiferente.com

twitter – @eduardoinimigo

Ah, a falta de cuidado…

Alguns mais cruéis poderiam dizer se tratar de ignorância ou burrice mesmo, mas prefiro não fazer eco com tamanha crueza na avaliação. Penso que seja falta de cuidado.

Repetidas vezes me deparo com coisas como essa da foto, avisos e cartazes e luminosos com grosseiros erros e que ficam por tempos e tempos refletindo a falta de cuidado da empresa com sua comunicação.

Lamento, mas não vou perdoar. Não chamarei burrice, isso me nego. Mas vou divulgar aqui para desafogar a angústia causada por ver bizarrices como essa aí.

Se tiverem alguma foto de coisa semelhante, mande para eduardo@ideiadiferente.com e eu divulgarei com prazer inenarrável. De alguma forma isso pode nos dar satisfação, então que possamos rir pelo menos.

 

P.S. – até perdoaria o “PORCÕES”, mesmo sabendo que nesse lugar não se vendem grandes suínos. A falta de acentuação no Sanduíche também não seria motivo de sofrimento. Mas SALGALDOS ninguém merece!

Há braços!

Eduardo Mesquita

eduardo@ideiadiferente.com

twitter – @eduardoinimigo

Nós somos um país sério, pra desespero de De Gaulle

Melhor que fonte de trabalho e renda, clientes podem se tornar bons amigos. E bons amigos contribuem com o crescimento do outro. O João Vieira é assim, diretor da SIA Consultoria – www.sia.net.br – ele é um cliente que se tornou amigo e que me manda arquivos e links bem legais. Confesso que nem sempre dou retorno, até porque assistir vídeos na web ainda é um esporte difícil para minha ansiedade estratosférica, mas quando o link já traz o texto eu posso deleitar com mais atenção e facilidade. Esse texto abaixo me foi enviado por ele, o que agradeço, e mostra muito bem o limbo institucional que vivemos em nosso país, pois algo que deveria ser natural e tranquilo ainda é motivo de discussão e brigas judiciais. De Gaulle e seu nariz são colocados em cheque… rs

Leiam e aproveitem. João, mais uma vez, gratíssimo!

 

“Ontem o Colbert Report, programa de humor jornalístico (não confundir com CQC) apresentado pelo comediante Stephen Colbert levou ao ar o primeiro de 3 programas especiais, com a platéia composta de militares recém-chegados do Iraque. No começo do programa ele exaltou os soldados, explicou que para recebê-los estava com um monte de brindes e produtos que eles não tinham quando em combate, como cerveja de verdade e… cachorro-quente. Estava inclusive com uma barraquinha de hotdogs no cenário.

O sujeito da imagem acima, distribuindo cachorro quente para os soldados é nada menos que Joe Biden, Vice-Presidente dos Estados Unidos da América.

Isso mesmo. Um comediante que por mais liberal que seja critica constantemente o Governo conseguiu que o segundo homem mais poderoso do planeta não só fosse em seu programa como ainda topasse participar de uma brincadeira.

Não é a primeira que o Colbert arma. Ano passado ele levou metade da equipe para o Iraque, fez uma semana de programas direto de um dos palácios de Saddam Hussein. Entre diversas entrevistas ele falou com gente do nível do General Ray Odierno, supremo comandante das tropas aliadas no Golfo. Durante a entrevista comentaram da “prova de respeito” que visitantes costumam demonstrar para com os soldados, que é cortar o cabelo com máquina zero. Colbert brinca, diz que o General não pode passar a máquina pois ele, Colbert só responde ao Presidente.

Nessa hora um link de vídeo é aberto e nada menos que Barack Obama, Presidente dos EUA aparece, saúda os soldados e diz para Colbert que está acompanhando a discussão.

“Sr Presidente, seus satélites são tão bons assim?”  ao que Obama responde:  ”Não, mas minhas orelhas são tão grandes assim”.  Em seguida dá a ordem como comandante geral das tropas, para que o General passe a máquina no Colbert. A cena é fantástica:

http://www.colbertnation.com/the-colbert-report-videos/229768/june-08-2009/obama-orders-stephen-s-haircut—ray-odierno

Durante a semana ainda aparecem mensagens em vídeo de George Bush, Bill Clinton, John McCain. Um programa de humor conseguiu reunir vários dos homens mais poderosos de seu tempo, sendo que esses homens não pensaram duas vezes antes de fazer piadas com suas próprias imagens públicas. John McCain, herói de guerra veterano da 2a Guerra Mundial do Vietnã (thanks Betinho) não teve problemas em dar aos soldados o conselho que aprendeu em uma guerra passada: “limpem sempre seus mosquetes”.

Os políticos fazem fila para participar do programa, mesmo os conservadores se beneficiam, já os liberais ganham em média 44% a mais em doações de campanha, após aparecer no show.

Já o Daily Show, programa-origem do Colbert Report e “mais sério”, recebe com frequência chefes de Estado, embaixadores e políticos de primeiro e segundo escalão. Há casos como o do picareta em último grau Rod Blagojevich, ex-governador de Illinois deposto por corrupção descarada. Ele foi massacrado de todas as formas por meses no Daily Show, mas no dia em que foi convidado, topou na hora. É melhor estabelecer uma política de “fairplay” do que cometer o Supremo Sacrilégio Americano, protestar contra um programa de humor.

Eu digo protestar, pois lá a Constituição, já que não tem que se preocupar em regular juros de mercado, pode proteger o direito à sátira, à paródia, ao Humor.

Bolas, há eventos oficiais inteiros dedicados ao Humor. O Jantar dos Correspondentes de Imprensa da Casa Branca é basicamente uma noite de comédia, onde um humorista é convidado para… sacanear o Presidente, que por sua vez também faz seu showzinho. Ano passado o Obama mandou muito bem:

http://www.youtube.com/watch?v=9AhZq7kdFgo

É, eu também não consigo imaginar o Lula ou o FHC fazendo isso. NA HORA iria aparecer a galera do mimimi com o discurso “fazendo piada enquanto tanta gente passa fome…”. Em uma parte do discurso Obama faz uma piada com David Axelrod, seu principal estrategista de campanha. Diz que falou “podemos fazer coisas maravilhosas juntos”, ao que David teria respondido “então vamos para Iowa tornar isso oficial”. Iowa havia recentemente legalizado o casamento gay.

Brincasse o Presidente assim no Brasil,  o mimimi “presidente homofóbico” atingiria proporções bíblicas.

O conceito-chave aqui é Liberdade, algo tão entranhado na cultura ianque que consideram natural. Todas as formas de discurso são igualmente válidos, já passaram da Infância, não têm mais a necessidade de autoafirmação de nós latinos, que precisamos desesperadamente repetir todo o tempo que “isso é coisa séria”, e a maldita frase “com coisa séria não se brinca”.

Essas frases são o último refúgio do covarde, pois políticos não saber como lidar com Humor. A crítica do humor inteligente é rápida, mordaz e não pode ser combatida da mesma forma que políticos combatem críticas normais: com hipocrisia, frases de sentido vago e muito bla bla bla. Por isso tantas tentativas de censurar humor em tempos de eleição. A comédia além de ser vista como uma arte menor por boa parte do público e dos próprios artistas, é considerada subversiva. Humoristas nada mais são na visão dessa gente do que encrenqueiros.

Aqui cabe uma mea culpa, se a classe política ainda está na idade da pedra, os humoristas também não vão muito longe. Há muito pouca gente aqui capaz de sentar numa mesa com um Lula e ir além de piadas com o dedo, e definitivamente o tempo do Presidente da República é caro demais para ouvir um engraçadinho perguntando se é verdade que ele fez 3 faculdades.

Infelizmente a questão é -mais uma vez- cultural. Nossos políticos temem o Humor por não saber lidar com ele. Não lidam com ele por não ser algo “digno” de importantes políticos, e o público compartilha da percepção de que no fundo Humor É uma atividade menor, bem menos nobre que o Jornalismo. Seja ele qual for.

Eu prefiro acreditar que se ganhadores do Nobel como Paul Krugman, Muhammad Yunuse Joseph Stiglitz acham o Colbert Report relevante o suficiente para merecer suas visitas, talvez o Humor deva ser levado a sério.” 

Retirado de

http://www.contraditorium.com/2010/09/10/pra-desespero-de-degaulle-nos-somos-um-pais-serio/

 

 

Há braços!

Eduardo Mesquita

eduardo@ideiadiferente.com

twitter – @eduardoinimigo

A pátria de ferraduras

Comecei a escrever esse texto ainda durante a Copa, e esperava soltá-lo após a final da Copa do Mundo, tendo visto a seleção brasileira sagrando-se hexacampeã, e mesmo entre muchochos insatisfeitos celebrando mais uma vitória. Mas no dia 02 de julho de 2010 a nossa seleção perdeu para o time feio – ainda que esforçado – da Holanda e a Copa terminou para os brasileiros. Enfim…

A associação do título desse texto com a imagem criada belamente por Nelson Rodrigues visa mostrar que o que já foi vivido como expressão poética, periga se tornar uma situação de caos e descontrole com uma amplitude muito maior do que poderíamos imaginar. Sim, porque o que definia uma participação esportiva nos anos 50 e 60 certamente não é o que hoje define a participação de um selecionado de “craques” numa competição mundial. E o principal símbolo disso que menciono foi nosso técnico nesse torneio, Carlos Caetano Verri, popularmente chamado Dunga. Atentem ao fato de chamá-lo “símbolo” e não “culpado”, isso será importante para o entendimento do que vai escrito.

Desde o início da Copa do Mundo da África do Sul – acredito todos se lembrarem – notamos um comportamento diferente do nosso selecionado. Diferente principalmente quando associamos ao vivido em 2006, na Copa da Alemanha. Naquele momento nossa seleção não chegou a disputar a final da copa e tornou-se símbolo de ostentação e falta de compromisso pelas suas inúmeras festas, entrevistas, firulas e brincadeiras descompromissadas. Para fugir desse estereótipo nosso então técnico Dunga optou por fechar e blindar a seleção de entrevistas, eventos, bagunças e badalações. E ele – Dunga – assumiu uma postura entre sisuda, rancorosa e francamente hostil à imprensa e à mídia de forma geral.

E aí chegamos perto do cerne da ideia do texto, a demonização dos alvos errados. Dunga tem – acredito que hoje muito mais – uma história de rancor sincero com alguns momentos da sua carreira. Foi seu nome que ilustrou a fraca seleção brasileira da Copa de 90, muito apegada a esquemas travados e defensivos, sem criatividade e sem capacidade de ataque e conversão em gols. Uma seleção sem nenhum vínculo com a tradição do famoso futebol brasileiro.

Em 94, agora como capitão da seleção brasileira, Dunga parecia acreditar que iria apagar de vez essa mácula em sua história, e a conquista do caneco nos Estados Unidos lhe deu a chance de derramar uma enxurrada de palavrões no momento em que erguia a taça, principalmente desferidos contra a imprensa. O momento que deveria ser de glória se tornou – egoistamente – um momento de desabafo tosco e grosseiro.

Até se entende então tamanha carga de rancor e azedume nesse senhor, mas o problema é que isso não se limita à sua vida particular. Dunga sempre se esqueceu do seu papel de figura pública, acessível ao país em específico e ao mundo de forma geral. Então entende-se o rancor, mas não se aceita sua demonstração.

Dunga chegou a um certo extremo de descontrole durante a Copa de 2010 ao pronunciar palavrões durante uma entrevista coletiva, palavrões captados pelos microfones e presentes do local. De novo é importante relativizar, ninguém questiona o direito do Sr. Carlos Caetano de xingar alguém, recurso humanamente aceito de aliviar algum desconforto. Mas questiona-se SIM, o direito de se valer do seu papel de técnico de uma seleção nacional em um evento mundial transmitido em tempo real para todo o planeta para dar vazão aos seus maus-humores.

Parece ruim, mas torna-se ainda pior. Muita gente aplaudiu o gesto, esquecidos que ficaram das regras que deve se sujeitar uma figura pública, e mais esquecidos ainda das boas normas de educação que aprendemos entre chineladas na nossa infância (a maioria de nós, quero acreditar).

Alegaram que seu apoio se devia ao gesto de “peitar a Globo” e que isso já devia ter sido feito. Sim, concordo que os privilégios que a citada empresa de comunicação possuía em outros anos gerou muitas situações francamente inadequadas, ranços, competitividade nada saudável e uma atitude arrogante e superior em muitos de seus profissionais. Concordo ainda que o tratamento às empresas de comunicação deve ser igual, visto que a seleção representava ali um país (o que é muito diferente, vejam bem, de “a seleção pertencia a um país”. A CBF nem a FIFA são estatais de lugar nenhum, são empresas particulares e que – horror! – tem donos).

Mas acabar com privilégios não combina com bestialidade. Tudo poderia ser feito como dizia o spam que correu à época, em que uma bela repórter foi barrada na porta da concentração e proibida de realizar uma exclusiva, ou que jantares foram cancelados. Tudo isso seria sensacional. Mas aí lá foi Dunga com seu jeito destrambelhado, estúpido e irracional enfiar o pé na canela da situação. O que era bom virou desastre.

E Dunga novamente vira um símbolo do destempero dessa Copa, tristemente sinalizado por Felipe Melo se amontoando nas pernas de um jogador holandês e sendo expulso. E reforço novamente que Dunga virou símbolo, já que a culpa tinha muitos donos e um grande dono e responsável no homem que comanda a CBF, Ricardo Teixeira, que depois de forma covarde criticou o técnico e o jogou aos lobos em uma entrevista. Um canalha nunca se trai.

Mas quando digo que o ruim pode se tornar pior, pois ainda piora mais. As pessoas que começaram a aplaudir esse ogro como um herói da isonomia entre empresas de comunicação começaram a se vestir de armaduras e pinturas de guerra, e então qualquer um que não concordasse com as atitudes do bestunto técnico era logo marcada com o sinal da traição.

Criou-se no país, de alguns anos para cá, uma atitude que nunca antes na história desse país aconteceu: a dualidade odiosa. Tornamo-nos uma raça de fanáticos, que não aceita o contraditório. Criticar Dunga era ser anti-patriótico, torcer contra o Brasil; falar mal da seleção então era crime de lesa-majestade e amizades foram ao lixo por causa de um comentário besta como “Felipe Melo ainda vai fazer besteira nessa copa”. Meu deus, era óbvio que o moço ainda ia dar trabalho, não tem uso perfeito dos poucos neurônios surgidos na cabeça, histórico de agressões em campo, pouquíssimo futebol para mostrar, era uma aposta ganha que ainda ia fazer burrada, como fez. Ainda assim os “patrióticos” se doíam em urros compungidos a cada crítica publicada contra o animal descontrolado. Críticas se tornaram “perseguições”.

Então surgiam críticas às pessoas que usavam bandeiras brasileiras em seus carros, porque segundo os donos da verdade patriotas, os ordinários só usavam a bandeira em época de copa, por moda, e não tinham esse direito. Uai, mas eu torço para uma seleção, um time de futebol, e a única bandeira existente para representar essa seleção é a bandeira do país, então nada mais natural que usar essa mesma bandeira para torcer para esse mesmo time. Em momento nenhum aquelas bandeirinhas de copa significavam amor a mais ou a menos pelo país. Era pelo time! E eu não preciso de ninguém para me dar o direito de usar ou deixar de usar a bandeira do meu país, quem me dá esse direito é a Constituição.

Mas aos fanáticos nada é tão compreensível e simples. E então a vilania se torna método, e o comportamento dualista se reflete em várias outras situações do cotidiano do país. E então qualquer crítica é vista como ameaça e declaração de guerra. Não se permite mais o contraditório, precisamos alinhar e pensar todos iguais sob pena do preconceito ao diferente.

Aprendemos com Dunga tão bem a tratar os adversários, que agora não aceitamos a existência dos mesmos. Deixamos de ser uma nação de pessoas doces, para combatentes da verdade armados e putos. Um comportamento desses não se constrói durante os trinta dias de uma copa, não há dúvida, mas pode se cristalizar de forma definitiva depois de uma Copa frustrada e atravessando um ano eleitoral.

Tenha medo, leitor, tenha muito medo, porque o risco de nos tornarmos rivais de mesmo solo é grande. Os opostos vão se repelindo cada vez mais, as amenidades somem, a elegância é posta no paredão e então vamos deixar finalmente de ser uma pátria de chuteiras – símbolo que foi de paixão, de beleza, de trato na bola, de Didi, Gérson, Tostão e outros – para nos tornarmos realmente uma pátria de ferraduras.

E dentes arreganhados em ódio. Ou será em medo?

 

 

 Há braços!

 Eduardo Mesquita, O Inimigo do rei

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