A IBM estaria negociando a compra da Sun Microsystems, segundo fontes próximas ao assunto, informou nesta quarta-feira o site do jornal The Wall Street Journal. A aquisição poderia reforçar a presença da IBM na internet e no mercado de telecomunicações e software.
A IBM pagaria até US$ 6,5 bilhões pela Sun (US$ 8,75 por ação), de acordo com o site Computer World, quase o dobro do valor de mercado da companhia, que fechou a terça-feira em US$ 4,97 por ação. Esta seria a maior aquisição da história da IBM.
Segundo o Wall Street Journal, há alguns meses a Sun vem procurando grandes empresas de tecnologia para uma possível aquisição. HP e Dell não teriam demonstrado interesse.
O jornal afirma que as negociações seriam baseadas no interesse das duas companhias em criar sistemas de computação para clientes corporativos que não dependam de software da Microsoft, e que ambas apóiam o uso de software livre Linux e Java e procuram crescer no mercado de computação em nuvem.
A Sun é uma das maiores concorrentes da IBM, e a aquisição aumentaria a participação da IBM no mercado de 9,6 pontos percentuais a 43%, afirma a Bloomberg. Assim, a companhia tomaria a liderança da HP, que tem participação de 30%.
Sun e IBM não quiseram comentar os rumores sobre as negociações, segundo o Guardian.
Investidores pressionam por venda da Sun
A Sun Microsystems está nessa situação, sendo forçada a organizar sua venda, ou parte de seus ativos, diante de uma crise financeira mundial que aumenta os problemas que atingem a fabricante de computadores de alto desempenho. A empresa vem enfrentando problemas desde o estouro da bolha da Internet no início dos anos 2000.
No último mês, a empresa de investimentos Southeastern Asset Management anunciou que se tornou a principal investidora na Sun, detendo um quinto de suas ações, e informou que pode abordar o conselho de administração da empresa sobre negociações com “terceiros” sobre alternativas.
Outros investidores, como a empresa de private equity Kohlberg Kravis Roberts (KKR) , também poderão apoiar uma possível venda para recuperar dinheiro. A KKR tem um assento no conselho da Sun e teve de registrar perda contábil de 700 milhões de dólares relacionada a investimento na companhia.
“Eu não vejo uma estratégia convincente apresentada pela administração”, disse Shebly Seyrafi, analista da Calyon Securities, acrescentando que a Sun pode estar pressionada para ser dividida em duas se a direção falhar em reanimar a companhia.
As ações da Sun despencaram 77 por cento este ano, mais que o dobro do recuo do índice Nasdaq. Na terça-feira, os papéis da empresa encerraram cotados em cerca de 4 dólares, o menor valor em 13 anos. A ação se desvalorizou 98 por cento desde 2000, época do boom das empresas de tecnologia.
Em outubro, a Sun sofreu prejuízo trimestral de 1,7 bilhão de dólares e o presidente-executivo, Jonathan Schwartz, disse que medidas de corte de custos estavam sendo trabalhadas.
Juntamente com IBM, a HP e a Dell, três especialistas do setor de tecnologia citaram Cisco e Fujitsu como interessados naturais na Sun. Eles falaram sob condição de anonimato, já que disputarão o negócio se a Sun se colocar à venda.
Mas essas companhias podem não querer enfrentar o desafio de integrar a Sun, que tem um valor de mercado de cerca de 3 bilhões de dólares, diante das turbulências da economia.
A Sun pode ser mais bem-sucedida se dividir as suas áreas de software e hardware e vendê-las separadamente, apesar que a avaliação do valor das unidades pode representar um desafio diante do grau de integração delas.
Bolha
Sun tornou-se conhecida na década de 1990, quando pequenas empresas iniciantes de tecnologia corriam para comprar os computadores sofisticados da companhia, que executam o sistema operacional da empresa, o Solaris, há tempos usado pela indústria de serviços financeiros.
Quando a bolsa da Internet estourou entre 2000 e 2001, o financiamento de tais empresas iniciantes secou e grande parte da demanda pelos computadores da Sun sumiu. As companhias de Internet passaram a comprar servidores mais baratos equipados com o sistema operacional livre Linux.
O porta-voz da Sun, Shawn Dainas, afirmou que a companhia teve discussões produtivas com acionistas mas não quis dar mais detalhes. A KKR não comentou o assunto e a Southeastern não retornou ligações.
Um dos negócios que a Sun pode vender com relativa facilidade é a StorageTek, uma companhia de armazenamento de dados comprada pela empresa em 2005 por 4,1 bilhões de dólares. Atualmente, membros do setor bancário estimam que a StorageTek valha entre 750 milhões e 1 bilhão de dólares.
A Oracle também poderia ser uma compradora provável da área de software da Sun, afirmaram os especialistas.
Uma das áreas que deve continuar na Sun é a divisão MySQL, a produtora de software de banco de dados de código aberto, comprada pela Sun por 1 bilhão de dólares este ano. A performance da MySQL ainda não justificou o preço pago, mas a empresa é vista como importante para os planos de crescimento da Sun, informou uma pessoa próxima da compra da companhia pela Sun.
Apesar da pressão sobre os preços dos ativos da Sun, o analista Trip Chowdhry, da Global Equities Research, alertou que os interessados em adquirir a companhia devem pensar duas vezes.
“Se você comprar essa companhia, vai estar comprando problema”, afirmou. “A estrutura de custo bateu no teto. A linha de produtos futuros não existe e clientes estão saindo. Quando você considera essas coisas, somente uma companhia estúpida pensaria em comprar a Sun.”
Fonte: Reuters
Quem diria que a IBM estaria então cogitando se tornar uma companhia estúpida? Será estupidez ou uma grande oportunidade que se avizinha? Acompanhem os próximos capítulos.
O mercado é dinâmico, surpreendente e para quem tem competência e arrojo.
Há braços!
Eduardo Mesquita
eduardo@ideiadiferente.com
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