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Carlos Caetano anunciou a seleção. E você com isso?

Carlos Caetano anunciou a seleção. E você com isso?

Hoje dia 11 de maio, acabamos de ver a convocação da Seleção Brasileira de Futebol, do técnico Carlos Caetano Bledorn Verri, também conhecido como Dunga. Já foi um prenúncio do que vem por aí, e não estou falando – ainda – da escalação propriamente dita, mas sim do movimento e do frisson que anteciparam a “anunciação” do elenco canarinho. Há dias estamos sendo bombardeados por notícias, análises, previsões,  predições e maldições sobre a escalação que a seleção levará para a Copa do Mundo agora em junho na África do Sul.

Em alguns momentos realmente tínhamos a impressão de que essa era a notícia mais importante de nossas vidas e que deveríamos parar tudo quando chegasse a hora da entrevista coletiva do técnico Carlos Caetano. É só futebol.

Só.

Não quero dizer com isso que não vou torcer pela seleção, até porque copas do mundo tem o fascinante efeito de me emocionar às lágrimas realmente. Mas ainda assim é somente futebol, um esporte, entretenimento, diversão e que é parte importante da vida, mas não é a vida. Ao menos não é a minha. Nem a de muita gente que eu conheço e de um monte de outros que eu não conheço.

Quando ia para o almoço ouvindo o noticiário na rádio CBN fui surpreendido com a interrupção de uma análise sobre a inflação na China e seus reflexos na economia mundial pela informação de que a transmissão seria interrompida às 13 horas para a apresentação ao vivo da escalação da seleção. E não foi o Juca Kfouri que fez esse anúncio, foi o próprio Carlos Alberto Sardenberg, jornalista  respeitado e tido e havido em assuntos “sérios”.

Teremos de agora em diante um bombardeio de informações e impressões sobre futebol, sobre a copa, sobre as chances, sobre a história e tanta coisa que envolve esse evento universal. Reconheço o tamanho e a importância – lembre-se que sou torcedor da seleção empolgado – mas não posso aceitar como normal que um país se envolva dessa forma numa atração esportiva.

No congresso o líder do governo – Dep. Cândido Vaccarezza (PT – SP) – apresenta a sutil sugestão de interromper as atividades parlamentares antes do início da Copa do Mundo. Entenda melhor, parariam de “trabalhar” no dia 10 de junho, depois viria o recesso de meio de ano, depois viriam as festas juninas, depois viriam as eleições, então seriam as festas de fim de ano e então 2011. Ou seja, para muitos parlamentares o ano e o mandato se encerrariam antes da Copa do Mundo, praticamente sete meses de férias PAGAS para nossos diletos e sérios parlamentares.

Tudo isso é preocupante. Mais preocupante que o meio de campo com Josué, Kleberson e Elano, podem acreditar.

Mas de tudo se aproveita alguma coisa: a não-convocação do atacante flamenguista Adriano. Não sou da fanática torcida Anti-Flamengo e nem tenho nada particular contra o assim chamado “Imperador”, mas o fato dele ter sido barrado na seleção foi muito emblemático e mandou uma mensagem bastante positiva para todos os envolvidos com a seleção (ou seja, 99% do país).

Adriano não foi convocado por seu comportamento errático e condenável fora de campo. Dentro de campo conduziu seu time ao campeonato nacional, e isso é inquestionável, mas fora de campo protagonizou cenas lamentáveis de despreparo, irresponsabilidade e falta de bom senso.

Quando Carlos Caetano não o convoca, manda uma mensagem para todos os jogadores que aspiram ir a uma copa do mundo: “Não basta fazer muitos gols ou resolver dentro de campo, ser da seleção é muito maior que isso”. Melhor apresentando o conceito, ser um jogador da seleção é ser um exemplo, é ser um ídolo, é ser um alvo de comparações, nem sempre justas. Mas ainda assim os eleitos para uma seleção precisam ter a clareza de que o que faz um jogador de elite (leia “profissional de elite”) é um conjunto de habilidades, características e acima de tudo, comportamentos.

Como não é suficiente um vendedor vender muito. É importante também que seja um profissional que agregue a equipe (treinando novatos e orientando quando de comportamentos inadequados), faça excelentes atendimentos (e algumas vezes até não venda, mas atenda o cliente de forma inesquecivelmente positiva), tenha foco na rentabilidade do negócio (evitando descontos irresponsáveis para fechamento de venda) e visão estratégica de sua importância e da importância da sua marca no mercado.

Adriano, mesmo sem querer, ajudou na formação de muitos profissionais de inúmeras áreas de atuação, quando se manteve festeiro, arruaceiro, irresponsavelmente baderneiro, quando escolheu como amada uma doida descontrolada e quando se esqueceu de que – como pessoa pública que é – sua vida é propriedade de todos. Para qualquer profissional essa máxima é verdadeira.

“Mas eu não estou no meu expediente” não pode ser desculpa para nossos profissionais-torcedores que vão subir nas mesas gritando em bares lotados, ou que sairão nas ruas dirigindo de forma assassina mostrando dedos e gestos para os que não o atendem da forma desejada. Esses profissionais podem estar ofendendo ou atropelando um futuro cliente, parceiro ou concorrente, ou até mesmo atuais e não futuros. Nossa carreira profissional se desenha em atitudes e comportamentos que acontecem a todo instante na nossa vida, e ou leva-se isso a sério ou corre-se o risco da inércia, da lentidão ou do óbito profissional.

Esse ano temos Copa do Mundo. Carlos Caetano escolheu seus comandados, temos agora um período sagrado para reclamações e ofensas à escolha do mais novo dos anões, e depois é gritar, sofrer, chorar e gargalhar com resultados que virão. Alguns nossos, outros não (como na saída da Argentina na primeira fase na última copa), mas todos compondo o mosaico de um momento marcante da nossa vida.

Organizar a casa, preparar para dias produtivos interrompidos por jogos, gelar a cerveja e o refrigerante, salgar a carne, separar a camiseta amarela e viver intensamente. Ainda que no início desse texto eu tenha condenado tanta dedicação a um esporte, chegando até aqui eu me sinto um pouco mais descontraído e relevo, afinal de contas, Copa do Mundo só vem de quatro em quatro anos e dura só trinta dias. Porque não aproveitar?

 

 

Há braços!

 

 

 

 

Eduardo Mesquita

eduardo@ideiadiferente.com

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Eduardo Mesquita

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