Ana Tereza Siqueira – RH BR Home Centers (Tend Tudo e Casa Show)

“ A BR Home Centers tem uma parceria de longa data com o consultor Eduardo Mesquita que engloba trabalhos de Capacitação para Equipe Comercial, Treinamentos Outdoor e Motivacionais. Todos estes trabalhos são marcados pela grande criatividade, dinamismo e habilidade de relacionamento do Eduardo, fazendo que se tornem realmente relevantes para nossas equipes. É muito bom poder contar com esta parceria para o desenvolvimento do nosso capital humano!”

Falar em público – o que fazer?

Falar em público…

Tornou-se clichê o comentário (que uso frequentemente em treinamentos e cursos) de que uma pesquisa dos anos 80 nos Estados Unidos apontou a morte como o segundo maior medo na vida dos norte americanos em geral; sendo que falar em público é o primeiro maior medo desses mesmos sujeitos. Mas clichês existem por sua força e por sua longevidade, se provando e comprovando repetidas vezes ao longo do tempo e esse citado não é exceção. Muito antes, esse clichê confirma a regra.

Trabalho com treinamentos, palestras, aulas e cursos a muito tempo e sempre vejo a dificuldade dos profissionais em se levantar em meio a um grupo e manifestar suas ideias de forma coerente e estruturada. Se pensarmos numa apresentação coerente, estruturada e também apaixonada, cativante, envolvente e empolgante aí estamos na seara do deserto das intenções, onde realmente muitos pretendem chegar, mas poucos se atrevem a tentar. Ainda é prática usual se esconder atrás das principais dificuldades para justificar a ausência da sua voz em meio a grupos e plateias maiores que a pessoa amada ou dois amigos na mesa de bar.

Isso se mostra desde muito cedo na carreira, ainda em ambientes escolares/universitários quando encontramos pessoas que se prestam a fazer os trabalhos, digitar, pagar as encadernações, servir suco para a banca, lavar os carros do estacionamento… qualquer coisa desde que possa ficar livre da apresentação. Isso no ambiente acadêmico, onde todos se encontram para aprender! E o processo do aprendizado inclui tentativa e erro, ao menos em seu nascedouro.

O mercado cobra caro por essa iniciativa de fuga, porque dificilmente vamos ter cargos muitíssimo bem remunerados para quem digita trabalhos, serve suco ou lava carros. Mas o mercado paga muito bem às pessoas que conseguem apresentar suas ideias, argumentar com os presentes, convencer as pessoas e conduzir o mundo no rumo das suas convicções. O mercado gosta de gente que sabe se expressar e isso se reflete em visibilidade, negócios, resultados e uma vida mais tranquila com o passar do tempo.

O medo existe? Naturalmente, e é bom que exista. O medo nos impede de cometer muitas asnices ao longo da vida, e nos mantém vivos e íntegros com o passar do tempo, nos permitindo uma velhice com conquistas, realizações e alguns arrependimentos. Mas deixar o medo dominar nossas ações é inverter essa velhice, tendo então montes de arrependimentos e algumas conquistas. Aceitar o medo, viver o medo e então aprender a lidar com ele são os passos mais adequados aos que buscam destaque num mercado cada vez mais agressivo, competitivo e desleal. Num mercado em que existe – SIM – sorte, momento certo, oportunidade e apadrinhamento. Mas que ainda assim é um mercado que aprecia preparo, conhecimento, competência e arrojo.

Você tem medo de falar em público? Bem vindo à maioria da raça humana. Agora saia da massa ignara e seja parte daqueles que, apesar do medo, tentam fazer algo com relação a isso. E quando você estiver magnetizando uma plateia com suas palavras e seus olhares, vai se lembrar de um dia em que no auge do desespero e da taquicardia, você teve a insensatez de se oferecer para digitar o trabalho ao invés de brilhar e colher conquistas.

Há braços!

Eduardo Mesquita

eduardo@ideiadiferente.com

twitter/facebook – @eduardoinimigo

Os novos ventos sopram no RH.

Muito já se disse do papel de mudança do setor de Recursos Humanos dentro das organizações. Mas apesar de tudo que se diz o maior exemplo desse “papel de mudança” sempre se limitou a discussões bobas e vazias sobre o nome do setor/área, e nisso também se via a pobreza criativa dos envolvidos na discussão. Então se “Recursos Humanos” já havia sido um termo moderno e prafrentex, de repente se tornou algo antiquado e voltado para peças e equipamentos,  e não para pessoas. E com base nesse raciocínio surgiram tentativas bobocas de renomear a área como Gestão de Pessoas, Gestão de Talentos, Gestão de Gente, Talentos Humanos, Recursos de Gente ou até mesmo ideias baseadas em temas como amor, paixão ou tesão. Bobagem! Uma tentativa tonta de mexer na forma sem questionar o conteúdo.

Vivemos tempos agressivos no mercado corporativo, em que iniciativas nascem e fenecem na velocidade dos cliques frenéticos em redes sociais, e o setor que se dedica às pessoas e suas relações continuava a perpetuar velhos comportamentos anacrônicos e pouco eficazes. Ainda se ouve gente da área com o discurso de que as iniciativas de RH são “subjetivas” e portanto pouco afeitas ao controle e avaliação. Uma boa desculpa para gastos desenfreados e pouca cobrança, ou seja, uma realidade distante das margens de lucros estreitas e dos mercados canibais em que as empresas navegam.

Ainda se vê inúmeros profissionais (?) de RH com posturas subservientes às esferas de poder, preferindo manter seu emprego a defender suas crenças, anulando assim sua capacidade de questionamento e transformação e negando seu papel de agente de mudança, transformação, crescimento e evolução dentro das organizações.

Pois é muito bom ver que o mercado segue suas regras, e o novo sempre vem, como disse o poeta. Lendo hoje os classificados de um jornal de grande circulação vejo um anúncio que pode não ter provocado arrepios de medo ou excitação na maioria dos viventes, mas que sinaliza uma reviravolta para quem puder ler com atenção.

O maior grupo de mídia e comunicação do estado de Goiás, representante do maior grupo de comunicação do país, procura um Analista de RH. Até aí nada de novo no front. Na descrição dos requisitos surge uma inovação. Dentre os cursos superiores apontados como interessantes para os candidatos apresentam-se Contábeis, Administração de empresas ou Gestão de RH.

Notaram? A primeira grande novidade é a completa ausência da menção ao curso de Psicologia. Mesmo sendo uma vaga de perfil voltado para o Departamento Pessoal, ainda assim causa espécie a falta da menção do curso de Psicologia num anúncio de RH. Não deveríamos nos espantar. A psicologia, que dominou a área de RH no país nos últimos vinte e poucos anos vem substancialmente perdendo espaço nas mesas espaçosas que se decidem coisas nas empresas. Infelizmente isso se deve a um distanciamento cada vez maior das ideias psicológicas dos ideais corporativos. E não porque sejam naturalmente antagonistas, mas porque uma casta dominante psicologizante opta, cada dia com mais ênfase, por uma visão paternalista e assistencialista nas suas atuações profissionais. Por força dessas decisões os psicólogos, em sua maioria, afastam-se cada dia mais da postura do administrador (muito afeito ao mundo corporativo, até por uma questão óbvia de DNA) e se aproxima do profissional de Assistência Social.

Certo ou errado? Isso não importa, é uma constatação de uma escolha grupal, permitindo assim a entrada de outras formações na área hoje muito carente, e mais ainda, delimitando o futuro e o papel histórico de toda uma categoria profissional. Então não importa se é certo ou errado, importa que É. Hoje os psicólogos que se voltam com ênfase para o comportamento corporativo acabam por se destacar no mercado como profissionais que possuem um diferencial, um plus que permite melhor desempenho ao mesclar a visão humanista e mais subjetiva do humano, com a visão pragmática e objetiva das empresas.

Mas não só isso chama atenção no anúncio dessa grande corporação. Destaca-se o fato de se procurarem profissionais do curso de “Gestão de RH’. Sim, estamos falando de cursos tecnológicos, de menor duração, consequente menor investimento de tempo e de dinheiro; e de resultados mais urgentes. Já ouvi de alunos e professores de cursos tecnológicos o lamento de que o mercado não aprecia esses formandos, pelas características distintas de seus cursos, pois eis que esse anúncio vem mostrar que esse chororô é apenas isso: chororô. O profissional formado em Gestão de RH, para manter o foco nesse anúncio de hoje, possui conhecimento necessário para gerir uma área de RH, especialmente uma área de Departamento Pessoal, mais afeita às tecnicalidades do setor e às questões burocráticas da função. Esse profissional se forma em menos tempo, tem um foco obsessivamente voltado ao resultado de sua diplomação e já – em sua imensa maioria – se encontra no mercado de trabalho.

Não se trata, portanto, de um jovem imaturo e inexperiente com um diploma. Temos então um jovem, porém com muita maturidade, foco, objetivo e busca ansiosa por resultados. A pessoa que busca um curso tecnológico ou mesmo um curso técnico precisa alcançar resultados ainda durante o curso, não podendo se dar ao luxo de esperar uma diplomação e formatura para começar a perseguir resultados. Esse formando já apresenta, então, desde seu curso o tipo de comportamento que as empresas precisam e já vivenciam em suas estratégias globais.

Esse anúncio no jornal de hoje mostra que o mercado está em transformação inequívoca, que os novos ventos já chegaram também no setor de RH e que bancar-se refratário a isso será apenas uma tola questão de quanto tempo ainda se poderá sofrer. O destino dessa prosa todos sabem qual é: um mercado oferecendo oportunidades para os que tiverem o comportamento adequado e não o diploma certo. Nos níveis de diretoria já há muito tempo temos gente de RH vinda da engenharia, da filosofia e da matemática. Isso agora começa a chegar nos níveis gerenciais.

Quem viver verá, muito ainda vai mudar nessa área. As oportunidades se desenham, e os que estiverem dispostos a viver o contínuo processo de evolução e crescimento que tanto se prega nos treinamentos e cursos, entre cooffe breaks e coxinhas, estes terão água mais fresca e sombra mais aprazível. Aos outros o sol de todos os dias.

E ainda assim pode ser muito mais do que merecem.

Em frente!

Há braços!

Eduardo Mesquita

eduardo@ideiadiferente.com

Twitter/Facebook – @eduardoinimigo