Ah, a verdade!

A verdade, apenas a verdade.

“Senhoras e senhores, bom dia. Desejamos boas vindas à Veritas Airways, a companhia de aviação que realmente é honesta. Mantenham seus cintos apertados, seu assento na posição vertical e sua mesa presa. Na Veritas Airways, sua segurança é nossa prioridade. Quer dizer: quase. Se fosse verdade, nossas poltronas estariam de costas como as dos aviões militares, o que seria mais seguro numa aterrissagem de emergência. Mas aí ninguém compraria nossas passagens e iríamos à falência.

Nossas comissárias de bordo estão apontando as saídas de emergência. Esta é a parte deste anúncio na qual os senhores devem prestar atenção. Então deixem de lado as palavras cruzadas por um momento e ouçam: saber onde são estas saídas faz uma diferença fundamental que pode salvar-lhes a vida se for preciso evacuar o avião. E também mantenham seus cintos de segurança apertados mesmo se o aviso luminoso estiver desligado. É para protege-los do risco de turbulência de bom tempo, um distúrbio raro mas feio que pode causar danos sérios. Imaginem os pesados carrinhos de comida pulando no ar e se chocando contra os bagageiros e os senhores terão idéia de como pode ser feio. Não queremos assustá-los. Mas mantenham os cintos apertados.

Coletes salva-vidas podem ser encontrados sob suas poltronas, mas deixem-nos lá por hora. Aliás, não é necessário sequer procurá-los. No caso de um pouso forçado sobre água, um milagre sem precedentes terá ocorrido. Na história da aviação, o número de naves de grande porte que pousaram com sucesso em água é zero. Este avião está equipado com escorregadores infláveis que podem ser utilizados como botes. Não que faça qualquer diferença. Podemos até sugerir que retirem seus capacetes espaciais e cintos anti-gravitacionais já que a idéia de usar os escorregadores como botes é coisa de ficção científica.”

Com sua ironia peculiar, a revista britânica Economist sugere como deveria ser o discurso a bordo dos aviões. E aproveita para entrar na questão dos celulares:

“Por favor, desliguem seus telefones celulares já que eles podem interferir com nossos sistemas de navegação. Ao menos, foi o que sempre falamos. A verdade é que pedimos para desligá-los porque interferem com as comunicações quando estamos em terra, no aeroporto, mas explicando assim não parece tão grave. Na maioria dos vôos, alguns celulares continuam ligados por esquecimento. Se realmente fosse perigoso, não permitiríamos que fossem embarcados.”

Esse texto foi publicado por Pedro Doria, no saudoso site www.nominimo.com.br (de excelentes lembranças!). Curioso como em muitos mercados e organizações a verdade é um discurso poderoso e eficaz, porém apenas isso: um discurso. Alguns dizem que é impossível ser absolutamente sincero e franco o tempo todo, porém a imensa maioria não tenta essa aventura em tempo algum.

E as suas relações na sua empresa? São baseadas na verdade? Seus clientes recebem orientação adequada sobre os serviços e produtos que adquirem? E os profissionais que compõem a equipe, recebem treinamento constante visando atualizá-los e deixá-los preparados para as situações cotidianas da operação?

Pense nisso, e pense em quanto seria interessante (ou extenuante?) um dia que vivéssemos como o personagem de Jim Carrey em “O Mentiroso” (“Liar, Liar” de 1996)?
Há braços!

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