Cala a boca, Nascimento!
Talvez a essa altura dos fatos você já tenha visto o vídeo de Carlos Nascimento, âncora de telejornalismo do SBT, em que ele aborda os assuntos mais comentados do momento no país. Se não viu, veja: http://www.youtube.com/watch?v=j_CUqLslASQ.
Honestamente? Nascimento, com uma carreira extensa no jornalismo, já teve momentos mais brilhantes. Ele perdeu uma chance linda de ficar calado. O fato do país estar comentando o “estupro que não foi” (parecendo a Viúva Porcina, a “que foi sem nunca ter sido” – para manter o assunto na Tv) e o meme da garota nordestina em viagem (já encerrada) à América do Norte não é sintoma da nossa “pouca inteligência”, como diz o âncora. Mostra antes que continuamos um país bem humorado, nesse caso; e um país sem costume pela cultura, naquele.
A discussão do BBBB realmente é boboca, já que o que se discute é o estupro que os envolvidos negam ter acontecido, ou seja, nem sequer quem deveria ter sofrido com o ato indefensável está sofrendo. Então para que perder tempo com isso? Porque as pessoas realmente não estão interessadas em discutir Machado de Assis ou ouvir João Gilberto. Porque as pessoas não estão com disposição para debater o que vai no senado federal, e isso realmente mostra o tanto que estamos num momento ruim no país. Não menos inteligente, mas pelo menos muito pouco interessado. Nunca fomos um povo engajado, sejamos francos. Somos o povo que torcia pela seleção e que comprava Fusca financiado enquanto dois grupos brigavam no país para ver quem impunha sua ditadura e sua ideologia. Mortes aconteciam de ambos os lados, e lá estávamos nós urrando pelo “Escrete Canarinho”. E volte no tempo o quanto quiser, e não se encontrará exemplo de movimentação tão ampla assim que nos enalteça enquanto “povo”, “raça” ou o que quer que seja. Nesse caso então Nascimento foi tolo por julgar que já fomos, enquanto bando, melhores que isso. Nunca fomos. Sempre nos interessamos mais pela calcinha ausente da moça ao lado do presidente do que pela quebra da liturgia do cargo. Sempre nos interessamos mais pela cachaça ingerida pelo presidente do que pelas estruturas de dominação que se construíam. Sempre nos interessamos mais se o sujeito mandatário da nação era realmente ateu do que pelas negociatas que corriam subterrâneas buscando aprovações e comercializações.
Não, Nascimento, no caso do BBBB, infelizmente nós nunca fomos melhores que isso. Somos um povo “bunda”. Somos um povo acostumado a fazer piada com desgraça, porque não conseguimos sequer enfrentar nossa dor e nosso luto. Nos envergonha, enquanto nação, ter que sentir algo que não seja risível ou lúdico. Somos crianças ou no máximo pré-adolescentes. E achamos o máximo quando alguém ataca algum fenômeno popularesco porque nos irmanando com esse atacante, nos vingamos do atacado e nos sentimos melhores, intelectualizados, sábios.
Quer saber? Falar mal do BBBB é tão chato quanto assistir e comentar o programa. Talvez seja até mais chato ainda porque é muito falso em sua grande maioria. Esse tanto de gente criticando quem assiste ao programa se desdobra suarento em funks pancadões e comentários de bebedouro sobre a vida sexual do gerente e da secretária. Esse tanto de gente que finge achar “baixaria” o programa voyeur é o mesmo tanto que não abriu sequer um livro no último ano, que não assistiu a uma peça de teatro e que quando escreve o que pensa, escreve com erros de português, acentuação ou concordância. Como diria Pessoa, “ó príncipes, meus irmãos!”. Acompanhando o Facebook ou o Twitter temos a sensação de ser um país de príncipes, nobres consumidores de filosofia existencialista, discutindo Nietzsche enquanto degustam um saboroso e tépido chá de camomila.
Somos um país de noveleiros, torcedores de futebol, bebedores de cachaça e dançadores de Teló ou MC QualquerCoisa. Se a maioria define uma raça, eis o que somos. Então eu pergunto, quando fomos mais inteligente, Nascimento? Sendo assim, cala a boca, Nascimento!
E no caso da Luiza, de novo Nascimento perdeu chance de ouro de ficar quieto. Sim, o meme se tornou viral e isso mostra o tanto que a web é poderosa. E mostra ainda o tanto que a Tv está arcaica, ultrapassada e perdida sem saber acompanhar. Um âncora de telejornal (o formato mais antigo da comunicação atualmente, salvo pequeno engano) se arvorar na arrogância de reclamar de um meme internético me soa como um velho gagá reclamando do bisneto ouvindo música alta. Em ambos os casos é ridículo, por não perceber a distância das posições.
O meme da “menos a Luiza, que está no Canadá” é fenomenal. Além de divertido, engraçado e completamente non-sense para quem não sabe a origem do termo. E até para quem sabe a origem. Só comentando brevemente, tudo começou num comercial de imóveis no nordeste (não vou descer a detalhes de nomes e cidades, procure na rede quem quer saber) em que um figurão político decadente e patético junta a família no fim do comercial para dizer que todos gostaram do imóvel, e com uma cara entre imbecil e atarantado-mal-dirigido abraça uma foto da inocente Luiza e comete o bordão: “Menos a Luiza, que está no Canadá”. Os conterrâneos do coronel político acharam aquilo tão idiota que começaram a desancar a situação repetindo esse bordão com tom cada vez mais cáustico e cínico. Pegou! Caiu na web, virou meme e viralizou.
E aí então o país não pode estar se prendendo a essa discussão, segundo o velho jornalista, porque é bobo? E veja bem, não é o país. É o país que tem algum acesso, ainda que indireto, com a internet. A grande maioria do país nunca ouviu falar disso. Mas para Nascimento, a voz de uma rede de Tv tão moderna e avançada como o SBT, isso é o fim da picada.
Fim da picada, Nascimento, é a falta de humor para uma piada bobinha. Fim da picada, Nascimento, é um merda como você que nunca fez nada para contribuir com algum grau de consciência popular vir agora reclamar dessa manifestação adolescida. Ou em seus anos de Rede Globo você foi assim tão participativo e questionador? Eu nunca vi. Nunca questionou a Globo, nunca questionou os governos militares, nunca questionou nenhum presidente (seja correndo risco de impeachment ou gerenciando mensalão), nunca reclamou sequer de alguma celebridade que cometesse alguma gafe, feiúra ou indiscrição. E lá vem esse senhor reclamar de um piada que o povo está disseminando? Ele vem reclamar do povão?
A origem do bordão memético mostra até uma rebeldia dos nordestinos contra um coronel ultrapassado e sem noção de ridículo. Querendo arvorar alguma nobreza ele expôs a filha que curtia temporada pra lá muito pra lá do Equador. Querendo aparecer ele se tornou o motivador de um enxovalho nacional inesquecível. E se a origem é essa, melhor ainda é a piada. Porque se ao dizer que todo mundo está falando isso, “menos a Luiza, que está no Canadá” eu estou contribuindo para repassar a imagem idiota do coronel político, então eu estou agindo de forma política, coerente e irônica.
Talvez Nascimento queira o povo rindo de “Zorra Total” e “A praça é nossa”, que são grandes expoentes do humor natural, autêntico e puro. Talvez Nascimento queira montar um comitê para determinar o que é engraçado e o que não é. Talvez até Nascimento – e seus diretores – tenham aplaudido o processo ranzinza que Wanessa aplicou em Rafinha, por uma piada de mau gosto. Tá, de péssimo gosto, mas uma piada!!
Reclamar do BBBB é como reclamar do “menos Luiza”, porque tem uma aura fake e canastrona de alta cultura. Não gosta do BBBB? Mude de canal, desligue a tv, vá ler um livro ou plantar um pé de couve, quem se importa? Não gosta que comentem de BBBB em sua timeline do Facebook? Delete a pessoa que comentar, você nem precisa se despedir. Não quer ver comentários sobre a Luiza no seu computador – afinal de contas ele é seu, você pagou em 24 prestações na Casas Bahia – delete quem comenta sobre ela ou usa o meme. Pare de querer aparecer sendo algo que você não é, você que me lê, e você também, Nascimento.
Esse povo que fica arrotando ser bacana na internet é o mesmo que replica mensagens pedindo reenvio de fotos horrorosas argumentando que a família vai ser paga por isso (NÃO VAI!!). É gente que replica qualquer besteira ou frase idiota, bastando estar ao lado de algum artista cool ou personagem charmoso, como Dr. House. Esse povo é o mesmo que multiplica mentiras na rede porque é morto de preguiça de pesquisar a veracidade da informação, ou então porque é burro demais para pensar por dois segundos e ver que algumas coisas não fazem sentido.
Não é uma piada que nos faz menos políticos. É a falta de hábito, a falta de estudo, a falta de leitura, mas principalmente a falta de vergonha na cara e senso de coletividade. Que país é esse que um ministro faz e acontece e nada se escuta? Que país é esse que uma entidade estudantil nacional não se levanta sequer uma vez durante um governo, nem para defender os seus ou para fazer bagunça, pura e simplesmente.
Nascimento, nossos problemas não estão todos resolvidos, e você é um dos sintomas disso. Você e sua forma velha e ultrapassada de vomitar notícias escolhidas para entreter – e nunca para conscientizar – suas testemunhas. Nossos problemas não estão todos resolvidos, porque sequer conseguimos discutir os mesmos atualmente, porque não aceitamos mais o diferente, o antagônico. Vivemos tempos de verdades absolutas e isso não acontece de repente, foi construído. Estamos nos tornando um país de fanáticos, e nesse caso a Luiza é uma brisa de bom humor e leveza nesse país que está ficando sem graça e feio.
Idiota é tua vó, Nascimento. Idiota é teu cabelinho penteado de lado com gomalina. Idiota é teu texto escandido em que você não apita nem sequer em uma linha, mas se propõe a repetir e papagaiar o que os diretores e donos da sua voz decidem. Idiota é quem compartilha esse seu vídeo no Facebook achando que assim está se distinguindo da massa ignara e se tornando mais intelectual.
Luiza já voltou do Canadá, eu sei. Mas esse meme – assim como “All systems go” e “FUuuuuuuuuu” e vários outros – ainda vai durar muito tempo em lembranças e piadas. Uma lembrança que vai durar muito mais tempo que a lembrança de uma forma de jornalismo oca em que um sujeito arrota o que nem sequer entende e ainda aparece como herói para um monte de não-pensantes. Gente que – assim como Nascimento – prefere repetir o que outra pessoa disse para tentar definir o que não entende.
Galvão Bueno – que agora se esforça para acabar com a pouca reputação do UFC no país, com sua narração cretina – arrumou um parceiro. Carlos Nascimento até pode virar novo meme, junto ao “Que deselegante” (que foi muito melhor vivido por sua autora, que inclusive já brincou com ele ao vivo), para ver se ganha alguma notoriedade virtual.
Podemos começar agora. Então quem quiser ajudar, repete na web: Cala a boca, Nascimento!
Há braços!
Eduardo Mesquita, O Inimigo do rei
twitter – @eduardoinimigo
Iniciei minhas atividades de treinamento outdoor com a parceria entre IDEA (www.ideiadiferente.com) e AGREGAR (www.agregarrh.com.br) perto de seis ou sete anos atrás. Parceria essa que encorpou ainda mais com a Casa de Walker (www.casadowalker.com.br). Achei sensacional, a experiência de estar em ambiente natural, vivenciando desafios e acompanhando grupos que seriam levados ao seu limite, proporcionando às pessoas experiências únicas e inesquecíveis. Foram inúmeras equipes nessa atividade, momentos marcantes que tive e que me deixavam cada vez mais empolgado com a ferramenta (treinamento outdoor) e com a situação de estar no meio do mato em atividades tão diferentes do meu cotidiano. Na foto um momento do treinamento realizado com os profissionais do Sicoob Engecred, momento inesquecível, a propósito.
Sim, é isso mesmo. Porque sempre fui muito urbano, apreciador do conforto da civilização e das facilidades da tecnologia. Porém o treinamento outdoor já iniciou um movimento de transformação bem sugestivo. Ao invés de realizar treinamentos e palestras em salas com ar condicionado e pessoas cheirosas e sentadinhas, experimentar realizar a mesma atividade de treinamento e capacitação profissional em meio a mato, cachoeiras, rios e corredeiras. Foi uma descoberta.
Mas em pouco tempo comecei a achar que o treinamento outdoor estava atendendo somente às minhas necessidades profissionais, quanto às pessoais algo já começava a faltar. Isso porque no treinamento outdoor eu controlo as variáveis o máximo possível, sei do caminho, programo tudo que vai acontecer e o desafio fica reservado aos demais participantes. Comecei a ler, pesquisar e tentar descobrir o que fazer para atingir esse próximo grau de satisfação que a experiência em ambiente natural vinha me proporcionando.
Foi justamente nesse momento de inquietação que em uma conversa despretensiosa com meu cunhado, Luiz Botosso Júnior, uma ideia surgiu. Ele foi militar, sempre foi escoteiro, então tem experiência e vivência em atividades na natureza. Ele mal sabia o que eu vinha pensando e buscando, porque sempre havia me visto como o urbanoide esparramado na rede ou entalado nos teclados de computador do meu cotidiano. Pois nessa prosa algo começou a se desenhar.
Alguns dias depois ele me manda um e-mail anunciando o que viria pela frente. O que queríamos fazer se chamava “bushcraft” e poderia ser traduzido de forma muito direta e rudimentar como “artes do mato” ou ainda “artes mateiras”. Envolve uma gama de atividades e técnicas e capacidades de sobrevivência, adaptação e ação sobre o meio ambiente, sobre o ambiente natural. Tudo baseado em técnicas que já fizeram parte do cotidiano normal das pessoas, mas que vem sendo gradativamente deixado de lado com o avanço da tecnologia e da aceleração de nossas vidas.
Nos últimos tempos a Tv vem proporcionando algum contato com esse tipo de situação em programas como “À prova de tudo” e “Survivorman” que são transmitidos na Tv a cabo.
Pois foi ali que eu entendi: sim, é isso que eu quero.
Foram alguns meses de preparação, porque nesse meio tempo eu morri e voltei, precisei ficar de molho alguns meses para me recuperar adequadamente e para voltar a realizar atividades físicas mais intensas. E nesse tempo muita discussão, pesquisa e preparo.
Em nossas prosas agora bem animadas, eu e Júnior fomos criando um conceito. Pois a coisa se mostrava como uma grande aventura realmente, e pela clareza que tenho de que não envelhecemos nunca, mas simplesmente mudamos os brinquedos, montamos um grupo e definimos esse conceito.
Criamos a Divisão S.O.M.B.R.A. (Sobrevivência, Objetivos Mateiros, Busca de Recursos & Adestramento), com regras, normas, slogan e convite oficial aos escolhidos.
Aos olhos não treinados, não existimos.
Nossos propósitos são simples e objetivos. Nossas missões são inúmeras.
Não nos verão chegar, não perceberão quando sairmos.
Somos poucos, não chamamos atenção.
Marchamos em silêncio, não deixamos rastros ou marcas.
As matas são nosso local, os desafios e aventuras nossa razão de existir.
Nós existimos sob o sol, na noite nos misturamos.
Nós somos a Divisão S.O.M.B.R.A. (Sobrevivência, Objetivos Mateiros, Busca de Recursos & Adestramento).
Era chegada a hora de organizar nossa primeira expedição. Por motivos vários, os outros convidados a integrar a S.O.M.B.R.A. não poderiam nos acompanhar na primeira expedição, e então seríamos apenas eu e Júnior, doravante chamados Inimigo e Coyote, nossas alcunhas de selva.
Definimos que iríamos realizar nossa primeira expedição no dia 19 de novembro. Além dessa novidade eu atravessava uma mudança de endereço, com caixas de papelão, coisas quebradas e stress associados. Não seria fácil, mas assim se começa uma aventura. De agora em diante a narrativa já não será mais feita por mim, Eduardo Mesquita, mas sim pelo Guerreiro S.O.M.B.R.A., O Inimigo.
A jornada se iniciaria após o almoço de sábado. Na noite anterior preparei meu equipo. Esparramados sobre o sofá de casa, e grande parte do chão da sala, vislumbrei tudo que havia juntado até aquele momento para me preparar para a missão. Naturalmente muita coisa ali seria desnecessária, mas o processo de montagem do equipo demorou semanas, então ninguém poderia me culpar pelo exagero. Claro que a caixa de pé de moleque teria que ser deixada de lado.
Enquanto separava todo o material em kits (sobrevivência, primeiros socorros, fogo, alimentação) e acondicionava em embalagens plásticas e impermeáveis, percebi que realmente na noite seguinte eu estaria dormindo no meio do mato. Mesmo sendo essa uma missão da Divisão S.O.M.B.R.A. de nível 01 (o nível introdutório, sendo que no nível 05 são vários dias e pouquíssimos recursos. Mas isso é assunto para os DO-I – documentos internos), eu estava ciente da única regra absoluta em todos os níveis de missão: proibido o uso de barracas. Sim, iríamos dormir em redes, no meio do mato. Confesso que tremi nessa hora. A ideia de estar em uma rede exposto a qualquer situação e risco de uma mata era tudo que eu havia procurado, e tudo que agora me deixava com as pernas num momento de menor firmeza. Bambas, para ser sincero.
Respirei fundo e continuei a arrumar meu equipo. Não havia tempo para vacilações, e sendo um S.O.M.B.R.A. eu estaria pronto quando chegasse a hora. Material organizado, tudo pronto para sair, fui dormir. Precisava estar descansado para o dia seguinte.
A manhã correu entre compromissos e preparativos, e quando chegou a hora de sairmos em missão, me aprontei e percebi que se havia alguma imagem ideal de um sujeito pronto para – quase – tudo, ali estava a imagem no espelho na minha frente. Eu estava preparado para uma guerra. E a guerra se travaria entre meus limites e minha curiosidade.
Coyote havia sugerido dois lugares para nossa primeira missão, e lamentavelmente a primeira opção ficou inviabilizada pela irresponsabilidade de uma empresa e pela inoperância governamental. Um curtume jogando dejetos em um rio, poluindo todo um bioma, e nenhuma entidade de fiscalização fazendo o que deveria. Teríamos que ir para nossa
segunda opção, um pouco mais longe. Paramos perto do Rio Anicunzinho (também curiosamente chamado Anicuns Grande) e nos metemos no mato, em busca do local para montar nosso acampamento. E essa primeira incursão já foi uma prova de fogo. Mato fechado, espinhos, mochila prendendo em ramos, facão na mão e o sangue já escorria no meu antebraço. Um corte longo e eu já dava o sangue pela missão. O primeiro ferimento de batalha, afinal de contas não quero morrer sem nenhuma cicatriz (palavras de Tyler Durden).
Achamos um caminho melhor e lá fomos nós. O sol inclemente deveria ter cobrado um preço mais alto das minhas escolhas, porque Coyote tem seu equipamento praticamente todo militar, verde. O meu equipo é todo preto. Charmoso, admito, mas debaixo do sol poderia ter virado uma armadilha. Aguentei bem. Caminhamos muito e achamos um local para nosso acampamento base, algo perto de 600 a 800 metros para dentro da mata, saindo da estrada. Realmente não era muito longe, ainda ouvíamos os caminhões na estrada, mas era suficiente para uma primeira incursão.
Montamos nosso bivaque, instalamos nossas redes, penduramos nossas mochilas e eu já começava a ter minhas lições mateiras, aprendendo alguns truques simples e eficazes, aprendendo alguns nós que me ajudariam muito e logo saímos para catar lenha para o fogo que precisaríamos. Foi mais fácil do que pensei, mesmo tendo um longo embate com um toco mais robusto, que exigiu muito do meu velho facão. Logo o fogo estava aceso e começávamos a preparar nossa janta.
Fiz o meu espeto enquanto Coyote conduzia um arroz na fogueira. Comemos um digno e surpreendentemente delicioso arroz com linguiças assadas no espeto. Uma refeição de um general, e descobri refastelado que come-se bem no mato.
Logo após descobrimos um ponto no rio, logo abaixo nosso acampamento, que nos serviria para pesca. Eu não entendo nada de pesca – assim como outras coisas – mas Coyote havia levando uma pequena varinha de pesca e ali ficamos por algum bom tempo, curtindo o visual e escutando o barulho delicioso do rio correndo entre as pedras. Até ali eu já tinha tido muito para estar satisfeito, mas mal sabia eu que nada havia acontecido ainda.
A noite cai rápido no mato. O barulho no céu anuncia chuva, e ficamos no acampamento saboreando uma deliciosa cachacinha e batendo um papo bom. Quando então um momento mágico, que somente no meio do mato pode-se apreciar. Uma nuvem de vagalumes, com suas luzinhas verdes, surge sobre nosso acampamento. Me senti bem vindo a Pandora naquele momento, tudo lindo, a fogueira, os vagalumes, o cheiro de chuva e a noite se revelava mágica em leds verdes.
Fomos pescar, degustar um charuto (quisera fosse um bom charuto, mas o Titã seria suficiente para uma noite) e mais alguns goles de genuína e generosa cachaça. Coyote volta ao acampamento para buscar iscas e vive mais um momento inesquecível da jornada: dá de cara com uma capivara com grandes olhos assustados, embaixo da sua rede. Ele havia ouvido o tropel de algumas antes, mas não havia visto, mas ao chegar ao acampamento, lá estava uma delas, debaixo da rede, olhando para ele. Duas criaturas assustadas na noite. Um encontro.
Não pescamos nada, mas a prosa se estendeu por horas na beira do rio. Já viveu isso, pequeno gafanhoto? Uma prosa boa, cachaça honesta, charutos e o rugido do rio aos seus pés? Não? Não sabes o que estás perdendo.
Voltamos ao acampamento base para tentar encontrar um local de águas mais tranquilas para tentar a sorte com os anzóis. Um barranco perto da base mostrou-se ideal. E naquela noite tranquila, Coyote falava e contava histórias e eu já começava a ressonar, sonhando até, me preocupando em não dormir e desabar daquele barranco. Encerramos a pesca e resolvemos ir dormir, e quando comecei a arrumar minha rede ouvimos um arrastar forte nas folhas ao nosso redor.
Ligamos as lanternas, meu coração ultrapassou as escalas de velocidade e força. Ficou ainda mais forte e rápido quando percebemos que o que quer que fosse, não havia se afastado quando ligamos nossas lanternas. Fosse o que fosse era muito corajoso, violento ou sem noção. O bicho não havia se assustado, eu estava assustado para mais um ano de pavor. O barulho aumentava, o bicho vinha em nossa direção. Foram segundos – sim, segundos – de intensa expectativa e o barulho aumentava e se aproximava. Eu mal respirava nessa hora e só conseguia pensar em meus alunos, clientes e colegas de banda que eu jamais veria novamente (hehehe). O barulho aumentava e finalmente vislumbrei aquele par de olhos flamejantes e aquela expressão de fúria. Sua cabeça era do tamanho de um frigobar e seu corpo do tamanho de um Fiat 147, escamas do tamanho de bandejas e ali estava ele olhando em meus olhos: o poderoso Tatu Dragão!!
Tá, tudo bem, não era assim tão grande, mas lembre-se do medo que eu estava passando. Era um tatu bem grandinho, um tatuzão mesmo. Do tamanho de um cachorro grande, tipo um enorme Shitzu bravo. Olha, pode parecer exagero, mas aquela hora da noite, quase madrugada, no meio do mato, naquela barulheira toda, ele podia pesar meio quilo que para mim ainda ia parecer o temível e assombroso Tatu Dragão!!!
Entramos em frenética perseguição, mas era uma espécie de Tatu Vietcongue, profundo conhecedor do terreno e dos intestinos do terreno. O bicho desapareceu completamente.
Como dormir depois desse susto? Muito fácil, só estar detonado de cansado como eu estava. Vesti minha balaclava – para não entrar inseto na boca ou na orelha – e dormi o sono dos justos e inocentes. Aquela rede era uma cama do Blue Tree naquele momento, acreditem.
Acordei bem cedo, o dia começava a romper, a rede começava a esfriar e eu vi o dia clarear de forma magnífica. Um café da manhã digna de nobres, com café de fogueira (feito com água de vagalumes), pão, castanhas variadas e smoked water (água enfumaçada, no nosso dialeto, um gosto de fumaça de lascar).
Saímos para explorar o local, e eu tinha uma missão: encontrar o meu cajado para trilhas. Entramos na mata e descobrimos encantados uma enorme família de macacos nas árvores, eles assustados, nós de queixo caído. Uma, duas, centenas e milhares de árvores gigantescas, a umidade elevadíssima, a mata fechada e nessa parte da jornada descobrimos locais sensacionais para uma segunda missão. Para novas bases, e nesse momento nosso “apartamento” ficou sem graça, porque vimos locais muito mais legais para montar nosso acampamento base, locais ótimos para pescar e locais para ficar de bobeira.
Voltamos para a base, pegamos a vara de pesca e iscas e tiramos algumas boas horas pescando na curva do rio, numa pedra especialmente desenhada para nosso conforto. Ali estavam os SOMBRAS e a água fresca, curtindo o ventinho do meio dia. Retornamos à base, fizemos nosso almoço com um arroz e linguiças defumadas e nos preparamos para retornar para a civilização.
Desmontamos tudo, montamos nossas mochilas, apagamos cuidadosamente a fogueira (acabando com qualquer possibilidade de brasa, fagulha ou faísca), apagamos todos os nossos traços e nos dirigimos ao nosso carro. A volta foi recheada de comentários, risadas e novos planos.
Para completar o fim de semana inesquecível, ao chegar em casa pude curtir um maravilhoso momento na piscina com meus tubarões e Minha Delícia. Logo depois as devidas arrumações do equipo e o início da parte mais chata e desagradável da missão: catar os carrapatos no corpo. Eu achei oito em mim, Coyote descobriu 27 nele.
A primeira missão da Divisão S.O.M.B.R.A. foi sensacional. Infelizmente não consegui cumprir a minha missão de encontrar meu cajado para trilha, mas graças a uma dica do Coyote, penso que isso esteja perto de ser resolvido. O BOPE diz que “missão dada é missão cumprida”, nós também acreditamos nisso, mas em algumas situações, nossas missões não são cumpridas, mas são compridas.
Essa foi só a primeira, muitas ainda virão. D2, Dente de Sabre e Claudinho se preparem, nós existimos sob o sol, na noite nos misturamos.
Sou Sombra.
Selva!
Sim, é isso mesmo! A campanha “Parem de replicar besteiras na InFernet” continua, isso porque as oportunidades das pessoas serem enganadas na web são infinitas, e a maioria dessas situações se baseiam na ingenuidade das pessoas. Não são pessoas ruins, as que replicam as mentiras e asneiras, mas são ingênuas ou feitas de tolas.
Hoje pela manhã recebi uma mensagem que me mostrou a seriedade de se continuar a campanha. Trata-se da velha mensagem da Ericsson distribuindo aparelhos, mas agora versão 2.0. Se antes a mensagem dizia que a Ericsson distribuía aparelhos celulares, agora a mensagem apela para algum senso de retribuição (que confesso não saber que diabos é isso. Retribuição por esforço é salário. Ou não?) e alega distribuir “ferramentas”, que hoje em dia são os notebooks. Veja a mensagem que recebi logo abaixo.
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PREZADOS AMIGOS :
Para todos nós que trabalhamos na área, esta é uma oportunidade de
recebermos uma ferramenta básica ao sucesso de nossas atividades
diárias.
Vamos divulgar, pois, para receber a contrapartida de nosso esforço
comum..
Assunto: DISTRIBUIÇÃO DE NOTEBOOK
A empresa Ericsson está distribuindo gratuitamente ‘lap tops’ com o
objetivo de se equilibrar com a Nokia, que está fazendo o mesmo. A
Ericsson deseja assim aumentar sua popularidade. Por esse motivo, está
distribuindo gratuitamente o novo Lap Top WAP.
Tudo o que é preciso fazer é enviar uma cópia deste e-mail para 8
(oito)
conhecidos.
Dentro de 2 (duas) semanas você receberá um Ericsson T18.
Se a mensagem for enviada para 20 (vinte) ou mais pessoas, você poderá
receber um Ericsson R320…
Importante!!!
É preciso enviar uma cópia do e-mail para Anna.swelung@ericsson.com
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Reparem que a mentira foi atualizada de qualquer jeito, e até hoje falam em “tecnologia WAP” que já era velha em celulares quando essa mensagem surgiu na rede. Wap em laptops em 2011 é algo interessante, mas posso ser desinformado já que tecnologia não é minha área. A propósito, de que área a mensagem fala logo no início, porque é extremamente vago “todos nós que trabalhamos na área”. Considerando principalmente que um notebook seria sensacional ferramenta para um consultor, um verdureiro, um traficante ou um político; dada a abrangência de utilidades possíveis.
A mensagem ainda se vale do nome da famosíssima desconhecida inexistente Anna Swelung, porque nem na época original da mensagem a Ericsson identificou essa moça. Respondi com a mensagem abaixo.
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Esse e-mail de distribuição de “notbooks” (nem escrevem direito a mentira!) é um Hoax.
Hoaxes são mentiras que correm na inFernet com propósitos calhordas e criminosos.
Você, que reenviou essa porcaria para um monte de seus contatos, não é um calhorda. É só um inocente útil. Apostando na sua cobiça, boa fé ou inocência, bandidos divulgam essas mentiras pela web para roubar endereços de e-mail válidos, coisa que a mensagem proporciona aos montes. Veja abaixo a quantidade gigantesca de informação dada de graça por gente como você.
Olhem a quantidade de pessoas que passaram a ter suas caixas eletrônicas acessíveis a quem vai abrir contas em sites pornôs ou de remédios piratas, enviar vírus (para depois serem rastreados e processados) e ter sua caixa entupida de porcarias por gente que não tem escrúpulos em fazer isso. Todas essas caixas generosamente oferecidas aos criminosos por gente como você.
Então você acredita que uma empresa possa fazer uma campanha de DAR equipamentos gratuitos? Leia isso em voz alta e veja o tamanho da bobagem “Empresa fica rica DANDO equipamentos gratuitos”. Leu?
Uma empresa dando produtos? Sem falência?
“Mas poderia ser uma grande sacada de marketing!”. E a empresa teria essa ideia genial e não ia gritar isso em seu site?
Então você acredita que a Ericsson fabrica notebooks? Já viu algum?
E a Nokia, qual notebook da Nokia você já viu no mundo?
E como você ia receber um notebook (assim que se escreve) em sua casa SE VOCÊ NÃO DIVULGOU SEU ENDEREÇO?? Chegou a pensar nisso?
Em mais de dez anos de consultoria, seja treinando profissionais, seja prestando serviços de orientação estratégica, seja fazendo campanhas de desenvolvimento, treinamentos outdoor ou mesmo em sessões individuais de coaching, jamais presenciei uma organização desenvolver-se com iniciativas suicidas. O mesmo vale para os profissionais.
Coloque no Google “Notebook Ericsson” e você vai ver uma lista de links desmentindo a mentira que você propagou de forma generosa.
Quer acesso ainda mais rápido? Confira essa lista abaixo de links que desmentem essa mentira, que já corre na rede desde 2000. Começou como distribuição de celulares e em 2007 surgiu com essa versão de doação de notebooks.
http://www.quatrocantos.com/lendas/23_ericsson_nokia.htm
http://fraudesdainternet.blogspot.com/2010/03/fraude-distribuicao-de-notebook.html
http://www.ericsson.com/br/faq – Questão número 05 – o site oficial da Ericsson, note bem!
http://www.e-farsas.com/corrente_ericsson.htm
Qual o problema de divulgar os e-mails dos seus contatos? Confere uma reportagem que saiu em um jornal Português sobre essas mentiras idiotas que correm na rede e que existem para proporcionar dinheiro, acesso e informação aos bandidos virtuais que cercam a web aos montes – a matéria está no www.ideiadiferente.com na Campanha “Parem de replicar besteiras na InFernet”– e que muitas vezes buscam sua aparente generosidade. São os casos das mensagens que falam de doação de dinheiro para quem replicar mensagens de crianças doentes ou fotos de crianças desaparecidas que já existem na rede a décadas.
Parem de replicar besteiras na inFernet sem checar a informação antes.
Sabe o que é pior? Muitos nesse monte de e-mails abaixo usaram seus e-mails profissionais, corporativos, expondo o nome de suas empresas nesse monte de bobagens. Usando espaço dos servidores e tempo útil produtivo para replicar algo que só serve para propósitos maliciosos e canalhas. O que seus clientes, parceiros e fornecedores vão pensar ao ver seu nome associado a uma mentira já tão antiga e ridícula como o conto do “Achadinho”? Qual a imagem que você passa ao mercado ao usar o nome da sua empresa e seu nome profissional com esse tipo de mensagem que reflete ganância, esperteza e cobiça?
Antes de sair replicando mensagens baseadas em ganância ou tolice, cheque as fontes, use o Google (é tão simples! Demora menos que mandar a mensagem para seus contatos) e evite associar seu nome à mentiras e patifarias. Seu nome é seu ativo mais valioso, cuide bem dele, seja no mundo real ou no virtual.
O mercado já é suficientemente complicado, competitivo e cruel sem que a gente crie outros fatores para nos atrapalhar. Na próxima vez que sentir essa grande vontade de clicar em “Encaminhar”, pense o que seus contatos pensariam ao ver você em uma fila de degustação de supermercado querendo comer algo oferecido, mas não para provar e apreciar, e sim querendo comer simplesmente porque é “di grátis”. Essa deve ser uma preocupação profissional constante.
Sucesso!
Há braços!
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Sabe o que mais me chamou a atenção? Alguns dos que enviaram a mensagem tentaram ser mais espertos que os outros, e ao invés de mandar para 20 pessoas, mandaram para centenas de pessoas. E alguns ainda mais malandros mandaram para si mesmo, tentando burlar a pobre esforçada Anna Swelung que teria que monitorar milhões de mensagens enviadas pelo mundo inteiro.
Não se questionaram sobre o modo de rastreamento, não se questionaram sobre as fábricas associadas, não se questionaram pela tolice da mensagem, não se questionaram sequer pela atitude extravagante das tais organizações. Sabe porque? Por achar que reenviar mensagens assim não atrapalha ninguém ou não cria problemas para ninguém. E sabe como podemos comprovar isso? Ninguém enviou a mensagem com CCO. O que seria um mínimo cuidado com seus contatos.
Enfim…
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Há braços!
Eduardo Mesquita
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Todos os dias recebo e-mails, com milhões de endereços válidos, de pessoas que até possuem boa fé, mas que estão usando a internet da forma mais estúpida possível. Gente que replica mensagens mentirosas e calhordas achando que com isso podem livrar suas culpas de cotidianamente não fazer nada para melhorar a sociedade que vive. Gente que acha que apertando uma tecla consegue alterar sua rotina acomodada e confortável, que só se reforça atrás da tela do computador.
Entendo que fazem isso de boa fé. Mas as pessoas que originalmente disparam essas mensagens são criminosos, se valendo disso para adquirir e-mails válidos e para entupir a rede. A reportagem acima é de um jornal de Portugal, e mostra o tanto de opções criminosas podem ser alimentadas com o uso irresponsável da opção “Encaminhar”.
Não existem formas viáveis de se rastrear um e-mail para pagar dois centavos para a família da criança doentezinha. Não é inofensivo replicar uma mensagem dessas pela rede. Não existe um Hospital jogando córneas no lixo por não encontrar receptores; eu liguei no telefone da mensagem oito anos atrás e o Hospital em questão, do interior do estado de São Paulo, já havia enfrentado um protesto nas suas portas de uma população indignada, já havia tido suas linhas telefônicas entulhadas por pessoas iradas e já havia contratado um funcionário exclusivamente para responder à maldita mensagem mentirosa. E o hospital mencionado sequer trabalhava com córneas!
Sim, existe um ursinho cinza no seu computador, mas ele não é um vírus, é um aplicativo Java, e se você apagar o bicho pode ter problemas. Não existe ninguém com agulhas contaminadas no cinema distribuindo bilhetinhos de “Bem vindo ao mundo da AIDS”. Não existem gatos sendo criados em jarros de vidro para consumo de donos preguiçosos.
É muito fácil acreditar em algo lido ou visto na web, é fácil como acreditar em algo visto num muro da cidade. Mas temos que ter mais cuidado para que essa ferramenta tão útil não se torne um peso morto em nossas vidas.
Então se você quer se livrar um pouco da sua culpa, procure uma instituição de caridade e participe de atividades voluntárias. Participe das passeatas contra a corrupção que acontecem pelo país afora. Doe algo por alguma dessas campanhas televisivas que sempre aparecem nos grandes canais (sim, isso é melhor que replicar mensagens burramente. E não, as Tvs não estão roubando “os dinheiros” das doações. Tudo é auditado.).
Mas o melhor é realmente você fazer sua parte, porque quem não atrapalha, já ajuda bastante.
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Eduardo Mesquita
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Por Juliana Castro, no Globo:
A marcha contra a corrupção convocada para o feriado desta quarta-feira está sendo organizada pela internet há pelo menos um mês e contará com eventos 25 cidades em 17 estados, além do Distrito Federal. Os organizadores dizem não ter expectativa sobre o número de pessoas que podem comparecer aos atos – boa parte deles simultâneos -, mas esperam superar a barreira dos 25 mil manifestantes, que foram às ruas no Sete de Setembro .
Com três cidades, São Paulo e Santa Catarina são os estados que terão o maior número de protestos. No Rio, pelo menos sete grupos de combate à corrupção vão se reunir na orla da Zona Sul. A concentração acontece no posto 4 da Praia de Copacabana, às 13h. Os manifestantes saem em caminhada às 14h, rumo ao posto 2. Aos moradores de Copacabana, os organizadores têm um pedido especial: colocar vassouras do lado de fora da janela, para demonstrar apoio ao movimento.
O protesto do dia 20 de setembro, na Cinelândia , contou com o apoio de artistas e um dos que estavam presentes, o cantor Tico Santa Cruz, gravou um vídeo para convocar os brasileiros a saírem de casa para manifestar seu repúdio à impunidade. “Estou aqui para convocar todos os brasileiros indignados com a corrupção, a impunidade, a violência e a omissão. No dia 12, você pode fazer parte dessa luta. Saia de sua casa”, diz o cantor no vídeo, confirmando presença no evento desta quarta-feira.
A divulgação pela internet ganhou na terça-feira um reforço. Os organizadores se juntaram e promoveram um twittaço para informar corretamente o dia, local e horário da manifestação no Rio. Nem mesmo a previsão de chuva desanima: “A previsão é de sol entre nuvens, podendo chover. Estou torcendo muito para que não chova. Mas, mesmo com chuva, tenho certeza de que as pessoas interessadas vão comparecer ao evento – disse Cristine Maza, do movimento “Todos Juntos contra a Corrupção”.
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Confira o local e o horário do protesto contra a corrupção, na sua cidade:
AL – Maceió – Antigo 7 Coqueiros até o Antigo Alagoinhas, às 13h
AM – Manaus – Centro, em frente ao colégio Dom Pedro, às 14h
BA – Salvador – Cristo da Barra, às 14h
CE – Fortaleza – Praça da Imprensa rumo ao Cocó, às 14h
DF – Brasília – Museu Nacional, às 10h
ES – Vila Velha – Praia da Costa, às 12h
GO – Goiânia – Início na Praça Universitária às 10h e término na Praça Cívica
MA – São Luís – Praça do Pescador , na Avenida Litorânea, às 14h
MG – Belo Horizonte – Saída às 14h da Praça da Liberdade até a Praça 7
MG – Uberlândia – Praça Tubal Vilela, às 14h
PA – Belém do Pará – Praça do CAN, às 14h
PA – Santarém – Concentração em frente à prefeitura, às 17h, até o fórum
PE – Recife -Pracinha de Boa Viagem, às 14h
PB – João Pessoa – Busto de Tamandaré, às 14h
PI – Teresina – Praça da Liberdade, às 14h
PR – Curitiba – Santos Andrade, em frente à escadaria da UFPR, às 14h
PR – Campo Mourão – Praça Central, às 14h
RS – Porto Alegre – Parque da Redenção, durante toda a tarde
RJ – Rio de Janeiro – Copacabana, em frente ao posto 4, às 13h
SC – Brusque – Praça Barão de Schneeburg, às 9h
SC – Florianópolis – Trapiche Beira Mar, às 10h
SC – Jaraguá do Sul – Praça Ângelo Piazera, às 14h
SP – São Paulo – Avenida Paulista, em frente ao Masp, às 14h
SP – Santos – Parque da Independência, às 14h
SP – São José dos Campos – Vicentina Aranha, às 15h
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Eduardo Mesquita
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16 e 17 de setembro de 2011. Nesses dois dias fiz mais uma das minhas viagens sensacionais, e não me refiro a nada além da normalidade do meu cotidiano. Viajo constantemente a trabalho, praticamente toda semana eu preciso sair no mínimo um dia ou no máximo a semana inteira para atender clientes do interior do estado, de Brasília ou de São Paulo, mas essa viagem ficará marcada porque foi algo que era inédito, ainda que se repetindo.
Sim, é verdade, estou sendo confuso. É que, mesmo agora, praticamente um mês depois de tudo visto e vivido, ainda me pego sorrindo ao lembrar de tanta coisa legal que aconteceu em menos de 50 horas. E porque inédito que se repete?
Porque eu já havia ido uma vez até o Rio Grande do Sul, especificamente em Santa Maria, para realizar uma palestra. E essa foi uma história sensacional, porque fui achado por uma doce menina Aline que lá do Rio Grande do Sul achou de achar um texto meu, pesquisou, foi atrás, buscou com interesse e achou que minha presença por lá poderia contribuir com o evento da AEAD – Associação dos Estudantes de Administração de Santa Maria – http://www.aeadsantamaria.org.br/site/ – que se realizaria por lá. Enfrentei um frio que goiano nenhum poderia querer enfrentar, gostei do frio, gostei da cidade, gostei do povo, gostei dos organizadores do evento e resumindo, gostei! Foi um momento muito legal.
Quis mais, porém a distância e a correria são excelentes argumentos para esfriar casamentos, quem dirá uma parceria tão frágil que se iniciava. Considerava esse fato um dos bons arquivos que teria para sempre, mas eis que um belo dia sou novamente localizado pelos ventos gaudérios. E dessa vez fui localizado por dois seres tão completamente insanos quanto dedicados: Leonardo Ferreira e Greice Noro. O primeiro um dedicado estudante de administração e a segunda uma insana professora de administração. Já viu como aparentes opostos podem trabalhar muito bem unidos?
E digo aparentes, porque mesmo Leo (Guga para os mais próximos) sendo um sujeito sereno e Greice sendo uma usina de energia, eles possuem muito do aparente oposto que se vê no outro. Leo é dinâmico ao extremo e Greice é concentrada como um samurai pode ser. E esses dois, junto a um monte de gente talentosa e com muita vontade, me fizeram atravessar o país novamente, em busca da deliciosa troca de informações e conhecimentos que tanto prezo. (na foto abaixo a Professora Greice está ao meu lado, com a saia florida e Leonardo Ferreira está ao lado dela. Esse monte de mulheres lindíssimas e rapazes esforçados são os organizadores do evento. Clique na foto para ampliar.).
Lá fui eu para o EGEO – Encontros Gaúchos de Estudos Organizacionais, e que comentei por alguns ineditismos da organização nesse post aqui – http://www.ideiadiferente.com/?p=422 – já que eles tiveram a ousadia de me apresentar como um vocalista de punk rock, quando levavam para lá o palestrante, professor universitário, psicólogo, consultor.
Se o início da prosa foi bom assim, melhor ficou quando me disseram que além da palestra na noite do evento, teria a oportunidade de fazer uma outra no dia seguinte. Seriam duas palestras, duas oportunidades de estar junto aos estudantes e profissionais gaúchos, aprendendo, rindo e me divertindo. E sendo pago para isso!
A viagem é sempre uma parte que eu me delicio. Ainda sou do tempo em que viagens aéreas eram caríssimas e para pessoas de altíssimo poder aquisitivo, coisa que eu – nativo e morador do Quebra Caixote – quase nunca podia degustar. E hoje quando tudo ficou mais fácil e as minhas condições ficaram também melhores (melhores ainda ao ser contratado por clientes que me proporcionam esse conforto) eu sempre me delicio NA IDA com os aeroportos, aviões, paisagens e novidades. Digo NA IDA porque a volta nunca é tão interessante. Mas lá fui eu quicando pelos aeroportos do país rumo ao sul maravilha. Cheguei em Porto Alegre e precisava pegar o ônibus que me levaria até Santa Maria.
Tive a oportunidade de ir com um taxista pós-interessante, tri-legal e gente boa. Ri montes escutando suas histórias e pude ver Porto Alegre de outra forma. Mesmo o pequeno trecho entre o aeroporto e a rodoviária se mostrou cheio de novidades quando apresentada por aquela figura de longos bigodes, sotaque típico ao extremo e com montes de histórias legais. Cheguei na rodoviária e logo embarcava rumo a Santa Maria.
Cheguei em Santa Maria em cimíssima da hora, fui gentilmente recepcionado pelo Leonardo e pela Rhanna e mal tomei um banho, mergulhei no meu terno bacana e corremos para o local do evento. A minha entrada no auditório foi algo de patética, ridícula e divertida. Fui arremessado para dentro do auditório (Shai! rs), achando que iria me posicionar numa cadeira ou coisa parecida até ser chamado. Mas eu já tinha sido chamado, e minha entrada pela porta principal do auditório foi acompanhada pelo auditório inteiro. Fiquei perdido nos primeiros minutos, confesso, mas comecei a rir do inusitado e até isso virou tema da palestra.
A participação das pessoas na palestra foi muito legal e ao final a foto com a equipe inteira da organização, para depois irmos jantar. Normalmente as pessoas terminam as palestras e já se encaminham para o jantar, e isso de ternos e gravatas presentes. Mas esses diferentes me encaminharam ao hotel, pude dar uma descansada e depois fui conduzido a um bar sensacional de legal. Minha memória não ajuda, e espero que alguém coloque o nome do bar nos comentários aí abaixo, porque merece a divulgação. Motos penduradas nas paredes, rock tocando alto, chopp deliciosamente bem tirado e uns acepipes deliciosíssimos. Rimos, bebemos, rimos, bebemos, rimos, comemos um poquito e rimos mais um monte. Também bebemos mais um poquito, afinal no outro dia tínhamos outra palestra logo cedo. E as histórias de Greice foram o toque de aventura numa noite tão legal, fiquei pensando em como são ricos estudantes que têm ao alcance uma pessoa tão furiozza, tão intensa e tão inteligente como Greice Noro.
Digo sempre que o indispensável em um bom hotel nem é uma grande cama, mas sim um chuveiro impressionante. Pois esse tinha na pressão adequada para endireitar uma espinha torta por horas de avião, amaciar a pele desse caititu e permitir um sono justo. A palestra do dia seguinte foi também um momento muito legal, falamos de liderança e tínhamos muitos profissionais na plateia, o que levou a uma rodada de perguntas bem interessante ao final.
Some-se a isso o fato de termos tirado uma foto intrigante (essa acima). Na hora não entendi, mas depois me explicaram que surgiram comentários me achando parecido com Anderson Silva, o grande campeão de MMA. Leonardo é o oponente do pseudo-fake-lutador, e corajosamente se apresenta para enfrentar meus punhos mortais.
Almoçamos em altíssima velocidade e logo eu estava dentro do ônibus rumo a Porto Alegre novamente. Um breve momento de espera e lá ia eu cruzando os ares rumo aos meus amores.
Em dois dias pude reforçar minhas crenças, conhecer outras tantas, me divertir, aprender, rir e me tornar um vivente muito melhor. Agradeço imensamente aos grandes que me acolheram tão bem no sul, que me proporcionaram esses momentos grandes.
Agradeço e me prontifico, sempre que precisarem e eu puder contribuir, contem comigo! Será uma imensa satisfação.
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Há braços!
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Eduardo Mesquita
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Falar em público. Vivo disso, ensino isso, trabalho com isso, mas na segunda-feira dia 12 de setembro eu senti tudo que meus alunos dos cursos de Falar em Público relatam sentir: mãos suadas, frio na barriga, alguma tonteira e coisas afins. Eu seria o paraninfo de formatura das turmas de Processos Gerenciais e Negócios Imobiliários, e como paraninfo faria o discurso no evento. Gelei.
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Sim, estava trêmulo como um virgem, nervoso “como um goleiro na hora do gol” e tentando parecer seguro para não me atrapalhar demais. Fiquei muito nervoso porque era minha primeira vez. Isso porque desde quando comecei a dar aulas para turmas universitárias – desde 2000 – eu sou generosamente lembrado para as formaturas, como professor homenageado, nome de turma e outras funções protocolares, mas nunca tinha sido o paraninfo, o que fazia discurso. E isso me deixou nervoso demais. Paraninfos normalmente são políticos ou pessoas endinheiradas que pagam festas, jantares e carros novos para os formandos, e os perturbados amalucados dos meus alunos escolheram um micro-empresário com dois filhos, alguns financiamentos e a firme convicção de não pagar nem uma mariola para a turma. Todo mundo na faculdade sabe dessa minha opinião, e ainda assim me chamaram para paraninfo. Eu tinha que me esforçar.
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Além disso eu tinha plena convicção da seriedade do momento, da presença de outros professores, dos membros da reitoria e do monte de convidados. Sem falar dos formandos, naturalmente. Estava gelado.
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Uma das coisas que sempre critiquei em discursos de formatura era o tal do “no caminho pra cá pensava eu no que dizer”, porque isso me irritava profundamente. Então o sujeito foi chamado seis meses atrás para participar do evento e só pensou no que dizer no caminho pra cá? Isso é muito desrespeito. Então já havia feito oito versões de discursos, todas solenemente jogadas no lixo por não achar que fossem boas o suficiente para aquele momento. A última versão – que teve alguns acréscimos e mudanças ainda na mesa da cerimônia – foi feito três dias antes, na véspera do final de semana. Preparei o discurso, deixei de lado e só fui ensaiar no domingo. Claro que durante as muitas vezes que li e testei a entonação do texto eu mudei um monte. Mas isso só serve para tranquilizar, não para acalmar.
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Enfim, com o discurso impresso fui ao evento. Emocionante como sempre são esses momentos, e na minha vez de proferir o discurso, me embaralhei com a cadeira, pisei na barra da beca e marchei elegante para o púlpito. Me sentia como se fizesse o meu primeiro discurso, ainda lá no maternal quando devidamente trajado com um uniforme do Fluminense (escolha da criança que eu era), bola debaixo do braço, atravessei o palco, dei uma volta e fui até o microfone, proferindo solene: “Eu sou… (pausa dramática) o jogador de futebol!”. Começava ali uma história.
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Enfim, cheguei ao púlpito, mexi levemente nas folhas do discurso que descansavam solenes (lembrando que o nobilíssimo professor Waldenir havia comentado sobre o tamanho do discurso – tarde demais, agora não seria possível cortar mais nada), e dei início.
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Honestamente? Eu gostei muito. E pelo visto muita gente também gostou. O público aplaudiu de pé, longamente, conseguindo algo muito raro: me deixar encabulado. O reitor me cumprimentou efusivamente e os olhares dos alunos, os abraços dos professores e as maquiagens derramadas das mulheres me deram a confiança de que tinha feito um bom trabalho. Não satisfeito, o reitor – Professor Jovenir Cândido – se levantou e me fez levantar, me puxando pela mão em homenagem generosa e emocionante.
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Só de lembrar agora já encho os olhos de água. Esses malucos e malucas meus alunos me deram um gigantesco presente, e atendendo uma dica da minha comadre Vânia Dourado, eis abaixo o discurso dessa noite tão linda e inesquecível para mim.
Boa noite,
Formatura é um momento repleto de clichês. A turma que se forma emocionada nos bastidores entre maquiagens e últimos detalhes das becas, os professores e funcionários da instituição de ensino felizes em ver a alegria de seus pupilos, as famílias empolgadas ao ver esse momento de celebração conjunta, os preparativos para a comemoração que virá depois, os parentes distantes que se reúnem depois de tanto tempo, os sorrisos de lágrimas úmidas, abraços apertados e o tremor na voz do padrinho da turma. Como disse o famoso russo, “todas as famílias felizes são iguais”, e um momento como esse é prova disso. Repleto de tantos fantásticos clichês. Clichê, que como sabemos, é uma expressão que de tanto ser usada já se torna previsível, e previsíveis são as formaturas. Que bom.
Clichês não são necessariamente ruins, simplesmente porque previsíveis. Alguns se revestem de infinita sabedoria e bom senso, perpetuando assim valores e crenças por gerações depois de gerações. Alimentando comportamentos e reforçando hábitos, os clichês por vezes se convertem em registros históricos de momentos que a sociedade viveu e não quer, não pode ou não deve esquecer. Parem um segundo, olhem em volta, esse é um momento que não deve ser esquecido, pois que se confirme então como clichê que efetivamente é. Olhem para seus colegas, vejam o sorriso, a ameaça de se borrar a maquiagem, o nervosismo mal disfarçado e tudo isso já foi visto milhares de outras vezes, principalmente por esses que agora se reúnem nessa grande mesa cerimonial. Seja pelo carisma honrado com homenagens ou pela necessidade protocolar da presença, esses olhos que aí se encontram já viram tudo isso montes e montes de vezes. E quer saber? Já viram montes de vezes, e nunca se cansam de ver.
Tantos outros clichês que temos hoje aqui representados e que também não nos cansam. A lembrança das infinitas horas dedicadas ao estudo, mesmo depois das longas jornadas de trabalho. As vezes em que a vontade de jogar tudo para o alto se desenhou como a melhor alternativa, e o orgulho, o comprometimento, a dedicação ou os colegas não permitiram o abandono do curso. Lembrar das provas e suas angústias, com o nervoso olhar de lado na sala de aula, a noite anterior mal dormida e os finais de semana dedicados às rodadas de estudo, que vez por outra se convertiam em momentos de integração e, porque não, momentos de farra. Festejando a avaliação que viria. Lembrar das apresentações de trabalho sempre tão recheadas de ansiedade e nervosismo, não pelo conteúdo em si tantas vezes revisado, mas sim pelo desafio de estar a frente da turma se expressando e defendendo suas ideias. Aposto que vai ser impossível esquecer ainda de algumas situações vividas, conflitos, problemas, romances, dúvidas, dores e sabores que vocês aqui reunidos viveram nesses últimos anos, formandos, formandas e familiares. Situações tantas essas que agora, nesse exato instante se repetem com milhares de outros estudantes, que diferentes de vocês formandos, se encontram no meio ou início de sua jornada. São lembranças que se repetem e por isso se tornam também clichês.
Porém os clichês que hoje celebramos, infelizmente não são os únicos que acompanham nossa existência. Temos também conosco as nossas cicatrizes e marcas de combate, as situações que se pudéssemos escolher teríamos deletado de nossas memórias para que esse momento de encanto e brilho pudesse ser perfeito e pleno. Mas a perfeição e a plenitude são objetivos que perseguimos, ainda que conscientes que jamais as alcançaremos, bem sabemos disso.
Esses clichês que poderiam enfeiar esse momento; e friso que poderiam, mas não conseguirão diminuir a cor e a luz dessa noite; esses clichês que integram e compõem nossos cotidianos. Trazidos pelos meios de informação ou por nossas percepções, esses momentos poderiam servir para nos derrubar ou menosprezar nossas conquistas, mas felizmente não conseguem esse intento. Então que nos façam refletir sobre a realidade.
Situações como a situação da educação pública em nosso país, tão tristemente avaliada e tão negligenciada por nossos governantes. Situações como guerras e matanças que acontecem mundo afora, manchando de sangue e tristeza comunidades e nações inteiras. Situações como as constantes revelações do mau comportamento da nossa classe política, que insiste em defender interesses mesquinhos e particulares, ignorando o bem comum e nosso povo. Situações que produzem tanto dano à nossa sociedade. Sociedade essa que sofre com cada decisão irresponsável dos que possuem poder, sociedade que agoniza com cada ato de crueldade ou frieza justificado pela correria, pressão ou stress.
Essa realidade dura e violenta não pode ser a única realidade. Essa realidade de compadrios, traições, falcatruas, mentiras e horrores não pode ser a única realidade. Nossa realidade não pode ser a dos envolvidos em corrupção ou de seus esforçados companheiros corporativistas, nossa realidade não pode ser a dos tiros na madrugada ou dos gritos sem resposta. Nossa realidade não pode e nem deve ser a das filas intermináveis em serviços públicos ineficientes e arrogantes. Nossa realidade não deve ser a realidade do desemprego ou do subemprego, com sua remuneração tímida e seu tratamento humilhante. A nossa realidade, queridos formandos e formandas, não pode, não deve e não precisa ser a realidade dos terroristas, dos traficantes, dos cruéis e dos corruptos. Nossa realidade não precisa ser a da tristeza e do risco que a lágrima faz no rosto do nosso povo.
E aqui falo de uma escolha: quais os clichês queremos para nossa vida? Qual a realidade que queremos construir? Pois eu digo que prefiro uma realidade diferente. Uma realidade que mostra que apesar de tantos monstros vigiando nosso sono, ainda temos esperança, competência e energia para alimentar novos sonhos. A realidade que eu prefiro é a realidade do sorriso e da dança, do mercado de trabalho que entende a presença dos tecnólogos como uma solução eficaz para resultados. A realidade que eu escolho é a realidade que vejo nas Congadas de Catalão ou nas Cavalhadas de Pirenópolis, com o povo feliz celebrando suas tradições mais caras. A realidade que eu quero é a realidade que valoriza o ser humano como agente de transformação e mudança, valorizando, sim, os que conservam, mas não demonizando, também, os que transformam. Prefiro uma realidade de aceitação do diferente, de compreensão da dificuldade, de auxílio às fraquezas e limitações.
Na realidade que eu prefiro viver eu vejo uma sociedade que une milhares de pessoas para marchar contra a corrupção debaixo do sol escaldante. A realidade que eu escolho para mim e convido vocês a escolher também é a de um povo que mesmo sofrendo, tomando chutes e sendo mal tratado, ainda assim se enche de orgulho para celebrar suas cores, sua história, seus valores e cada momento delicado e dedicado que seus filhos vivem e conquistam, em dias de usar roupa de festa, sapatos de ver Deus e o melhor sorriso no rosto. Esse povo que faz essa sociedade tão dinâmica e teimosa, que insiste em ir em frente. Sociedade essa que merece muito mais que o pão e circo que ainda insistem em usar para tentar nos controlar. Sociedade que produz pessoas como vocês, formandos e formandas aqui reunidos, que começam agora a construir uma nova realidade particular, prenhe de planos e projetos, carregada de teorias e conhecimento, urgente de resultados e conquistas.
Um outro clichê famoso seria o discurso do padrinho da turma oferecer conselhos e dicas. Desse clichê eu vou me poupar. Não vou lhes dar conselhos. Vou lhes fazer um pedido, ainda falando sobre realidades. Ousem. Ousem ao construir seu futuro, peço isso com muita humildade, porque preciso que vocês se comprometam com isso. Ousem, façam mais do que um dia pensaram que poderiam. Que suas histórias sejam lembradas, citadas em conversas de boteco, em discursos de formatura e que baseado em suas histórias novos clichês sejam criados. Por favor, não se conformem com o mediano, com o adequado. Sejam atrevidos como muitos de vocês se julgaram um dia ao investir num curso superior, indo além e muito mais longe que seus amigos e familiares pensaram. Ergam novos horizontes, desbravem, ousem.
Ajudem a construir um mercado que valorize as pessoas pelo que são e por seus resultados. Humanizado, valorizando as relações que temos ao longo da vida. Um mercado que preze a sua dedicação ao trabalho, mas também – e principalmente – sua dedicação à sua família, aos seus verdadeiros amigos, aos seus valores e amores. A realidade que queremos tem um monte de gente junta, rindo, suando, celebrando, trabalhando com orgulho e desenhando um novo futuro. Isso depende também de vocês, meus malucos formandos. E falo isso com propriedade. Vocês se lembram que esse ano passei por uma situação inusitada e inesperada: eu morri. Eu sofri um ataque cardíaco fulminante, morri e fiquei dois minutos morto, quando então me trouxeram de volta. Confesso que naqueles dias, logo após, não havia percebido o tamanho do que eu tinha vivido, fazendo piadas e brincando com o fato. Mas no dia da festa junina dos meus filhos, a primeira deles, de mãos dadas com minha mulher, quando vi os meus dois tubarõezinhos no palco, dançando e cantando, eu me toquei de que não era para eu estar ali. Eu não deveria estar vendo meus filhos cantando naquele momento porque havia morrido. Além de todas as explicações religiosas ou médicas, eu sei que vivo hoje cada momento feliz com uma intensidade muito maior. Espero sinceramente que vocês não precisem morrer para chegar a isso. E vocês farão esse seu professor imensamente feliz se se dedicarem sinceramente a construir uma realidade melhor e um mundo melhor. Feliz como me fizeram quando me convidaram para ser seu padrinho.
Muito, muito agradecido. Sucesso a todos vocês!
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Aos meus alunos e alunas, formandos ou não, de hoje, de antes e de sempre, agradeço muito por me proporcionar a feliz experiência que dividimos em sala de aula. Muito grato mesmo!
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Há braços
Eduardo Mesquita
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No post abaixo eu havia tecido considerações sobre os tratamentos diferentes dispensados a dois ídolos futebolísticos. Pois mostrando que o ser humano é possível de corrigir e melhorar, eis que nesse último confronto entre Corinthians e Flamengo, o time alvinegro estampou o nome do Doutor em suas camisetas. A torcida acompanhou a manifestação. Muito bom!
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