A pátria de ferraduras

Comecei a escrever esse texto ainda durante a Copa, e esperava soltá-lo após a final da Copa do Mundo, tendo visto a seleção brasileira sagrando-se hexacampeã, e mesmo entre muchochos insatisfeitos celebrando mais uma vitória. Mas no dia 02 de julho de 2010 a nossa seleção perdeu para o time feio – ainda que esforçado – da Holanda e a Copa terminou para os brasileiros. Enfim…

A associação do título desse texto com a imagem criada belamente por Nelson Rodrigues visa mostrar que o que já foi vivido como expressão poética, periga se tornar uma situação de caos e descontrole com uma amplitude muito maior do que poderíamos imaginar. Sim, porque o que definia uma participação esportiva nos anos 50 e 60 certamente não é o que hoje define a participação de um selecionado de “craques” numa competição mundial. E o principal símbolo disso que menciono foi nosso técnico nesse torneio, Carlos Caetano Verri, popularmente chamado Dunga. Atentem ao fato de chamá-lo “símbolo” e não “culpado”, isso será importante para o entendimento do que vai escrito.

Desde o início da Copa do Mundo da África do Sul – acredito todos se lembrarem – notamos um comportamento diferente do nosso selecionado. Diferente principalmente quando associamos ao vivido em 2006, na Copa da Alemanha. Naquele momento nossa seleção não chegou a disputar a final da copa e tornou-se símbolo de ostentação e falta de compromisso pelas suas inúmeras festas, entrevistas, firulas e brincadeiras descompromissadas. Para fugir desse estereótipo nosso então técnico Dunga optou por fechar e blindar a seleção de entrevistas, eventos, bagunças e badalações. E ele – Dunga – assumiu uma postura entre sisuda, rancorosa e francamente hostil à imprensa e à mídia de forma geral.

E aí chegamos perto do cerne da ideia do texto, a demonização dos alvos errados. Dunga tem – acredito que hoje muito mais – uma história de rancor sincero com alguns momentos da sua carreira. Foi seu nome que ilustrou a fraca seleção brasileira da Copa de 90, muito apegada a esquemas travados e defensivos, sem criatividade e sem capacidade de ataque e conversão em gols. Uma seleção sem nenhum vínculo com a tradição do famoso futebol brasileiro.

Em 94, agora como capitão da seleção brasileira, Dunga parecia acreditar que iria apagar de vez essa mácula em sua história, e a conquista do caneco nos Estados Unidos lhe deu a chance de derramar uma enxurrada de palavrões no momento em que erguia a taça, principalmente desferidos contra a imprensa. O momento que deveria ser de glória se tornou – egoistamente – um momento de desabafo tosco e grosseiro.

Até se entende então tamanha carga de rancor e azedume nesse senhor, mas o problema é que isso não se limita à sua vida particular. Dunga sempre se esqueceu do seu papel de figura pública, acessível ao país em específico e ao mundo de forma geral. Então entende-se o rancor, mas não se aceita sua demonstração.

Dunga chegou a um certo extremo de descontrole durante a Copa de 2010 ao pronunciar palavrões durante uma entrevista coletiva, palavrões captados pelos microfones e presentes do local. De novo é importante relativizar, ninguém questiona o direito do Sr. Carlos Caetano de xingar alguém, recurso humanamente aceito de aliviar algum desconforto. Mas questiona-se SIM, o direito de se valer do seu papel de técnico de uma seleção nacional em um evento mundial transmitido em tempo real para todo o planeta para dar vazão aos seus maus-humores.

Parece ruim, mas torna-se ainda pior. Muita gente aplaudiu o gesto, esquecidos que ficaram das regras que deve se sujeitar uma figura pública, e mais esquecidos ainda das boas normas de educação que aprendemos entre chineladas na nossa infância (a maioria de nós, quero acreditar).

Alegaram que seu apoio se devia ao gesto de “peitar a Globo” e que isso já devia ter sido feito. Sim, concordo que os privilégios que a citada empresa de comunicação possuía em outros anos gerou muitas situações francamente inadequadas, ranços, competitividade nada saudável e uma atitude arrogante e superior em muitos de seus profissionais. Concordo ainda que o tratamento às empresas de comunicação deve ser igual, visto que a seleção representava ali um país (o que é muito diferente, vejam bem, de “a seleção pertencia a um país”. A CBF nem a FIFA são estatais de lugar nenhum, são empresas particulares e que – horror! – tem donos).

Mas acabar com privilégios não combina com bestialidade. Tudo poderia ser feito como dizia o spam que correu à época, em que uma bela repórter foi barrada na porta da concentração e proibida de realizar uma exclusiva, ou que jantares foram cancelados. Tudo isso seria sensacional. Mas aí lá foi Dunga com seu jeito destrambelhado, estúpido e irracional enfiar o pé na canela da situação. O que era bom virou desastre.

E Dunga novamente vira um símbolo do destempero dessa Copa, tristemente sinalizado por Felipe Melo se amontoando nas pernas de um jogador holandês e sendo expulso. E reforço novamente que Dunga virou símbolo, já que a culpa tinha muitos donos e um grande dono e responsável no homem que comanda a CBF, Ricardo Teixeira, que depois de forma covarde criticou o técnico e o jogou aos lobos em uma entrevista. Um canalha nunca se trai.

Mas quando digo que o ruim pode se tornar pior, pois ainda piora mais. As pessoas que começaram a aplaudir esse ogro como um herói da isonomia entre empresas de comunicação começaram a se vestir de armaduras e pinturas de guerra, e então qualquer um que não concordasse com as atitudes do bestunto técnico era logo marcada com o sinal da traição.

Criou-se no país, de alguns anos para cá, uma atitude que nunca antes na história desse país aconteceu: a dualidade odiosa. Tornamo-nos uma raça de fanáticos, que não aceita o contraditório. Criticar Dunga era ser anti-patriótico, torcer contra o Brasil; falar mal da seleção então era crime de lesa-majestade e amizades foram ao lixo por causa de um comentário besta como “Felipe Melo ainda vai fazer besteira nessa copa”. Meu deus, era óbvio que o moço ainda ia dar trabalho, não tem uso perfeito dos poucos neurônios surgidos na cabeça, histórico de agressões em campo, pouquíssimo futebol para mostrar, era uma aposta ganha que ainda ia fazer burrada, como fez. Ainda assim os “patrióticos” se doíam em urros compungidos a cada crítica publicada contra o animal descontrolado. Críticas se tornaram “perseguições”.

Então surgiam críticas às pessoas que usavam bandeiras brasileiras em seus carros, porque segundo os donos da verdade patriotas, os ordinários só usavam a bandeira em época de copa, por moda, e não tinham esse direito. Uai, mas eu torço para uma seleção, um time de futebol, e a única bandeira existente para representar essa seleção é a bandeira do país, então nada mais natural que usar essa mesma bandeira para torcer para esse mesmo time. Em momento nenhum aquelas bandeirinhas de copa significavam amor a mais ou a menos pelo país. Era pelo time! E eu não preciso de ninguém para me dar o direito de usar ou deixar de usar a bandeira do meu país, quem me dá esse direito é a Constituição.

Mas aos fanáticos nada é tão compreensível e simples. E então a vilania se torna método, e o comportamento dualista se reflete em várias outras situações do cotidiano do país. E então qualquer crítica é vista como ameaça e declaração de guerra. Não se permite mais o contraditório, precisamos alinhar e pensar todos iguais sob pena do preconceito ao diferente.

Aprendemos com Dunga tão bem a tratar os adversários, que agora não aceitamos a existência dos mesmos. Deixamos de ser uma nação de pessoas doces, para combatentes da verdade armados e putos. Um comportamento desses não se constrói durante os trinta dias de uma copa, não há dúvida, mas pode se cristalizar de forma definitiva depois de uma Copa frustrada e atravessando um ano eleitoral.

Tenha medo, leitor, tenha muito medo, porque o risco de nos tornarmos rivais de mesmo solo é grande. Os opostos vão se repelindo cada vez mais, as amenidades somem, a elegância é posta no paredão e então vamos deixar finalmente de ser uma pátria de chuteiras – símbolo que foi de paixão, de beleza, de trato na bola, de Didi, Gérson, Tostão e outros – para nos tornarmos realmente uma pátria de ferraduras.

E dentes arreganhados em ódio. Ou será em medo?

 

 

 Há braços!

 Eduardo Mesquita, O Inimigo do rei

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Mensagem de um filho orgulhoso

Essa imagem aí ao lado é sensacional.

Apresentando os presentes na foto, a primeira (que na foto tem a carinha mais “normal” – só na foto) é minha irmã, Ana Cristina. Psicóloga, mãe de dois adolescentes sensacionais e figura singular de força e de coragem; pelo que sustenta e enfrenta. No meio, o Jack Sparrow do cerrado, de dreadlocks e lápis nos olhos é meu pai, Joel, de quem falo mais logo a frente.  E ao lado dele está Cristiane, a namorada do meu pai (tecnicamente minha Madrasta, mas ainda não tenho certeza de como ela vai avaliar esse tratamento).

Essa foto foi tirada nesse fim de semana, foi a aula da saudade do curso de Direito que meu pai e a Cristiane estão concluindo. Essa semana são as festividades e correrias típicas de um momento de formatura. E aí alguém se pergunta: essa criatura de lápis no olho e cabelo rastafari está se formando em direito? Um curso tão tradicional?

Não dê ouvidos aos seus olhos, jovem buana, porque muita coisa nos engana. Esse sujeito é um exemplo de seriedade e pessoa equilibrada, que os digam seus clientes com várias décadas de serviços bem prestados na contabilidade ou toda sua família, ou – permita-me a sinceridade vaidosa – qualquer pessoa que o conheça.

E ver essa imagem é muito mais sensacional que o normal pela história que nos traz até ela. Meu pai é de Catalão, cidade goiana com história de bravos, e de lá saiu muito jovem para curtir um carnaval em outra cidade, Anápolis. Nessa viagem resolveu vir para Goiânia e resolveu mais: resolveu se mudar. Se instalou em Goiânia, arrumou escola, trabalho e se lembrou de avisar os familiares alguns meses depois. Naturalmente todos já o imaginavam morto ou seqüestrado ou coisa parecida, e ele estava construindo sua história por aqui.

Conheceu uma baiana massa – minha saudosa mãe Eusa – e construiu família. Sempre um sujeito extremamente profissional, dedicado, comprometido e símbolo de conduta e correção. E não só para mim, filho apaixonado, mas para quem o conhecesse. Ético ao extremo, foi contabilista técnico por décadas, sustentando a vida confortável da família com seu escritório no centro da cidade.

Na virada do século enfrentou com força sobre-humana o câncer de minha mãe, e hoje olhando para trás vejo que para mim foi mais fácil atravessar a doença e o falecimento de minha mãe porque ele segurou as pontas. Foi um super-herói naquele momento tão doloroso.

Mas acostumado que estava, reconstruiu sua vida. Resolveu fazer faculdade – uma história que adoro contar em treinamentos – e ser um contabilista com curso superior. Mal havia concluído sua primeira faculdade decidiu realizar seu sonho de juventude e fazer faculdade de Direito.

Poucas pessoas conseguem atravessar um curso superior inteiro sem faltar a algumas aulas. Não essa criatura exótica. Meu pai termina agora o segundo curso superior sem nunca ter perdido nenhuma aula. Nenhuma!

E nesse dia da foto acima, era o dia da aula da saudade. Ver esse menino fantasiado se formando já seria motivo de muita felicidade para mim. Mas ver que ele continua de pé, mais firme que nunca, está feliz com sua namorada, se divertindo como nunca e curtindo um dia de pirata (de dreadlocks!!), me enche de orgulho.

Eu sou muito feliz em falar que sou filho desse cara. Sou muito feliz por ser filho desse cara. Se conseguir ser metade do pai que esse sujeito sempre foi e ainda é, meus filhos terão um dia muito orgulho de mim também.

As lágrimas que enchem os meus olhos agora, enquanto escrevo esse post, são a homenagem mais verdadeira que tenho para essa formatura. Parabéns pai. E muitomuitomuito obrigado.

Há braços!

Eduardo Mesquita

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Explicação

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Para pensar…

Somos todos patos

por Adriano Silva

 

 

Nós vivemos num lugar do planeta que se especializou em ter governantes, em todos os níveis, que são a um só tempo extremamente espertos e muitíssimo pouco inteligentes

 

Meu amigo ingênuo, trago a você uma notícia fresquinha de Nova York: você é um pato. Um marreco no vasto banhado das iniquidades de mercado. E, minha amiga ingênua, lamento dizer, mas você é uma pata. Uma inacreditável gansa no imenso lago das safadezas econômicas. Eu sou pato também. Como toda a minha família e a sua, e nossos amigos e vizinhos. Somos todos patos. Patos absolutos. Quac, quac. Cuém, Cuém.

 

Eis o ponto: nós pagamos mais caro por tudo nesse país. Por rigorosamente tudo. A começar pelo dinheiro antes de ele chegar na sua carteira. Nominalmente, seu salário é 10. Você coloca no bolso, efetivamente, por volta de 7. Mas seu empregador, se fizer tudo certinho, tira do bolso dele, no mínimo, 18. Ou seja: dos 18 que o empresário dedica ao seu funcionário no Brasil, 11 vão parar nos cofres do governo. Que, como você sabe e a história desse país nos mostra, ou desvia esses recursos ou os gasta muito mal, com uma taxa pífia de eficiência. Nós vivemos num lugar do planeta que se especializou em ter governantes, em todos os níveis, que são a um só tempo extremamente espertos e muitíssimo pouco inteligentes.

 

Confira comigo. O dólar está valendo quase o dobro do real. Então, de cara, só pela diferença cambial, um produto que custa 20 dinheiros locais de lá custaria efetivamente o dobro do que o mesmo produto que custa 20 dinheiros locais daqui. Só que, em tudo, conseguimos custar o dobro (na melhor das hipóteses!), mesmo com uma moeda que vale a metade. Pense em eletrônicos. Você compra por 500 dólares lá um notebook que custa 2 500 reais aqui. Pense em comida. Ninguém paga mais do que 15 dólares por uma pizza (gigante) nos Estados Unidos. Nós pagamos 50 reais por uma pizza (apenas grande) em São Paulo. Pense em roupas. Uma boa calça custa 100 dólares em Nova York. Num bom shopping aqui no Brasil, você não gastará menos de 300 reais na mesma pantalona. Pense em carros. Você compra um Audi ou uma BMW por lá em prestações fixas de 399 dólares? por volta de 600 reais ao mês. Aqui, você tem que desembolsar? à vista!? 150 000 reais se quiser merecer um cafezinho aguado na concessionária. E a lista não pára. Bens de consumo, bens duráveis, bens in natura, bens industrializados, bens nacionais, bens importados. Tudo por aqui é mais caro. E não vou nem levar essa comparação para a Argentina, porque aí o cenário é de causar uma revolta popular imediata aqui no Brasil. Em Buenos Aires, uma cidade com povo muito mais bem instruído e melhor alimentado do que a média dos brasileiros, tudo está custando assombrosamente quatro vezes menos do que aqui.

 

Como resultado, os salários americanos são muitas vezes menores do que os nossos, comparativamente. E o sujeito vive absolutamente melhor por lá do que o seu par por aqui. O salário de entrada no mundo corporativo americano varia entre 3 000 e 4 000 dólares mensais. Ganhar 60 000 dólares por ano, antes dos 30 anos, já é coisa para MBAs. Aqui no Brasil, para você ter o mesmo padrão de vida de um americano que ganha 5 000 dólares por mês você precisa ganhar 15 000 reais. Inclusive porque, além do assalto na fonte, você ainda tem que pagar por tudo o que o poder público não lhe provê: ensino particular, plano de saúde particular, plano de previdência particular, serviços de segurança particulares, serviços de transporte particulares etc. Mas isso já virou clichê. E não é desse clichê que estou falando. Estou falando da covardia que lhe é impetrada por aqui toda vez que você vai às compras ? o que também já está virando clichê e deixando de nos indignar, infelizmente.

 

Quer que um americano ou um europeu morra de rir da minha cara? Conte para ele que ontem eu paguei 18 reais ? mais ou menos 10 dólares ? por 1h30 num estacionamento qualquer da zona oeste de São Paulo. Nem em Manhattan, nem no centro de Paris, nem em downtown London, meu amigo gansolina e minha amiga patachoca. Quac. Cuém.

 

http://portalexame.abril.com.br/rede-de-blogs/manual-do-executivo-ingenuo/2010/06/08/somos-todos-patos/

 

ADR mandou isso pra mim, me fez pensar, me deixou chateado, mas a vida vai seguir em frente.

Há braços!

Eduardo Mesquita

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Excelente ideia – programe-se!

Quer mais informações?  Visite o www.fotografiaeimagemcambury.blogspot.com e confere tudo que você precisa e merece saber.

Marina, grato pelo toque!

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Eduardo Mesquita

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Mobilidade sustentável – um conceito contemporâneo

A Volkswagen apresentou o seu primeiro veículo de duas rodas e o conceito “Think Blue” na Auto China 2010. Por incrível que possa parecer, a bicicleta da Volkswagen chamou mais atenção das pessoas do que os seus próprios carros, além disso gerou no mundo inteiro curiosidade para ver no You tube como ela funciona (http://www.youtube.com/watch?v=sXhhWXw9V7A&feature=related). A empresa tem se referido a ela como a obra de arte da mobilidade. A VW Bik.e não tem pedais, é dobrável, freio a disco nas duas rodas e funciona a bateria que pode ser recarregada no próprio carro, em corrente contínua ou numa tomada AC Comum. foi concebida para se encaixar perfeitamente no compartimento do pneu estepe da carro.

O Conceito de mobilidade deste equipamento é para que a bicicleta seja um complemento do carro. Assim, o motorista poderia deixar o carro num estacionamento fora dos grandes centros congestionados e trafegar em zonas com tráfego elevado com sua bicicleta elétrica.

Leia mais em: http://mobilidadesustentavel.blog.uol.com.br/

 

Há braços!

 

Eduardo Mesquita

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Carlos Caetano anunciou a seleção. E você com isso?

Hoje dia 11 de maio, acabamos de ver a convocação da Seleção Brasileira de Futebol, do técnico Carlos Caetano Bledorn Verri, também conhecido como Dunga. Já foi um prenúncio do que vem por aí, e não estou falando – ainda – da escalação propriamente dita, mas sim do movimento e do frisson que anteciparam a “anunciação” do elenco canarinho. Há dias estamos sendo bombardeados por notícias, análises, previsões,  predições e maldições sobre a escalação que a seleção levará para a Copa do Mundo agora em junho na África do Sul.

Em alguns momentos realmente tínhamos a impressão de que essa era a notícia mais importante de nossas vidas e que deveríamos parar tudo quando chegasse a hora da entrevista coletiva do técnico Carlos Caetano. É só futebol.

Só.

Não quero dizer com isso que não vou torcer pela seleção, até porque copas do mundo tem o fascinante efeito de me emocionar às lágrimas realmente. Mas ainda assim é somente futebol, um esporte, entretenimento, diversão e que é parte importante da vida, mas não é a vida. Ao menos não é a minha. Nem a de muita gente que eu conheço e de um monte de outros que eu não conheço.

Quando ia para o almoço ouvindo o noticiário na rádio CBN fui surpreendido com a interrupção de uma análise sobre a inflação na China e seus reflexos na economia mundial pela informação de que a transmissão seria interrompida às 13 horas para a apresentação ao vivo da escalação da seleção. E não foi o Juca Kfouri que fez esse anúncio, foi o próprio Carlos Alberto Sardenberg, jornalista  respeitado e tido e havido em assuntos “sérios”.

Teremos de agora em diante um bombardeio de informações e impressões sobre futebol, sobre a copa, sobre as chances, sobre a história e tanta coisa que envolve esse evento universal. Reconheço o tamanho e a importância – lembre-se que sou torcedor da seleção empolgado – mas não posso aceitar como normal que um país se envolva dessa forma numa atração esportiva.

No congresso o líder do governo – Dep. Cândido Vaccarezza (PT – SP) - apresenta a sutil sugestão de interromper as atividades parlamentares antes do início da Copa do Mundo. Entenda melhor, parariam de “trabalhar” no dia 10 de junho, depois viria o recesso de meio de ano, depois viriam as festas juninas, depois viriam as eleições, então seriam as festas de fim de ano e então 2011. Ou seja, para muitos parlamentares o ano e o mandato se encerrariam antes da Copa do Mundo, praticamente sete meses de férias PAGAS para nossos diletos e sérios parlamentares.

Tudo isso é preocupante. Mais preocupante que o meio de campo com Josué, Kleberson e Elano, podem acreditar.

Mas de tudo se aproveita alguma coisa: a não-convocação do atacante flamenguista Adriano. Não sou da fanática torcida Anti-Flamengo e nem tenho nada particular contra o assim chamado “Imperador”, mas o fato dele ter sido barrado na seleção foi muito emblemático e mandou uma mensagem bastante positiva para todos os envolvidos com a seleção (ou seja, 99% do país).

Adriano não foi convocado por seu comportamento errático e condenável fora de campo. Dentro de campo conduziu seu time ao campeonato nacional, e isso é inquestionável, mas fora de campo protagonizou cenas lamentáveis de despreparo, irresponsabilidade e falta de bom senso.

Quando Carlos Caetano não o convoca, manda uma mensagem para todos os jogadores que aspiram ir a uma copa do mundo: “Não basta fazer muitos gols ou resolver dentro de campo, ser da seleção é muito maior que isso”. Melhor apresentando o conceito, ser um jogador da seleção é ser um exemplo, é ser um ídolo, é ser um alvo de comparações, nem sempre justas. Mas ainda assim os eleitos para uma seleção precisam ter a clareza de que o que faz um jogador de elite (leia “profissional de elite”) é um conjunto de habilidades, características e acima de tudo, comportamentos.

Como não é suficiente um vendedor vender muito. É importante também que seja um profissional que agregue a equipe (treinando novatos e orientando quando de comportamentos inadequados), faça excelentes atendimentos (e algumas vezes até não venda, mas atenda o cliente de forma inesquecivelmente positiva), tenha foco na rentabilidade do negócio (evitando descontos irresponsáveis para fechamento de venda) e visão estratégica de sua importância e da importância da sua marca no mercado.

Adriano, mesmo sem querer, ajudou na formação de muitos profissionais de inúmeras áreas de atuação, quando se manteve festeiro, arruaceiro, irresponsavelmente baderneiro, quando escolheu como amada uma doida descontrolada e quando se esqueceu de que – como pessoa pública que é – sua vida é propriedade de todos. Para qualquer profissional essa máxima é verdadeira.

“Mas eu não estou no meu expediente” não pode ser desculpa para nossos profissionais-torcedores que vão subir nas mesas gritando em bares lotados, ou que sairão nas ruas dirigindo de forma assassina mostrando dedos e gestos para os que não o atendem da forma desejada. Esses profissionais podem estar ofendendo ou atropelando um futuro cliente, parceiro ou concorrente, ou até mesmo atuais e não futuros. Nossa carreira profissional se desenha em atitudes e comportamentos que acontecem a todo instante na nossa vida, e ou leva-se isso a sério ou corre-se o risco da inércia, da lentidão ou do óbito profissional.

Esse ano temos Copa do Mundo. Carlos Caetano escolheu seus comandados, temos agora um período sagrado para reclamações e ofensas à escolha do mais novo dos anões, e depois é gritar, sofrer, chorar e gargalhar com resultados que virão. Alguns nossos, outros não (como na saída da Argentina na primeira fase na última copa), mas todos compondo o mosaico de um momento marcante da nossa vida.

Organizar a casa, preparar para dias produtivos interrompidos por jogos, gelar a cerveja e o refrigerante, salgar a carne, separar a camiseta amarela e viver intensamente. Ainda que no início desse texto eu tenha condenado tanta dedicação a um esporte, chegando até aqui eu me sinto um pouco mais descontraído e relevo, afinal de contas, Copa do Mundo só vem de quatro em quatro anos e dura só trinta dias. Porque não aproveitar?

 

 

Há braços!

 

 

 

 

Eduardo Mesquita

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Muito bom…

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Só os fortes sobrevivem – AmBev faz isso conosco.

Trekking

Só os fortes sobrevivem!

 

Foi esse o tema do último encontro que tivemos com os profissionais da AmBev, agora no final de abril, dias 23 e 24 no Salto do Corumbá, aqui no estado de Goiás. Mais uma vez teríamos a oportunidade de desenvolver uma atividade com essa equipe que sempre nos surpreende e exige cada vez mais da nossa equipe – IDEA / Agregar / Casa do Walker.

E isso independentemente de qual unidade estamos atendendo, porque já atendemos a várias unidades da AmBev, e sempre temos um perfil de profissionais brutalmente motivados, incansáveis, que não aceitam perder e que se lançam em qualquer maluquice que a gente propõe com um sorriso no rosto e a vontade de terminar. É alucinante trabalhar com esse perfil de profissionais, porque tudo precisa ser feito de forma muito mais intensa.

As atividades propostas precisam ser mais desafiadoras, as condições do trabalho precisam ser mais no limite e as regras de segurança precisam ser muito maiores, porque se deixar os malucos acabam se matando para alcançar o resultado. Não duvide disso.

Trekking 2Pois dessa vez fomos chamados pela Miriam, a responsável por Gente e Gestão da unidade de Goiânia para um trabalho que pudesse superar tudo que já foi feito. Outro parêntese diz respeito ao final das atividades. Sempre nos propomos a superar os obstáculos que a equipe possa enfrentar no dia a dia, mas com o povo da AmBev sempre que terminávamos as atividades víamos aquela carinha de “E agora?”, como se não tivesse sido suficiente ou como se eles pudessem ir muito mais além.

Dessa vez fomos liberados para criar o que quiséssemos para a atividade, e inclusive fomos desafiados a superar a última atividade. Na última vez fizemos tirolesa, trilha de orientação e atividades de solo. Então dessa vez precisaríamos superar? Se tem uma coisa que nos orgulhamos muito é da nossa fama de malucos. Responsáveis, com regras de segurança, mas malucos. Seria a nossa hora?

Olhei nos olhos da Miriam e perguntei: “Podemos fazer o que a gente quiser?”. E ela com um sorriso malévolo concordou e nos liberou. A senha estava dada, os portais do paraíso seriam trancados por dois dias.

Nos reunimos exaustivas vezes para delinear uma atividade que pudesse ir além de tudo que já havíamos feito com essa turma, mesmo sabendo que muitos estavam nos encontrando pela primeira vez. As notícias corriam rápido e mesmo os que não haviam participado de outras atividades já nos conheciam de “ouvir dizer”. Criamos inúmeros cenários de atividades, pesquisamos riscos e situações limítrofes para enfrentar da forma mais sensata e desafiadora possível. Limamos uma série de sugestões por acreditar que seriam fáceis para aquela galera, algumas outras reservamos para um futuro próximo, e ao final conseguimos criar um roteiro de atividades que seria desafiador, instigante, surpreendente e difícil, muito difícil.

A reunião de deliberação final contou com a participação da Maria Célia e do Fernando, pela Agregar (detentora do contrato), Kiko, Ana, Leo e Lucas pela Casa do Walker e eu pela IDEA. Ali já vimos o tanto que teríamos que superar, porque as atividades não seriam difíceis apenas para os Ambévicos, mas também para nossa equipe, que estaria participando de tudo.

Nos reunimos com a equipe AmBev no hotel do Salto em uma reunião noturna. Mal sabiam eles que sairíamos para a trilha de orientação ainda de madrugada, e assim foram acordados com a noite alta ainda e um frio inesquecível. Alguns festeiros haviam acabado de deitar quando chutamos suas portas e tocamos nossas cornetas e sirenes.

Trekking 3

Na trilha de orientação já tivemos o gostinho do dia que teríamos pela frente. De madrugada, escuro, muito escuro, frio, bastante frio e numa trilha com apenas duas lanternas por equipe, uma bússola e uma planilha. Subindo e descendo serra para conseguir encontrar o rumo. Algumas equipes já se encontravam completamente perdidas ainda nos primeiros prismas e marcadores.

Depois disso nos dividimos e a minha equipe, junto à equipe do Léo e a do Lucas fomos para o rafting. Kiko e Ana fariam outras atividades enquanto iríamos enfrentar três horas de descida de rio, com muitos remansos e remadas. Eu temia o frio, mas o equipamento proporcionado contava com uma espécie de agasalho de lona que nos mantinha bastante aquecidos.

 

Trekking 1A descida do rio, além de fisicamente desafiadora, ainda contou com uma disputa acirrada em grande parte do trajeto. Algumas quedas d’água, uma queda desastrada (e logo comigo!), um machucado e ao final tínhamos descoberto músculos no corpo que nem sabíamos que existiam. A dor era uma parceira nas últimas curvas do rio, e uma parceira bem presente, alguns dos nossos colegas realmente “arriaram” nesse momento.

Ao final da descida ainda tivemos um momento para curtir o rafting, fazendo um surf por uma queda d’água e nos divertindo muito. Depois ainda teríamos a Auto-trilha, momento em que a equipe tinha muito pouco tempo para encontrar sua bandeira escondida em meio ao cerrado, com uma planilha feita por um dos integrantes da equipe. Depois disso fomos para a trilha de obstáculos e as pessoas precisaram se jogar nos braços dos outros, andar sob e sobre cordas, se arrastar no chão poeirento e enlameado, pular e passar por cima de obstáculos, se pendurar em abismos, atravessar o rio a pé e quando achavam que tudo havia acabado ainda foi preciso encarar uma escalada de vinte metros cachoeira acima. Parece muito? Pode ter certeza, foi.

Rafting 2Lembrar que durante a trilha de madrugada uma equipe precisou voltar ao marco zero para se organizar, e não conseguiu se organizar. Uma outra equipe quase desceu uma pirambeira rumo à garganta da cachoeira, feito que inevitavelmente mataria a metade da equipe e aleijaria a outra metade. Lembrar de gente que saiu sangrando de atividades que pareciam simples. Outras que tentaram desistir, mas ao perceber o risco de perda de pontos para a equipe inteira, se dedicavam ao esforço. Lembrar de um prêmio da natureza que foi a cachoeira da Gruta, ao final da trilha de obstáculos, um lugar de enorme beleza, com águas cristalinas e geladíssimas onde alguns colegas mergulharam e se divertiram como crianças. Lembrar que ao final da atividade a equipe dos novatos foi a vencedora do desafio. Lembrar de tanta coisa sensacional que foi essa atividade.

Rafting 1

Mas lembrar o principal para nossa equipe: as feições cansadas, exaustas e satisfeitas dos participantes da atividade. Conseguimos levar os caras ao limite realmente. E isso vale ouro. Os comentários ao final nos mostraram que mais que cansados, muitos estavam realizados com tudo que haviam feito, alguns ainda não acreditavam que passaram por quase 14 horas de atividade ininterrupta, e ali estavam cansados, suados, extenuados, mas com a sensação de serem vitoriosos.

Ao final pudemos comprovar que o tema era o mais acertado, porque no mercado em que atuamos só os fortes sobrevivem realmente, e aquele dia foi o dia para comprovar do que são feitas as nossas equipes.

 Trekking 4

Mais uma atividade que nos deu muito prazer em realizar. Grato AmBev!

 

 

 

 

 

Há braços!

Eduardo Mesquita

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Muito bom!

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