
Bom dia!
Recebi o texto abaixo de um aluno da faculdade. Ele vive me mandando coisas legais e curiosas, muitas engraçadas mesmo e algumas gigantescas (mais de 5 megas é maldade com meu servidor). Mas esse texto específico me provocou uma resposta. Depois até me peguei pensando que pode ter sido pela menção aos “psicólogos” no início, mas não sei se foi somente isso; ou se foi também o fato de eu ser nos últimos dois anos o feliz papai de dois guris inteligentes, lindos e carinhosos. Não sei por que, mas quis comentar. Se você quiser ler o texto lá de baixo primeiro, fique à vontade. Eu ri muito, principalmente porque me lembrei de montes de coisas ali que minha saudosa e amada mãe fazia e dizia na minha infância.
Mas agora sobre o que quero comentar, é a felicidade de perceber que o mundo mudou. Não são psicólogos e educadores que condenam atitudes que eram normais e aceitáveis antes. Não somos nós, Tabanes (meu aluno que mandou o texto), é o mundo que condena. E não digo que “é o mundo que condena” dizendo que todas as pessoas do mundo acham isso errado, até porque não sou tão ingênuo e bem sei que muita gente concorda com o poder educador da palmada e da surra e do cinto. Quando digo que o mundo condena é porque o mundo de hoje anda tão emborcado para o lado errado que não autoriza esse tipo de atitude com as crianças.
O mundo já é um lugar vil, violento, agressivo, estúpido, não podemos ser assim com nossas crianças. Sei que algumas vezes nossos guris nos levam às bordas da insanidade, e nessas horas eu me lembro da minha mãe me mandando ir buscar a correia de couro para apanhar (viu, além de apanhar eu ainda tinha que buscar o objeto de “disciplina”). Sim, também tenho vontade de dar uns tabefes nos meus tubarõezinhos, mas nessas horas me lembro do que vi no telejornal pela manhã, e no que vi no telejornal na noite anterior, e o que vivo vendo nos telejornais, sites, jornais impressos e conversas de botequim: Sangue, maldade, crueldade, violência, estupidez, banalização da vida e da morte. E aí quando me lembro de tudo isso penso – talvez com algum exagero, mas me permito isso – que não posso ser igual ao resto do mundo. Não posso ser – para meus dois super-heróis de metro e pouco – mais um local onde a violência é a única forma de expressão. Não posso ser mais uma pessoa que perde a cabeça e parte para agressão.
Não posso porque quero ser para eles exemplo de conversa, inteligência, educação, paciência infinda com quem amo e mais que tudo, quero ser um BOM exemplo.
Toda vez que sinto vontade de agredir meus meninos, me lembro que eles têm dez quilos e eu tenho oitenta. Lembro que eles ainda estão conhecendo o mundo e eu já conheço um monte dele. Lembro ainda que eles não tem noção de perigo ou medo, e eu já tenho tantos medos, já enfrentei tantos perigos (venci alguns, fui devastado por outros). Seria muita covardia da minha parte abusar de tantas vantagens que o tempo me deu para simplesmente “mostrar quem manda”.
Eu tenho outras formas de “mostrar quem manda”, mas principalmente porque não mando. Eu sempre tenho o cuidado de falar – e eles tem um ano e dez meses ainda – pedindo, com um “por favor” bem grande na frase. Se porventura a teimosia típica da pouca idade interfere, eu repito e reforço que “ainda estou pedindo”. Isso me dá margem para mandar, mas sem perder a cabeça. Não posso perder a cabeça.

Parei de xingar no trânsito, controlei meu impulso desenfreado por chocolate, abandonei o prazer adolescente de arrotar, procuro sempre falar baixo e com calma, tudo por causa daquelas duas criaturinhas que me acordam dando tapas descuidados (e algumas vezes dolorosos, eles são fortes os danados!) e me gritando “Papaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaai”.
Não freqüento igreja, não possuo religião, mas peço aos céus, deuses, orixás, qualquer força superior que porventura exista para que eu nunca perca a cabeça e agrida meus guris. Eu amo demais aqueles dois, e não faz sentido bater em quem eu amo tanto. Posso até estar errado e um dia “queimar a língua”, mas torço para que isso não aconteça.
Quando cientistas dizem que os tapas, chineladas e beliscões não educam, não é por leniência ou por achar que crianças podem tudo (eu não acho isso MESMO!), mas por saber que lá fora eles já vão levar tanta porrada, tanta chute, tanto golpe baixo; não é certo que vejam isso também com as pessoas que mais confiam. Não se trata de liberalidade exagerada, mas se trata antes de não banalizar a porrada. No mundo eles vão ter sua cota de desafios e agressões, comigo eles vão ter apoio, amparo, carinho, beijo, abraço, colo, risada, música, dança, luz e amor. Vão ter disciplina, vão ter bronca, vão ter castigo, vão ter punições e inúmeras vezes vão ver que eu não vim ao mundo para atender aos desejos deles (penso que eles já perceberam isso nessa altura da vida); mas vão ver isso de uma pessoa equilibrada e tranqüila, que tem segurança do que está fazendo e dizendo. Sou feliz em dizer que não estou sozinho nessa, porque minha mulher (Minha Delícia, que também amo até o fim do mundo) também pensa como eu. Somos firmes, muitas vezes somos duros (eu tenho um jeito duro de falar, muitas vezes), bravos, mas não levantamos a mão para os guris. Limite não precisa de pancada.
Fui criança num mundo que era mais gentil, que as portas não precisavam ser tão trancadas, que o homem mais perigoso das ruas era o “homem do saco”, que a vilania mais cruel era da Cuca contra a Narizinho, e num mundo em que as chineladas muitas que levei não eram descargas neuróticas de gente reprimida, mas eram sim ferramentas de controle e educação. Era outro mundo, definitivamente. Quem de nós pode garantir hoje em dia que quando dá um tapa num filho está realmente dando o tapa no filho, e não no Lula, ou no chefe, ou no vizinho que arranhou o carro na garagem, ou nas contas que nunca terminam?? Não bater numa criança não é alimentar um psicopata, mas manter sob controle suas responsabilidades, porque depois de cruzada a linha do primeiro tapa quem sabe aonde essa conversa vai acabar.
As crianças de hoje são criadas num mundo que as estimula a desafiar e a enfrentar, seja no videogame com tiros e mortes (que eu acho tão divertido, confesso), mas também nas ruas perigosas que elas andam. Se o pai enfia um tabefe numa criatura geneticamente feita para enfrentar, onde essa prosa acaba?? Como diria Gandhi “olho por olho e terminaremos todos cegos”.
A ciência já falou muita merda (me perdoem o termo, mas me permito essa liberdade nessa altura da conversa), mas nesse caso eu prefiro acreditar. Surra não educa, ela ensina a ter medo. Deve ser horrível viver com medo.
Mas o texto abaixo é hilário, ainda assim. Mesmo pensando isso, mesmo tendo vivido aquilo, eu ainda me diverti bastante. E sei que as chineladas que levei não me estragaram em nada nem estragaram o tanto que eu tenho orgulho dos pais que tenho e tive na infância. Se eu conseguir chegar perto do que eles foram, já terei vencido. Mas no mundo de hoje, sem bater nos meus filhos.
Tabanes, continua mandando os textos sempre. Eu lhe agradeço pela lembrança e generosidade. E pelo bom humor, isso é artigo raro hoje em dia. Rir logo cedo é um presente!
Há braços!
Eduardo Mesquita
eduardo@ideiadiferente.com
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P.S. - só comentando, as imagens usadas no post são de domínio público. Os gêmeos que aparecem lá em cima não são os meus filhões. Coisas de pai paranóico com o mundo violento, prefiro não postar fotos deles na web. |
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Ensinamentos das MÃES DE ANTIGAMENTE:
Pra lembrar, e rir.
Coisas que nossas mães diziam e faziam…
Era uma forma, hoje condenada pelos educadores e psicólogos, mas funcionou com a gente e por isso não saímos seqüestrando a namorada, nem matando os outros por ai. E tínhamos respeito pelos nossos pais, coisa que hoje em dia a maioria dos jovens nem sabe o que é isso.
Minha mãe ensinou a VALORIZAR O SORRISO…
“ME RESPONDE DE NOVO E EU TE ARREBENTO OS DENTES!”
Minha mãe me ensinou a RETIDÃO.
“EU TE AJEITO NEM QUE SEJA NA PANCADA!”
Minha mãe me ensinou a DAR VALOR AO TRABALHO DOS OUTROS..
“SE VOCÊ E SEU IRMÃO QUEREM SE MATAR, VÃO PRA FORA. ACABEI DE LIMPAR A CASA!”
Minha mãe me ensinou LÓGICA E HIERARQUIA..-.
“PORQUE EU DIGO QUE É ASSIM! PONTO FINAL! QUEM É QUE MANDA AQUI?”
Minha mãe me ensinou o que é MOTIVAÇÃO….
“CONTINUA CHORANDO QUE EU VOU TE DAR UMA RAZÃO VERDADEIRA PARA VC CHORAR!”
Minha mãe me ensinou a CONTRADIÇÃO..
” FECHA A BOCA E COME!”
Minha Mãe me ensinou sobre ANTECIPAÇÃO…
“ESPERA SÓ ATÉ SEU PAI CHEGAR EM CASA!”
Minha Mãe me ensinou sobre PACIÊNCIA….
“CALMA!… QUANDO CHEGARMOS EM CASA VOCÊ VAI VER SÓ…”
Minha Mãe me ensinou a ENFRENTAR OS DESAFIOS….
“OLHE PARA MIM! ME RESPONDA QUANDO EU TE FIZER UMA PERGUNTA!”
Minha Mãe me ensinou sobre RACIOCÍNIO LÓGICO…
“SE VOCÊ CAIR DESSA ÁRVORE VAI QUEBRAR O PESCOÇO E EU VOU TE DAR UMA SURRA!”
Minha Mãe me ensinou MEDICINA…
“PÁRA DE FICAR VESGO MENINO! PODE BATER UM VENTO E VOCÊ VAI FICAR ASSIM PARA SEMPRE.”
Minha Mãe me ensinou sobre o REINO ANIMAL…
“SE VOCÊ NÃO COMER ESSAS VERDURAS, OS BICHOS DA SUA BARRIGA VÃO COMER VOCÊ!”
Minha Mãe me ensinou sobre GENÉTICA…
“VOCÊ É IGUALZINHO AO SEU PAI!”
Minha Mãe me ensinou sobre minhas RAÍZES…
“TÁ PENSANDO QUE NASCEU DE FAMÍLIA RICA É?”
Minha Mãe me ensinou sobre a SABEDORIA DE IDADE…
“QUANDO VOCÊ TIVER A MINHA IDADE, VOCÊ VAI ENTENDER.”
Minha Mãe me ensinou sobreJUSTIÇA…
“UM DIA VOCÊ TERÁ SEUS FILHOS, E EU ESPERO ELES FAÇAM PRÁ VOCÊ O MESMO QUE VOCÊ FAZ PRA MIM! AÍ VOCÊ VAI VER O QUE É BOM!”
Minha mãe me ensinou RELIGIÃO…
“MELHOR REZAR PARA ESSA MANCHA SAIR DO TAPETE!”
Minha mãe me ensinou o BEIJO DE ESQUIMÓ…
“SE RABISCAR DE NOVO, EU ESFREGO SEU NARIZ NA PAREDE!”
Minha mãe me ensinou CONTORCIONISMO.-..
“OLHA SÓ ESSA ORELHA! QUE NOJO!”
Minha mãe me ensinou DETERMINAÇÃO..-.
“VAI FICAR AÍ SENTADO ATÉ COMER TODA COMIDA!”
Minha mãe me ensinou habilidades como VENTRÍLOGO…
“NÃO RESMUNGUE! CALA ESSA BOCA E ME DIGA POR QUE É QUE VOCÊ FEZ ISSO?”
Minha mãe me ensinou a ESCUTAR …
“SE VOCÊ NÃO ABAIXAR O VOLUME, EU VOU AÍ E QUEBRO ESSE RÁDIO!”
Minha mãe me ensinou a TER GOSTO PELOS ESTUDOS..
“SE EU FOR AÍ E VOCÊ NÃO TIVER TERMINADO ESSA LIÇÃO, VOCÊ JÁ SABE!…”
Minha mãe me ajudou na COORDENAÇÃO MOTORA…
“JUNTA AGORA ESSES BRINQUEDOS!! PEGA UM POR UM!!”
Minha mãe me ensinou os NÚMEROS…
“VOU CONTAR ATÉ DEZ. SE ESSE VASO NÃO APARECER VOCÊ LEVA UMA SURRA!”
Brigadão Mãe !!!